Um bip mecânico ecoou da maquina de arroz em uma bancada mal iluminada. Uma Yanami Anna vestida de pijama não fez esforço algum para abafar seu bocejo enquanto espiava dentro da geladeira.
“Ovos e nada mais.”
Na gaveta de legumes, ela encontrou um pouco de espinafre komatsuna murcho e meio pacote de presunto.
Apenas macarrão congelado e um pouco de sorvete a cumprimentaram no freezer. Algumas escavações extras, conseguiram desenterrar um saco aberto de vegetais mistos.
“Talvez eu possa trabalhar com isso?”
Yanami Anna colocou seus despojos: ovos, presunto, vegetais mistos e um pouco de espinafre amarelado.
Ela roeu sua barra de sorvete pensativamente.
Cozinhar não era de forma alguma seu ponto forte, mas a falta de entusiasmo de um certo garoto exigente a tinha irritado.
“Já que ele quer jogar aquele jogo…”
Uma ideia.
Yanami abriu um armário, passando por uma variedade de enlatados originários de todos os tipos de lugares e épocas, ela tirou um particularmente empoeirado do fundo.
Seu rótulo dizia assim: ‘Imperial Hotel — Molho Branco Especial’.
Isso serviria muito bem.
Era grandioso — era especial — com certeza quebraria a cara de pôquer daquele idiota.
Yanami olhou para seu ingrediente secreto com orgulho, até que notou a data de validade escondida na borda do rótulo.
‘Que ano é mesmo?’ ela se perguntou.
Reiwa começou em 2019, então…
Isso foi perto o suficiente para Yanami.
Ela jogou a lata na mesa, se um cara como Napoleão conseguia fazer ou comer comida enlatada — ela não conseguia lembrar qual — cem anos atrás, o que seria um ou dois anos depois da data nos tempos modernos?
Yanami pegou um pedaço do seu sorvete, satisfeita com sua teoria. Então ela se ajoelhou no chão escuro da cozinha, segurou sua cabeça e deu um grito de boca fechada no silêncio solitário.
E assim passou aquela noite de verão para Yanami Anna, de quinze anos e seus dentes hipersensíveis.