Perda 1

Publicado em 22/02/2025

Estou tão orgulhosa de você, oniicha. Eu sei o quanto você trabalha, só me deixe cuidar de você, tudo bem? Você merece ser mimado.”

Eu funguei.

Que santa era a Kurumi-chan.

Que irmãzinha perfeita, a maneira como ela amava e cuidava do irmão mais velho. Essas cenas de afirmação poderiam durar até vinte páginas e nunca enjoavam.

Fechei o livro e admirei a heroína na capa, imaginando quando seria minha vez de amar.

Quando seria minha vez de ter um par de coxas para descansar minha cabeça cansada.

“Qual é o seu problema Sousuke?! Você simplesmente não vai fazer nada?!”

Um grito da mesa vizinha me tirou do meu devaneio, alguém estava tendo uma pequena briga de amantes.

Era sempre algo assim com essas pessoas, talvez fosse uma coisa extrovertida. Fosse o que fosse, eles precisavam de Kashitani Kurumi para colocá-los no caminho certo. Eles não a chamavam de ‘o Anjo Mais Doce’ à toa.

Não é da minha conta, comecei a me levantar para pegar um refrigerante de melão (para aproveitar bem a ilustração a seguir), mas rapidamente sentei minha bunda de volta.

Eu tinha feito uma besteira, muita besteira.

Aquele casal?

Eles estavam usando o mesmo uniforme escolar que eu, como se isso não fosse ruim o suficiente, eu os reconheci, éramos colegas de classe.

Quem gritou foi Yanami Anna, uma dessas pessoas popular e animada.

Sentado em frente a ela estava Hakamada Sousuke, mais uma vez, popular e bonito.

Não sabia que eles estavam namorando, mas não fiquei exatamente surpreso, estavam colados pelo quadril em volta da escola. A questão permanecia: por que escolheram aqui, um restaurante familiar, para terem sua briga?

Voltei para o meu livro, meio focado em ouvir.

“A menos que você a impeça agora mesmo, Karen-chan vai embora para sempre. Você percebe isso, não é? Você tem alguma ideia de quão longe a Grã-Bretanha é?”

“Nós nos despedimos” o sujeito protestou.

“E você honestamente quer me dizer que a levou a sério?!”

Rapaz, que coisa mais banal, onde eu já tinha ouvido tudo isso antes?

Foi realmente estranho terminar minha história enquanto outra estava se desenrolando literalmente bem ao meu lado.

Karen soou familiar, lembrei que tínhamos uma aluna transferida vindo não muito tempo atrás, Himemiya Karen, ela era um verdadeiro furacão. A primeira coisa que saiu da boca dela foi uma acusação.

Aparentemente, Hakamada a apalpou ou algo assim, não sei.

‘Espera, ela já está voltando? Sem andar de um lado para o outro, eu juro.’

“Eu não deveria ter feito isso?” Hakamada perguntou.

“Você não entenderia. Você não sabe como é estar em…” Yanami abaixou a cabeça e mordeu o lábio.

“Anna, eu...”

“Esqueça” ela disse calmamente.

Ela olhou para cima, composta e deixou cair uma chave de bicicleta na mesa.

“Vá. Ela está esperando por você.”

"Você tem certeza?"

“Ela é uma garota paciente. Só não a mantenha por muito tempo. Faça-a feliz — ela merece.”

“Obrigada, Anna. Não vou estragar tudo dessa vez.”

Yanami assentiu.

“Eu sei que você não vai. Não se esqueça que eu tenho um ombro para emprestar se ela acabar te dando um pé na bunda.”

“Eu estou…”

Um momento depois ele se foi, sem nem mesmo um segundo olhar para sua amiga.

Yanami ficou ali por um tempo antes de cair de volta sem vida.

“É melhor você não terminar essa frase” ela murmurou.

E lá estava eu, apenas meio que sentado ali.

Um estranho em uma terra exótica de drama e vida social, decidi que a melhor coisa que eu poderia fazer pela dignidade dela era simplesmente fingir que eu não estava lá.

Então eu fiz exatamente isso e me escondi atrás do menu.

Até…

‘Cara, ela não faria isso.’

Yanami Anna, recém-saída do ônibus da rejeição, pegou um copo.

O copo do homem que tinha acabado de arrancar seu coração.

‘Não. Não. Não!’

Minha alma clamou em vão.

Ela segurou o copo com ternura com as duas mãos e muito lentamente colocou entre seus lábios.

Linha: oficialmente cruzada.

Seus olhos vagaram para um lado e para o outro, antes de finalmente pousar nos meus.

‘Caramba! Uh-oh! Ruim!’

Várias outras exclamações de desgosto.

Parte de mim rezou para que ela não me reconhecesse. Essa esperança foi frustrada assim que vi o vermelho começar a subir por suas bochechas. Então — café, café jorrando de seus lábios sobre a mesa.

Café por todo lugar.

Ela cuspiu a bebida e o que não saiu ela engasgou.

Foi por isso meus amigos, que preferi o bidimensional.

Meu único recurso era dobrar a aposta, eu não tinha visto nada. Você podia dizer pelo quão bom eu era em assobiar e o quão investido eu estava no menu.

Infelizmente, meus talentos foram desperdiçados com gente como Yanami, que marchou direto para cá e sentou-se na minha frente, porque Deus nos livre de nós dois cuidarmos da nossa própria vida.

“Você, conheço você. Você é Nukumizu-kun. Estamos na mesma classe” ela acusou.

“O-oh, bem, se não é Yanami-san” eu gaguejei.

“Que coincidência.”

Eu não estava convencendo ninguém, certamente não Yanami, o rubor subiu até suas orelhas. Ela me lançou seu olhar mais sério e intimidador.

“É-é melhor que isso fique entre nós!”

“Claro, uh, sim. Não vi nada mesmo.”

“Isso mesmo! Nada!”

Ela se levantou de seu assento, evitando desajeitadamente o contato visual.

Em minha defesa, eu tinha chegado aqui primeiro, qualquer coisa que eu tivesse testemunhado não era minha responsabilidade.

Tanto faz, estava feito.

Tirei isso da cabeça e fui para o balcão, um bom refrigerante de melão gelado refrescaria minha cabeça.

Quando voltei, no entanto, Yanami ainda estava parada ali na minha mesa. Ela tinha a carteira aberta, contando moedas desajeitadamente — sim, ela estava claramente quebrada.

Fui passar por ela, mas minha consciência me segurou, não havia uma maneira realmente diplomática de sair dessa situação com ela perambulando exatamente onde eu precisava estar.

Isso era para o bem do meu tempo livre, que ela estava desperdiçando no momento. Era só isso, contei até dez na minha cabeça e então chamei por ela.

"Você, uh... precisa de ajuda?"

“O quê?” ela resmungou, quase chorando.

Ela assentiu lentamente.

Peguei o recibo dela.

Quanto ela poderia ter comido?

A resposta: muito.

Hakamada tinha pedido um maldito combo de bife.

Yanami, Deus a abençoe, tinha tentado se contentar com sopa e salada, apenas para desistir e pedir um hambúrguer e sobremesa.

A falta de previsão em exibição aqui era realmente impressionante.

“Tudo bem, bem, eu te cubro hoje” eu disse.

“Só me pague na segunda.”

Lá se foram meus planos noturnos de ir às compras de light novels.

Um sacrifício com certeza, mas é isso. Por mais que eu quisesse, não podia simplesmente deixar uma colega de classe na mão, especialmente depois do que ela tinha acabado de passar.

“Sério? Você tem certeza? Quer dizer, eu mal te conheço” ela disse.

‘Ei, o que quer que faça você sair mais rápido — eee ela está sentada’.

“Você, uh, não vai embora?” perguntei.

“Obrigado, Nukumizu-kun. Eu realmente aprecio isso. Acho que eu entendi vocês todos errados.”

‘Ah, sim, insulte-me enquanto estiver nisso.’

Eu estava começando a me arrepender de ter cedido à empatia.

“Não vai embora? Não?”

Yanami juntou as mãos e olhou para longe, de forma bem irreverente.

“Somos amigos de infância, sabia?”

‘Ah, conte-me.’

Foi o que ela fez.

“Quando éramos crianças, Sousuke fez um anel de trevos para mim e me pediu em casamento. Você acredita?”

Lágrimas brotaram em seus olhos e rapidamente transbordaram.

"O-opa, ei! Você está bem?" eu perguntei.

Isso estava indo bem, se você ignorasse todos os olhares curiosos e literalmente todo o resto sobre a situação. Eu corri para o bar de bebidas novamente, peguei um saquinho de chá aleatoriamente e coloquei em um pouco de água para ela.

“Aqui, só…” Voltei e entreguei a ela.

“Se recomponha.”

“Obrigada.” Ela tomou um gole.

“Mh, eu gosto disso.”

Bom. Acho que é rosa mosqueta.”

Lembrei-me do rótulo ou algo assim que li enquanto estava lá.

“É bom para a pele.”

Yanami baixou os olhos.

“Não é como se eu tivesse alguém para ficar bonita, não mais."

Isso foi simplesmente doloroso, quebrei a cabeça para literalmente dizer qualquer coisa que nos tirasse do assunto e a tirasse do meu pé.

Esforço desperdiçado.

“Uma batata frita grande!” falou um garçom uniformizado.

“Desculpa?” Eu pisquei.

De repente, havia batatas fritas e estava na minha conta.

“Desculpa, nós não—”

“Eu me importo muito com Karen-chan. Eu me importo. Ela é uma amiga querida para mim”

Yanami continuou.

“É só que, bem... Ela simplesmente apareceu, sabe? É como se Sousuke e eu não estivéssemos juntos por mais de uma década? O que aconteceu com tudo isso?”

Ela assoou o nariz em um guardanapo e foi direto para as batatas fritas.

“Ei, você pediu essas?”

“Eu sou a pessoa que ele pediu para casar. Como isso é justo? Como ele pode simplesmente mentir assim?"

Eu poderia pensar em algumas coisas que eram menos do que justas naquele momento. Bem, eu tinha feito minha cama, podia continuar choramingando ou engolir e deitar nela.

“Quantos anos você tinha quando ele fez essa promessa?” perguntei, mal contendo um suspiro.

“Antes do ensino fundamental, então, tipo quatro ou cinco?” ela respondeu.

‘Sim. Não é juridicamente vinculativo.’

‘Outra fritura. ‘

“Você acha que isso conta como traição? Tem que contar, certo? Tipo, como você simplesmente pula do barco assim depois que um aluno transferido com um par de buzinas aparece?”

Agora, esse era um ângulo interessante. Eu não tinha imaginado Hakamada como um mulherengo.

Himemiya Karen era uma gata — ninguém poderia negar isso — mas Yanami tinha seus encantos, com certeza. Infelizmente para ela, não nasceu com aquele fator X que todas as garotas de anime e mangá tinham.

Eu realmente senti por ela nesse aspecto.

“Eu não sabia que vocês estavam realmente namorando” eu disse.

“Huh? O-oh, não. Quero dizer, parecia que éramos?” Yanami corou e riu para si mesma.

“As pessoas sempre disseram que éramos super fofos juntos. Não posso te culpar por presumir.”

“Então vocês não estão namorando. Então, literalmente como isso é traição?”

Yanami estremeceu.

“B-bem, você mesmo disse! Nós meio que éramos! Mais ou menos! Teríamos ficado se não fosse por aquela destruidora de lares e suas mamas ordenhadoras!”

Os dois pareciam melhores amigos.

“Além disso!” ela respondeu.

“Quem sabe? Talvez ele mude de ideia no último minuto ou algo assim.”

‘Lamento dizer que a décima primeira hora já passou.’

Sim, eu era um pouco especialista, tinha lido minha cota de comédias românticas e o ganso dela estava completamente frito, tomei um gole do meu refrigerante de melão.

Com reverência.

“Quer saber de uma coisa?” Yanami perguntou.

“Só entre nós, Sousuke e eu tomamos banho juntos.”

“Uh-huh. Quando você tinha quatro ou cinco anos?”

Sousuke e sua nova garota chegariam lá em pouco tempo.

“Ok, mas nossas famílias são próximas! Praticamente já temos a benção delas! Essa é, tipo, uma das partes mais importantes de se ter um casa… mento.” As lágrimas retornaram com força total.

“D-devo me preocupar?”

“O casamento…” Yanami choramingou.

“Eu tinha escolhido um vestido e tudo e aquele idiota roubou de mim…”

Uau, essa foi por conta dela. Você nunca imagina o vestido com tanta antecedência, ou sua rival usando-o no seu lugar. Fiquei imaginando como seria o horário do ônibus da rejeição, porque eu já tinha superado essa passageira.

“Eu sei. Eu sei, ok? A culpa é minha por ficar sentada por tanto tempo. Eu deveria ter sido corajosa” ela disse.

"Você, uh, precisa de um refil? O chá de menta aqui é muito bom."

“Não… Tem gosto de pasta de dente.” Yanami fez beicinho, então sorriu.

Ela enxugou os olhos.

“Desculpe. Um pouco demais, hein?”

“Ei, sem problemas” eu disse.

Esse não era o pedido de desculpas que eu estava pessoalmente esperando.

“Eu vou ficar bem. Enquanto Sousuke estiver feliz, eu posso me contentar com melhores amigos.”

“S-sim. Certo.”

Yanami era uma montanha-russa de emoções. Ela continuou falando e eu apenas fiquei ali sentado comendo batatas fritas.

Ouvindo, fazendo o meu melhor para ser o mais paciente possível.

Havia uma palavra para heroínas como ela, cujos navios acabavam perdidos no mar.

Eles foram os perdedores.

Yanami Anna era uma heroína perdedora.

Nota do Tradutor:

Esta obra não possui capítulos definidos ( Ao menos neste Volume).

Ele se divide em "Perdas", sugerindo as heroínas que tiveram sua derrota no romance.

Então estarei separando em partes para ficar melhor ao postar e tornar a leitura menos cansativa.