Capítulo 12

Publicado em 17/03/2026
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Ren e Fiona haviam retornado à fortaleza e agora estavam no telhado.

Se não tivessem se agarrado à ponte suspensa usando magia da natureza, teriam sido queimados vivos pelo fluxo de lava que preenchia o fundo do desfiladeiro.

Não havia outra forma de salvar Fiona.

Mesmo sabendo que precisariam voltar à fortaleza, Ren não podia se dar ao luxo de priorizar nada além da própria sobrevivência.

"...Me desculpe. A culpa é minha."

"Não, Lady Ignat. A culpa não é sua."

Ren tentou consolar Fiona, mas ela tremia de frustração.

Embora não tivesse culpa, ela se culpava por ter arrastado Ren para aquela situação e por tê-lo colocado em perigo.

Comovido com sua nobreza de espírito, Ren voltou seus pensamentos para o que os aguardava dali em diante.

(De algum modo, conseguimos escapar... mas o verdadeiro problema começa agora.)

Logo depois de saírem da ponte suspensa, Ren procurou uma forma de descer a montanha por perto.

No entanto, os fluxos de lava que os cercavam deixaram claro que aquilo era impossível, forçando-os a desistir e a retornar à fortaleza.

(As pessoas que atravessaram a ponte suspensa devem estar seguras... Só espero que aqueles que ficaram presos nela também estejam bem.)

Os cavaleiros, os aventureiros e os candidatos que seguiram em frente deviam ter um caminho seguro adiante.

Se a lava estivesse fluindo da forma que ele conhecia pelo relevo do terreno, então a rota usada na subida ainda deveria estar intacta.

Ainda assim, os caminhos disponíveis para a descida de Ren e Fiona agora eram limitados.

Só restava uma rota mais longa e indireta.

Antes de qualquer coisa, eles precisavam decidir se o melhor seria esperar ali por resgate.

(Se ficarmos aqui parados, este lugar também será engolido pela lava.)

Do terraço, eles tinham uma visão clara da rapidez com que a paisagem da cordilheira estava mudando.

Não havia sinal de que o avanço da lava fosse diminuir.

Cedo ou tarde, fluxos de lava e colunas de fogo também poderiam começar a irromper do solo perto da fortaleza.

"Aventureiro, nós..."

Fiona também percebeu que simplesmente esperar ali não era uma opção.

"Acho que a melhor escolha é encontrar outro caminho para descer a montanha."

"...Eu penso o mesmo."

Ainda restavam algumas rotas possíveis para descer das Montanhas Baldor.

Ren apontou em uma direção.

"O caminho mais próximo é por ali."

O lugar para onde ele apontava era o território do Visconde Given.

No entanto, em comparação com a descida rumo ao domínio Clausel, esse trajeto levaria consideravelmente mais tempo.

(Se isso não der certo, teremos de recorrer a um caminho ainda mais problemático.)

Eles também poderiam descer usando a mesma rota pela qual os candidatos haviam subido.

Mas essa seria a última opção.

Isso levaria muito tempo e os obrigaria a permanecer nas Montanhas Baldor em meio àquela catástrofe.

Com um suspiro, Ren murmurou:

"Muitas coisas estranhas estão acontecendo em sequência. Alguém deve ter causado tudo isso por algum motivo."

Fiona inclinou a cabeça.

Ren continuou:

"Por exemplo... como parte de uma disputa entre facções."

"Ah, entendo."

Fiona assentiu, compreendendo o raciocínio dele.

Mas logo em seguida balançou a cabeça.

"Talvez não seja uma simples disputa entre facções. Aventureiro, você se lembra do garoto a quem os adultos estavam dando atenção especial antes de atravessarmos a ponte suspensa? Aquela criança é herdeira de um nobre de alta patente da Facção dos Heróis."

Ren compreendeu na mesma hora as implicações disso.

"Com Lady Ignat também presente, essa situação não teria sido causada por uma disputa entre facções... pelo menos não dessa forma."

"Sim. Claro, não podemos afirmar com certeza, mas não há benefício para nenhum dos lados em fazer algo assim."

Embora existissem nobres como o Visconde Given, a Facção dos Heróis ainda se mantinha dentro de certos limites.

Da mesma forma, a Facção Real não agiria de maneira tão imprudente na presença de Fiona.

Então, quem poderia ter feito aquilo?

(Isso aconteceu porque o diretor estava ausente? Não... é mais provável que alguém tenha se aproveitado da ausência dele para orquestrar tudo.)

Se o Marquês Ignat estivesse ali, ninguém teria conseguido provocar uma comoção dessas com tanta facilidade.

Era possível que alguém com poder igual ou superior ao dele estivesse envolvido, mas...

(Seria a outra facção?)

Talvez aqueles que buscavam a ressurreição do Rei Demônio tivessem agido na região.

Mas especular sobre o culpado não os ajudaria naquele momento.

Primeiro, precisavam se concentrar em sobreviver e escapar das Montanhas Baldor.

"Precisamos sair das Montanhas Baldor o mais rápido possível. Vamos nos preparar e partir imediatamente."

"Sim! Vou verificar os suprimentos agora mesmo!"

Como ainda era começo da tarde, eles tinham bastante luz do dia.

Com a lava correndo por toda parte, até mesmo a noite ficaria, de certa forma, iluminada.

Precisavam avançar o máximo possível enquanto ainda podiam.

Quando estavam prestes a voltar para dentro da fortaleza, Fiona parou de repente.

"────"

Ela pressionou a mão contra o peito.

Por um instante, sentiu uma pulsação inexplicável e intensa.

"Senhorita Ignat?"

"N-Não! Não é nada!"

Mas durou apenas um instante.

Ela temia que seu corpo tivesse voltado a ser como antes de tomar o remédio, mas não havia sinais disso.

Fiona deu leves tapinhas nas bochechas e abriu um sorriso lindo.

Era uma beleza capaz de cativar um reino inteiro — a beleza de um anjo.

***

Ao iniciarem a descida, escolheram um caminho que ainda não havia sido engolido pela lava.

O terreno ao redor das Montanhas Baldor estava sendo gradualmente destruído.

Rocha derretida escorria pelas encostas irregulares da montanha, tingindo toda a região de vermelho.

Na manhã do segundo dia depois de deixarem a fortaleza—

Ren acordou ao amanhecer e preparava o café da manhã quando...

"Bom dia, aventureiro."

"Ah, bom dia."

Fiona saiu da tenda com a voz ainda sonolenta.

Ren se virou para ela enquanto respondia.

"O café da manhã está quase pronto..."

"Desculpe. Acordei tarde de novo..."

Os dois ficaram em silêncio no meio da frase.

Ren não soube por que Fiona havia parado de falar.

No caso dele, o motivo era simples.

(...Aquele ahoge.)

Era um lado de Fiona que ele jamais poderia ter imaginado, dada a compostura habitual dela.

No instante em que Fiona saiu da tenda, um único ahoge adoravelmente espetado se erguia no topo de sua cabeça, provavelmente por causa do redemoinho do cabelo.

Ele devia apontar aquilo?

Isso poderia deixá-la constrangida.

Ren forçou um sorriso casual e fingiu não notar.

"Não é nada demais, mas aqui está."

"De jeito nenhum! Isso já é mais do que suficiente para um banquete!"

Fiona se recompôs rapidamente e se aproximou da fogueira, dando uma mordida no café da manhã simples que Ren havia preparado.

Ela se sentou ao lado do fogo, segurando uma xícara de sopa com as duas mãos.

(Lá vai de novo.)

A cada gole que ela tomava, o ahoge balançava.

Ren achou indelicado continuar encarando, então desviou o olhar depressa.

Mas então percebeu que Fiona o observava.

Ele inclinou ligeiramente a cabeça, confuso, mas ela logo desviou os olhos.

Ao se sentar, encolheu-se um pouco, como se tentasse parecer menor, enquanto tomava a sopa em silêncio.

"Vou arrumar nossas coisas. Não precisamos ter pressa, então comam com calma."

Enquanto Ren permanecia de pé, Fiona hesitou por um instante, como se quisesse chamá-lo.

Sua mão se estendeu instintivamente em direção às costas dele, mas logo recuou.

"Ah, muito obrigada!"

Sua voz carregava uma leve surpresa.

Assim que entrou na tenda, Ren começou a guardar seus poucos pertences.

"Hm."

Ele assentiu para si mesmo enquanto guardava os utensílios.

Então, ao esticar os braços, seus dedos roçaram o próprio cabelo...

E ali estava.

Um único fio espetado para cima.

(Acho que isso nos deixa empatados.)

Não era uma competição, mas, ainda assim, ele resolveu a situação dessa forma.

Do lado de fora, a voz chocada de Fiona ecoou:

"E-Espera, eu também estava assim?!"

Ela devia ter percebido ao vislumbrar o próprio reflexo em algum lugar.

***

"...Que descuido."

Sob um céu estrelado, Ren estava sentado ao lado da fogueira quando despertou de repente.

Tentou se lembrar do que havia acontecido antes de cochilar.

Eles decidiram acampar ali naquela noite, compactando a neve e montando duas tendas.

Depois do jantar, ele insistiu para que Fiona descansasse.

Então assumiu a vigília noturna — apenas para acabar cochilando também.

"Está tudo bem, aventureiro."

Uma voz falou ao lado dele.

Fiona.

Ren se virou e a viu sentada perto da fogueira.

"Não aconteceu nada enquanto você dormia. Nenhum monstro atacou nem nada do tipo."

"...Desculpe. Era meu dever ficar de vigia, e mesmo assim acabei adormecendo."

Ren abaixou a cabeça, mas Fiona imediatamente balançou a sua.

"Eu é que deveria pedir desculpas. Você também ficou acordado ontem à noite, não foi? É por isso que parecia um pouco sonolento hoje..."

"Não se preocupe. Faz parte do trabalho."

"Não. Numa situação como esta, eu também quero ajudar."

Ela lhe deu um sorriso gentil.

Vestida com as roupas mais quentes que tinha, Fiona ainda abraçava os joelhos para se aquecer.

Uma caneca de madeira fumegante repousava em suas mãos, exalando um leve aroma de chá.

Como se tivesse se lembrado de algo, Fiona passou a caneca para Ren e pegou uma pequena panela perto do fogo, preparando outra porção.

"A família Ignat tem alguns criados que já trabalharam no Castelo Imperial, sabia?"

"Uau... Como esperado da família Ignat."

"...Mas até eles precisavam conter o sorriso sempre que provavam o meu chá."

Ren não soube muito bem o que responder a isso.

Mas uma coisa era certa: ele não podia simplesmente se recusar a beber.

Fiona abriu um sorriso sem jeito.

"Se estiver muito ruim, você pode jogar fora."

Ren pegou a caneca com um sorriso tranquilo e a levou aos lábios.

(Hm.)

Aquilo o despertou na mesma hora.

O chá estava... incrivelmente amargo.

"Está bom."

"Isso é mentira, não é? Eu vi sua sobrancelha mexer agora mesmo."

"É só um hábito meu. Não se preocupe. Eu falei sério quando disse que está bom."

"Bem... fico feliz em ouvir isso, mas, por favor, não se force, está bem? Se você passar mal do estômago, seria terrível...!"

Ele não achou a bebida intragável.

Enquanto Ren tomava mais um gole, e depois outro, Fiona se sentia culpada e feliz ao mesmo tempo ao vê-lo agir daquela forma.

"Você acha que vamos levar mais uns dois dias para descer a montanha?"

Depois de um breve silêncio, Fiona falou, e Ren respondeu:

"Acho que sim. Devemos conseguir chegar ao território do Visconde Given até lá, mas... hum? Pensando bem, ainda podemos chamar aquilo de território do Visconde Given?"

Ele fez a pergunta porque o visconde já não estava mais presente.

Não havia dúvida de que ele havia perdido o poder depois do incidente, mas, mais importante, tirara a própria vida antes que isso acontecesse oficialmente.

"Hum... como agora está sob custódia imperial, provavelmente não...?"

"...Para simplificar, vamos continuar chamando de território do Visconde Given por enquanto."

Ren coçou a bochecha, e Fiona soltou uma risadinha, semicerrando os olhos.

Não havia nenhum traço de tristeza em sua expressão.

Ela olhou para o céu noturno, repleto de estrelas cintilantes, e exalou um suspiro branco enquanto a luz da fogueira iluminava seu rosto.

"Você é uma pessoa forte, Lady Ignat."

"Hã? De onde surgiu isso de repente?"

"Peço desculpas se estiver enganado, mas... mesmo na ponte suspensa, você não demonstrou medo em nenhum momento."

"Hehe. Se é isso que você quer dizer, é pelo mesmo motivo que eu disse antes."

Seu sorriso era resoluto, e sua voz não trazia nenhum traço de medo, confirmando que a impressão de Ren não era fruto da imaginação.

"Eu mencionei antes que as pessoas na fortaleza apresentavam sintomas semelhantes ao rompimento de um vaso sanguíneo, não foi?"

Parecia que o assunto havia mudado, mas Ren assentiu prontamente.

No entanto, nada havia mudado.

Essa conversa tinha um propósito.

"Eu também tive rompimento de vasos sanguíneos. O meu foi tão grave que curandeiros, boticários e até artesãos de ferramentas mágicas declararam que era impossível de curar. Diziam que era um caso sem precedentes."

(...Então era por isso que ela usava aquele colar.)

O colar antimagia servia exatamente para isso.

Originalmente, ele havia sido criado por um dos Sete Heróis para ocultar a presença de seus companheiros.

Ao suprimir sua magia avassaladora, eles conseguiam confundir os inimigos, inclusive o Rei Demônio.

Ao aproveitar esse efeito de supressão mágica, deviam ter esperado aliviar o sofrimento de Fiona, ainda que apenas um pouco.

"Meu pai me deu um dispositivo mágico de cura e poções. Uma estante cheia de livros, que eu só conseguia ler nos dias em que me sentia melhor. Uma cadeira na qual eu não conseguia sentar sem ajuda."

"E um pequeno pedaço do céu visível da minha janela. Esse era o meu mundo inteiro."

Mover-se sozinha era praticamente impossível sem ajuda.

Mesmo nos dias bons, tudo o que conseguia fazer era ficar sentada na cama, bebendo ou comendo sozinha.

E até isso era raro.

O céu que via se limitava ao pedaço enquadrado por sua janela.

Se a Fiona de um ano atrás tivesse visto a paisagem diante dela agora, teria descartado tudo como nada além de um sonho.

"Mas um dia, meu pai e os criados começaram a agir de forma diferente."

"Agir de forma diferente?"

"Sim. De repente, ficaram distantes... como se ninguém quisesse me encarar."

Fiona havia entendido errado, pensando que recebera um diagnóstico de pouco tempo de vida.

Naquela noite, sem que ela soubesse, uma certa droga lhe foi administrada secretamente.

O Marquês Ignat havia providenciado isso em segredo para evitar criar falsas esperanças.

A mudança no comportamento dele e dos criados se devia simplesmente ao fato de estarem rezando para que o remédio fizesse efeito.

(Essa droga... era feita com materiais de Sheefulfen?)

Fiona não disse isso explicitamente, mas Ren estava convencido.

"Quando abri os olhos, senti alívio por ainda estar viva. Fiquei pensando se conseguiria me levantar com ajuda naquele dia. Se seria capaz de me sentar sozinha. Quantas vezes mais conseguiria comer. Eu rezava por pequenos milagres assim. Mas logo percebi que havia algo diferente no meu corpo."

Ao despertar, sentiu o corpo estranhamente leve.

Tudo diante de seus olhos parecia cintilar, vivo e deslumbrante.

"Meu corpo não doía... Só isso já era tão estranho que tentei me levantar da cama sem ajuda — e acabei caindo no chão. Bati a cabeça e fiquei com um galo. Machuquei a bochecha, que inchou. Mas foi só isso. Tudo o que fiz foi me arrastar de forma patética pelo tapete... e, ainda assim, pela primeira vez na vida, chorei de alegria."

Fiona desviou o olhar do céu e o voltou para Ren.

Seus olhos brilhavam com um fulgor tão místico que as estrelas pareciam meros grãos de poeira em comparação.

Se Ren não fosse Ren, Fiona teria morrido como estava destinada a morrer.

Vê-la se agarrando com tanta força ao presente tornava sua existência ainda mais preciosa.

E agora ele entendia perfeitamente por que ela não temia nada.

"É por isso que agora eu não tenho medo de nada. Comparado àqueles dias, isto não é nada."

Ela repetiu a mesma coisa, como se reafirmasse as próprias palavras.

"Além disso, eu consigo seguir em frente quando penso no que vem depois de descermos a montanha."

Ela sussurrou algo, mas não disse mais nada.

Seja o que fosse, aquelas palavras tinham um significado profundo para ela.

Era isso que a impulsionava.

Ren não ouviu o murmúrio, mas tudo bem.

"Vamos descer em segurança. Eu juro que vou levá-la para além das Montanhas Baldor, custe o que custar."

As palavras saíram naturalmente da boca de Ren, e seu olhar determinado atravessou Fiona.

"Sinceramente... eles estavam certos sobre você. Você realmente é uma pessoa muito gentil."

Ela murmurou tão baixo que Ren não conseguiu ouvi-la, soltando uma risadinha discreta para si mesma.

Então—

"..."

De repente, ela levou a mão ao peito.

Respirou fundo, e Ren percebeu que algo estava errado.

"Você está bem? Aconteceu alguma coisa...?"

"N-Não! Estou bem!"

Fiona negou apressadamente, mas sua expressão era serena o bastante para soar convincente.

Ela parecia tão tranquila que Ren quase acreditou ter imaginado aquele instante de desconforto.

"Durma mais um pouco. Eu vou ficar bem sozinha."

Ele havia cochilado mais cedo, mas ainda conseguiria ficar acordado por mais um tempo.

Quando demonstrou preocupação, Fiona hesitou por um instante antes de se desculpar.

"Então... aceitarei sua oferta e vou descansar primeiro."

Ela se levantou, pediu desculpas mais uma vez e se afastou da fogueira onde Ren estava sentado.

Voltou para a tenda que estava usando e fechou a entrada.

No mesmo instante, caiu de joelhos com força.

Ainda ali, estendeu os braços sobre o peito e baixou o olhar.

Enquanto suportava a dor intensa que atravessava seu corpo, murmurou:

"...Por que... de repente...?"

Para garantir que Ren não percebesse, ela reprimiu até a própria respiração, prendendo-a o máximo que conseguia.

A voz que não podia conter por completo era desesperadamente abafada pelas mãos sobre a boca.

◇ ◇ ◇ ◇

Os dois deixaram o acampamento assim que amanheceu.

Em comparação com alguns dias antes, a neve ao redor havia diminuído bastante.

Embora os efeitos da forte nevasca ainda fossem visíveis, o fluxo de lava havia derretido grande parte da neve com seu calor.

Graças a isso, a descida parecia avançar sem grandes problemas, mas—

(...Isto é o pior.)

O caminho que levava ao território do Visconde Given estava bloqueado logo à frente de Ren.

A encosta íngreme abaixo estava coberta de lava, que espirrava, borbulhava e sibilava sem parar.

(Quando o Marquês Ignat tentou ressuscitar Asvar, não chegou nem perto disso.)

Não era correto misturar o jogo com a realidade, mas a situação era inegavelmente grave.

Ao longo do caminho, Ren tentou usar a magia da natureza de sua espada mágica de madeira para abrir passagem.

Fiona também tentou conter o fluxo de lava com sua magia de gelo.

Mas, como era de se esperar, raízes, vinhas e cipós das árvores eram queimados imediatamente.

"Parece que a concentração mágica desse fluxo de lava está aumentando."

Como Fiona havia dito, a lava estava impregnada de magia.

Mesmo quando Fiona a congelava com sua magia, a lava recuperava sua fúria em poucos segundos.

Era como se o próprio fluxo estivesse vivo, resistindo à magia de gelo enquanto rugia.

"Nesse caso, isso não parece ser um fenômeno natural."

"Concordo. Parece que essa situação está nos encurralando de propósito, como se alguém estivesse tentando nos empurrar para uma armadilha."

Assim como no incidente da ponte suspensa, era difícil acreditar que aquilo fosse um evento natural.

A essa altura, voltar atrás em busca de outra rota parecia uma escolha imprudente.

A estrada de volta para a fortaleza já havia desaparecido — ou desapareceria em breve.

(Não há saída daqui... bem, não, não é que não haja saída nenhuma.)

Não havia tempo para ser exigente quanto à descida — na verdade, talvez nunca tivesse havido.

"Lembro-me de outro caminho."

"Outro caminho... Ainda podemos descer por ele?"

"Sim. Sem dúvida."

Era um caminho oculto que Ren conhecia.

A questão era se aquele lugar sequer existia neste mundo.

Além disso, havia a ameaça constante da Gárgula Devoradora de Aço e o ambiente perigoso ao redor desse mapa oculto, o que o fizera evitar essa rota no passado.

"É um caminho perigoso, com monstros de nível D. Se não conseguirmos chegar até lá, talvez seja melhor voltar para a fortaleza e esperar."

"Não."

Fiona abriu um sorriso agridoce.

"Você deve entender, aventureiro. Não podemos mais esperar por ajuda externa."

Mesmo que as pessoas que se separaram deles na ponte suspensa estivessem vivas e tivessem chegado em segurança, provavelmente já teriam terminado a descida.

Depois disso, talvez buscassem reforços — ou talvez cavaleiros e aventureiros recém-chegados já estivessem a caminho para ajudar Ren e Fiona.

Mas isso era impossível.

Se não cruzassem a ponte suspensa, a única forma de chegar à fortaleza seria pelo desfiladeiro.

Mas atravessar aquele cânion profundo não era realista, e os fluxos de lava continuavam a se intensificar.

(Dito isso, também não podemos contar com ajuda vinda de outro caminho.)

Se houvesse socorro possível por essas rotas, Ren e Fiona já teriam descido por conta própria.

Diante disso, esperar ajuda só levaria a um fim em que a lava lhes tiraria a vida.

"Precisamos ir. Mesmo que seja perigoso, a única maneira de sobreviver é seguir o caminho que conhecemos."

Se, ao esperarem, acabassem engolidos pela lava, então não lhes restaria escolha senão avançar, mesmo conscientes do perigo.