Suros explodiram por toda a capital. Moradores fugiram freneticamente das zonas de perigo e Finley se viu presa no caos.
Ela carregava uma sacola de compras na mão esquerda que continha algumas roupas e acessórios novos que havia comprado antes.
Jenna agarrou sua mão direita e a arrastou atrás dela.
“Corra Finley!”
“Jen, espere!”
Sim. Finley não pôde ser encontrada em nenhum lugar da escola por uma razão simples: ela tinha ido para a capital com Jenna para brincar.
Quando Finley ouviu o som de tiros em uma rua distante, ela reflexivamente abaixou a cabeça.
“O que está acontecendo? Ei, Jen!”
“O inferno se eu sei!” Jenna retrucou, em pânico demais com a emergência atual para usar palavras mais gentis.
“Mas posso te dizer uma coisa, não vamos ficar aqui para descobrir.”
Normalmente, Finley já estaria de volta ao dormitório estudantil, mas ela ficou fora e quebrou o toque de recolher devido ao convite de Jenna.
Elas estavam aproveitando o dia juntas quando toda a loucura começou. Ambas as meninas foram pegas de surpresa pela violência repentina, mas assim que perceberam que a briga havia estourado pela cidade, tentaram escapar às pressas.
“Parece que algo está acontecendo na academia também” disse Finley.
“Eu vi uma aeronave lá, havia Armaduras lutando acima da capital.”
Enquanto as irmãs estavam ansiosas para se abrigar, não tinham ideia de onde poderiam fazer isso de forma viável. Jenna não parou para pensar nisso, nem arriscou olhar para Finley.
Ela olhou para frente enquanto gritava:
"Chega de tagarelice! Mexa as pernas! A ajuda virá eventualmente. Nicks e Leon estão aqui.”
Apesar de sua constante zombaria por seu irmão mais velho e mais novo, suas palavras indicavam que ela estava confiando neles.
Finley, em comparação, tinha vivido em casa a vida inteira antes de vir para a academia pela primeira vez. Ela estava cética de que seus irmãos poderiam ser contados em uma situação como essa.
“Você acha que podemos deixar isso para eles?” ela perguntou.
“Você tem certeza?”
Jenna puxou Finley para um beco e pressionou seu corpo contra a parede, lutando para acalmar sua respiração.
Toda a corrida a havia esgotado.
"Você realmente é uma idiota" ela conseguiu dizer entre respirações ofegantes.
Finley bufou e bufou enquanto enxugava o suor do próprio rosto.
"Quem você está chamando de idiota? A culpa é sua de estarmos nessa confusão! Tentei voltar mais cedo, mas nããão! 'Não há mal nenhum em quebrar o toque de recolher', você disse, e continuou me arrastando para lugares!"
Se Jenna não a tivesse incitado a ficar fora até mais tarde, ela estava confiante de que estaria segura na academia.
Jenna sabia no fundo que era a culpada, mas a ânsia de Finley em colocar toda a culpa nos pés dela azedou seu temperamento.
“Você estava totalmente a bordo! Você disse que queria ir a um restaurante chique e, quando fomos, você pediu metade do menu. Lembra?”
As duas começaram a discutir seriamente quando um homem apareceu das profundezas do beco.
Ele tinha uma arma.
No segundo em que o avistaram, as irmãs ficaram boquiabertas — em parte por medo, mas principalmente porque o reconheceram.
O homem estava vestido com o uniforme de trabalho habitual dos funcionários da academia.
Ele apontou a arma para as duas e disse:
"Acho que tive sorte, afinal. Vocês vão vir em silêncio... ou então."
Jenna se colocou na frente de Finley, carrancuda.
“Rutart… você estava Aqui na capital o tempo todo?”
“Não use esse tom camarada comigo! Se as coisas fossem como deveriam ser, eu seria um barão... não, um marquês agora!”
Sua maneira implicava que ele se achava capaz de todas as conquistas de Leon, se ao menos não tivesse tido a oportunidade roubada dele.
“Você um marquês? Muito irrealista, não acha?”
Finley retrucou sem rodeios de onde estava escondida na sombra da irmã mais velha.
“Idiota” Jenna retrucou, nervosa.
“Não o irrite—”
Antes que ela pudesse terminar, Rutart puxou o gatilho. Um estalo seco ecoou ao redor deles. Uma fração de segundo depois, Jenna caiu no chão.
“Jen?!” Finley gritou.
Jenna agarrou sua coxa direita.
Apesar do que devia ser uma dor excruciante, ela sibilou,
“Idiota. Isso definitivamente vai deixar uma cicatriz.”
“Jen, v-você está machucada!”
“É só um arranhão” insistiu Jenna, mesmo com o sangue jorrando do ferimento.
Felizmente, a bala não estava alojada em sua perna, mas isso era um consolo frio. Ela tinha perfurado completamente — um ferimento significativo por qualquer métrica.
O rosto de pôquer de Rutart se manteve firme enquanto ele avançava.
“Conheça seu lugar. Vocês duas não estão nem perto do meu nível.”
Ele havia caído em desgraça como sua mãe, mas ele manteve seu orgulho detestável.
“Vocês serão meus reféns para usar contra Leon. Se vocês não querem morrer, então mantenham suas bocas fechadas e façam o que eu mandar.”
***
As duas garotas foram guiadas de volta ao esconderijo das Damas da Floresta. Estava praticamente deserto agora que a representante e seus lacaios tinham desocupado o lugar.
As mãos das duas irmãs estavam amarradas atrás das costas e um pano estava preso em volta da perna machucada de Jenna.
De onde estavam deitadas no chão frio e duro, elas ouviram as vozes de três pessoas discutindo. Três pessoas com quem Finley e Jenna — não, toda a família Bartfort — tinham laços amargos.
Uma voz pertencia a Zola, que agora usava trapos imundos em vez de vestidos vistosos. Seu cabelo e pele estavam uma bagunça, fazendo-a parecer muito mais velha do que sua idade real.
Suas mãos estavam escondidas por um par de luvas pretas.
“Por que essas são as duas que você trouxe de volta com você?”
Zola gritou, confusa e furiosa com a situação delas.
“Onde está a princesa? Voltei depois de pegar o item que me foi pedido apenas para descobrir que as outras mulheres tinham desaparecido. A representante também! Não tenho mais ideia do que está acontecendo! Explique!”
Outra voz veio de Merce, que estava tão ostensivamente vestida como sempre. A principal diferença era o uso de maquiagem berrante que se destacava até mesmo na escuridão da noite.
Ela havia emagrecido nos poucos desde que a viram pela última vez, sugerindo que ela havia passado por muitas dificuldades.
“Você é completamente inútil! Você teve sua escolha de nobres damas e civis para usar como reféns! Havia até uma princesa de um governo estrangeiro presente na academia. Por que você não nos trouxe alguém de valor?”
Rutart se encolheu quando as duas mulheres o atacaram furiosamente.
"Eu-eu gostaria de ter trazido alguém de status mais respeitável também, sabe! M-mas Sua Alteza e aqueles outros corpos nobres apareceram de repente do nada e eu não tive escolha a não ser correr. Acontece que encontrei essas duas no meu caminho de volta, então os trouxe como reféns."
A atitude que ele mostrou a Finley e Jenna não estava em lugar nenhum, substituída pela de um covarde chorão, um produto de ser constantemente mandado por sua família.
Rutart olhou para Finley e Jenna.
Zola e Merce seguiram seu olhar.
Para sua frustração, Finley só conseguiu olhar feio de volta.
‘Eu deveria ter obedecido ao toque de recolher como Leon disse’
Se ela tivesse retornado apenas quando deveria, nunca teria sido capturada e Jenna nunca teria sido ferida assim.
“Desculpe Finley” Jenna conseguiu lidar com a dor.
“Isso só aconteceu porque eu te deixei fora até tarde.”
“Estou mais preocupado com sua perna. Você está bem?”
“Isso não é nada.”
A careta de Jenna contou outra história. Finley percebeu agora o quão descuidada ela tinha sido. Ela se arrependeu de ter antagonizado Rutart.
Merce correu até as duas, tendo ouvido a conversa delas.
"Vocês têm reclamado muito por causa de um ferimento leve."
Ela bateu o pé na cabeça de Finley.
"Olhar para vocês me irrita. Vocês nem são aristocratas de verdade, estão vivendo das sobras que deixamos para vocês!"
Ela cravou o calcanhar na cabeça de Finley, desabafando sua frustração com as circunstâncias atuais.
“Nós somos os únicos de sangue nobre verdadeiro! Então por que vocês continuam sendo vistos como membros de alto escalão da sociedade enquanto somos tratados como ralé comum?! Fui forçada a usar essas roupas ridículas e sair com um homem de quem nem gosto só para poder sobreviver! Tudo por sua causa! Marque minhas palavras, você vai pagar por todo o meu sofrimento.”
“I-isso dói!” Finley gritou.
Merce levantou o pé.
Então ela o abaixou, pisando cabeça repetidamente. Quanto mais ela fazia isso, mais raiva Finley podia sentir fervendo dentro dela.
‘Não, marque minhas palavras’ ela pensou.
‘Não vou esquecer isso e terei minha vingança, não importa o que aconteça.’
Longe de tremer de medo, Finley alimentou sua raiva e convicção.
De repente, ela sentiu um corpo diferente cobrindo o seu.
“Jen?!” Finley arfou.
Jenna colocou seu corpo sobre o de Finley para proteger sua irmã mais nova.
A exibição enfureceu Merce, que preferiu bater o pé em Jenna.
“Mostrando o quão lindo é o seu vínculo de irmãs? Nenhuma de vocês tem valor algum! Já posso prever Leon abandonando você. Vou atormentá-la até a morte, aqui mesmo, agora mesmo!”
Finley realmente compartilhava dessa opinião.
Ela e Jenna brigavam constantemente com Leon e ele sempre era extremamente frio com elas.
Se Colin estivesse em perigo, Leon correria para ajudá-lo sem questionar, mas ela duvidava que ele faria o mesmo por ela e Jenna.
‘Aquele grande idiota pode realmente me abandonar. Droga. Acho que eu deveria ter puxado o saco um pouco mais.’
‘Talvez então eu pudesse salvar Jen...’
Os pensamentos de Finley foram para Jenna, que a protegeu da ira de Merce.
Zola observou a tortura se desenrolar com um sorriso zombeteiro.
“Merce, não me importo que você as maltrate, mas não as mate. Inúteis ou não, podemos encontrar alguma utilidade para elas. Entendido?”
Merce respirava fundo, tendo se exaurido.
Seus lábios se curvaram em um sorriso sádico.
“Você tem razão, mãe. Mas, contanto que eu não os mate, posso espancá-los o quanto quiser. Não é mesmo?” Ela mal terminou a frase antes de enfiar o pé no estômago de Jenna.
“Hngh!” Jenna gemeu de agonia.
“J-Jen?!”
Rutart começou a bater palmas.
“Um show excelente.” Ele usava um sorriso igualmente desprezível.
Finley fervia com raiva mal contida.
‘Juro que, se for a última coisa que eu fizer, mostrarei a cada um de vocês o que as palavras "inferno vivo" realmente significam.’
***
Relatórios choveram na sala de estratégia sobre a subjugação ou neutralização dos esconderijos de nossos inimigos.
Cavaleiros entraram um após o outro para entregar notícias antes de partir, apenas para o ciclo se repetir meros momentos depois.
No entanto, longe da resolução sombria que se poderia esperar que os cavaleiros expressassem, cada um deles parecia satisfeito em nos trazer essas boas novas.
“Todos os elementos radicais na parte norte da capital foram capturados! Einhorn está se movendo para a área leste e deixando as tropas lá!”
“O esquadrão de airbike capturou um grupo tentando fugir! Eles já conduziram uma investigação, durante a qual os criminosos confessaram ter laços com Rachel.”
“Boas notícias chegaram da área ocidental! Nossos homens capturaram com sucesso um grupo de antigos aristocratas!”
A cada relato, outro ponto no mapa indicando a localização do nosso inimigo desaparecia, um após o outro.
Os olhos de todos estavam fixos em mim.
“Tudo bem” eu disse, “então onde devemos mirar em seguida?”
‘Qual local seria mais eficiente?’
Julius, que estava ao meu lado, apontou para o mapa.
“Há uma torre velha localizada aqui. Seria bem problemático para nós se eles se barricassem aqui. Devemos atacar antes das massas inimigas de lá.”
“Ah, aquele lugar? Eu já o vi algumas vezes.”
Eu não tinha pensado muito nisso.
Era um velho e decrépito naufrágio.
“Antes da expansão da capital, vigias ficavam ali, mas agora é usado como um armazém” explicou Julius.
“Até o interior é feito para a batalha. Ele provará ser uma fortaleza desagradável para se enfrentar, se chegar a isso.”
“Nesse caso, não podemos enviar Armaduras. Acho que deveríamos mandar Greg e seus homens entrarem.”
Julius tinha mais conhecimento do que eu sobre a capital e sua história, então o tratei como um conselheiro e baseei meu próximo passo em seus conselhos.
“Eu ordenei que Greg fosse para o próximo local, mas ele pediu mais munição” Luxion disse.
“Eu o farei seguir esta rota para reabastecer, embora não seja a mais curta.”
Ele destacou a rota no mapa, nos mostrando como Greg e seu esquadrão se encontrariam com a unidade de reabastecimento antes que ele fosse para a torre.
Não vendo razão para discordar, eu assenti.
“Então Jilk e seus caras deveriam fazer o mesmo.”
“Vamos enviar Einhorn.”
Luxion e eu finalizamos nossas decisões enquanto a Srta. Mylene observava, suas mãos cerradas em punhos.
Nós tínhamos experimentado uma enxurrada de boas notícias, rebaixando a situação da emergência séria que ela já tinha sido.
Isso tinha dado a ela motivos para sorrir mais, mas sua ansiedade persistia.
“Qual é o problema?” perguntei.
“Nada. Fiquei impressionada com o quão incrível seu Item Perdido é. Faz sentido para mim agora como você realizou seus feitos na República Alzer. Meus sentimentos vão além de simples admiração, na verdade... Acho quase assustador.” Ela deu um sorriso forçado.
Ela realmente parecia com medo de Luxion.
Eu entendi por que ela poderia vê-lo como uma ameaça, dado o quão capaz ele havia se provado. Qualquer um ficaria assustado diante disso.
“Está tudo bem, Srta. Mylene.”
“Hm?”
“Luxion pode ser assustador, mas ele obedece às minhas ordens. Eu nunca o deixaria fazer qualquer coisa para te machucar.” Eu sorri para ela.
“Oh, Marquês… não, Leon…” O alívio tomou conta dela, suas bochechas ficaram vermelhas.
Ao meu lado, Julius estava zombando.
“Leon, se você quer dar em cima da minha mãe desse jeito, você poderia pelo menos não fazer isso na minha frente?”
“Eu não estou dando em cima dela. Eu estava tranquilizando-a.”
“Claro. Eu me pergunto se pareceu assim para todos os outros na sala.”
A seu pedido, olhei ao redor.
Todos os outros presentes evitaram meus olhos, aparentemente duvidando que minhas motivações fossem puras. Enquanto isso, o Ministro Bernard ficou mais chocado ao ver a Srta. Mylene corando.
“Eu só a vi fazer essa cara com você, Marquês Bartfort.”
“Isso sim é um elogio!”
Sentindo que eu estava me precipitando, Luxion me repreendeu.
“Eu o aconselharia a considerar o tempo e o lugar em que você expressa sua alegria. Angélica está presente.”
“Ah, droga.”
Eu vacilei e lentamente virei meu olhar para Angie.
Se ela visse tudo isso, ela provavelmente me agarraria pelos cabelos e me arrastaria novamente, figurativa e literalmente. Olhando para ela eu podia avaliar para qual tipo de punição me preparar, mas para meu alívio ela estava presa em uma conversa séria com a Srta. Deirdre e a Srta. Clarice e aparentemente não tinha ouvido uma única palavra da minha troca com a Srta. Mylene.
“Ufa, tive sorte.”
Julius balançou a cabeça.
“Você é outra coisa. Em notícias mais agradáveis… no ritmo em que estamos indo, parece que os tumultos logo acabarão.”
Voltei minha atenção para o mapa.
“Você já encontrou Jenna e Finley?”
Finley não estava em lugar nenhum quando saímos da academia para nos refugiar no palácio.
As outras alunas alegaram que Jenna tinha ido à cidade para se divertir e que, mesmo depois do toque de recolher ter passado, ela ainda não havia retornado.
Hoje era o pior dia que ela poderia ter escolhido para quebrar o toque de recolher.
Aquela garota teve a pior sorte.
“Estou procurando por eles enquanto falamos” disse Luxion.
“Bem, andem logo!”
Eu me sentiria péssimo se qualquer uma delas morresse em todo esse caos e minha família ficaria devastada.
***
Angie estava de pé perto da janela na sala de estratégia. Enquanto olhava para a capital, ela pensou consigo mesma:
‘Esses tumultos foram tão mal concebidos que dificilmente parecem valer o esforço.’
Os antigos aristocratas que tinham tramado essa suposta revolta tinham sido imprudentes e míopes.
Era óbvio para ela que o governo estava perfeitamente capaz de acabar com essas organizações sem a intervenção de Leon. Ela tinha problemas maiores em mente.
Deirdre se aproximou dela e sussurrou:
“Minha irmã mais velha capturou os homens de Rachel. Eles parecem profundamente ressentidos com o marquês. Aparentemente, o 'Cavaleiro Lixo' foi reconhecido como um inimigo do estado no Reino Sagrado. Também recuperamos provas de que eles tiveram uma mão nos bastidores para orquestrar essa bagunça atual na capital. Certifique-se de comunicar tudo isso ao marquês.”
“Meu povo capturou um grupo que se autodenominam 'Damas da Floresta'”, disse Clarice.
“Parece que elas têm rancor de Leon também. Podemos entregá-las a você se quiser.”
Em vez de repassar as informações que chegavam por suas casas diretamente para o palácio, eles escolheram confiar essas informações e a decisão do que fazer com elas a Angie.
Angie não gostou de ser tratada como sua intermediária.
“Vocês deveriam contar tudo isso para as autoridades do palácio, não para mim” ela as alertou.
Sua voz era firme, como se ela estivesse oferecendo uma refutação sensata.
As duas mulheres trocaram olhares antes de sorrirem levemente, como se dissessem: ‘Por favor, quem vocês acham que estão enganando?’ Elas viram direto através do engano de Angie.
Clarice lançou um breve olhar para o pai.
“Não faz sentido tentar nos enganar, Angelica. O ducado está se recusando a oferecer ajuda ao exército porque eles já deram as costas para a família real, certo?”
Sua voz estava baixa, o suficiente para que ninguém além deles pudesse ouvir.
Angie a encarou com um olhar.
“Essa não é uma conversa que deveríamos ter aqui.”
As reclamações dela não dissuadiram Deirdre.
“É óbvio quem será o vencedor. Dê uma boa olhada no marquês. Ele está comandando as tropas do reino com uma precisão assustadora, não é?”
Leon estava de fato assumindo o comando, embora parecesse tão desinteressado nessa missão quanto em tudo.
Mais urgente era o que resultaria dessa situação.
Deirdre estava certa — Leon era muito preciso em seu comando, para espanto e terror daqueles ao seu redor.
E as informações sobre seus sucessos atuais chegaram em tempo real.
Até Angie ficou chocada com a facilidade com que eles conseguiam acompanhar eventos externos de dentro da sala de estratégia assim.
O exército gastou uma quantia significativa de dinheiro para obter informações confiáveis o mais rápido possível. Eles sabiam o valor de ter essa informação cedo.
No entanto, apesar de todos os seus esforços e orçamento considerável, ainda era impossível ter informações precisas imediatamente.
Luxion — e por extensão, Leon — tornou o impossível possível.
Todos na sala foram forçados a admitir sua confiabilidade a esse respeito... embora muitos o achassem temível por causa disso.
Deirdre se inclinou e sussurrou no ouvido de Angie.
“Não se preocupe, Angelica. Mesmo que isso aconteça em batalha, não há como perdermos.”
Leon não teve problemas em assumir o controle da situação, mesmo que a capital estivesse longe de seu território natal.
Clarice acrescentou:
“Eventualmente, vai haver guerra, gostemos ou não. A família real não pode deixar as coisas do jeito que estão agora e eles sabem disso. O marquês causa medo em seus corações porque eles sabem que ele pode derrubá-los a qualquer momento e assumir seu manto.”
A aeronave da família real já foi o trunfo do Reino de Holfort, mas foi perdida durante a batalha contra o antigo Principado de Fanoss.
Leon e seu Item Perdido se tornaram uma ameaça à família real em sua ausência. A demonstração aberta de medo de Mylene veio da percepção de Luxion como uma responsabilidade genuína.
Angie ficou exasperada com Leon por não perceber isso.
‘Tolo’ ela pensou.
‘Leve as coisas a sério se quiser, mas não mostre a eles todas as cartas na sua mão’
Desde que ele revelou a verdadeira forma de Luxion na República Alzer, Angie sentiu que Leon tinha se tornado um pouco complacente demais.
‘Um pouco tarde agora para pedir que ele exerça prudência, eu suponho, mas eu queria que ele ao menos me consultasse antes...’
Enquanto ela olhava para Leon, Clarice e Deirdre também o faziam.
Suas expressões endureceram.
Deirdre desviou o olhar.
“Bem, se há alguma preocupação, seria Sua Majestade.”
“Ele parece ter uma ótima relação com ela” comentou Clarice, lançando um olhar frio para Leon.
Elas observaram enquanto Leon tentava amenizar os medos de Mylene. Estava claro como o dia para todas as três garotas que ele estava flertando com ela e nenhuma delas gostou, Angie muito menos.
Angie fechou os olhos.
“A lealdade de Leon para com ela é preocupante” ela admitiu amargamente.
‘Em vez de fazer um movimento imprudente em Sua Majestade, ele poderia usar essa energia pensando em seu futuro. Vou ter que dar um sermão nele mais tarde.’
Era difícil não ficar chateada com o quão calorosamente Leon confortou a rainha, mas as palavras saíram da língua de Leon tão suavemente que ela presumiu que ele não estava falando sério sobre elas.
Angie tinha aprendido a entender a personalidade confusa de Leon ao longo do tempo.
“Quase quero elogiá-lo por ter a audácia de flertar nessa situação” disse Deirdre sarcasticamente.
“Principalmente porque sua audácia é a única coisa que vale a pena elogiar no momento.”
Clarice franziu a testa e colocou uma mão no quadril.
“Isso confirma. Nossa única preocupação real é a rainha.”
Angie desviou os olhos de Leon para encarar solenemente as duas mulheres diante dela. O problema será o que acontecerá depois que chegarmos ao fundo dessa situação atual.
Sua ansiedade sobre o futuro pesava muito na boca do estômago, mas ela tinha pouco tempo para se concentrar nisso, toda a atmosfera na sala mudou abruptamente.
Leon estava calmo até explodir de raiva e atrair a atenção de todos.
“Luxion, tente me contar isso de novo.” Sua voz era baixa, mas a raiva transparecia.
Ele olhou diretamente para seu companheiro robô.
“Suas irmãs foram tomadas como reféns. Os culpados são remanescentes das Damas da Floresta — Zola e seus filhos, Rutart e Merce.”
“Estou indo” insistiu Leon, disposto a abandonar seu dever de comandante-chefe.
O tumulto começou, mas pela expressão no rosto de Leon, Angie já supôs que tentar pará-lo era um esforço inútil. Os outros presentes não estavam cientes de sua teimosia e tentaram mesmo assim.
“Marquês, você deve ficar aqui! Se você fosse embora, seria um caos!”
“Meu dever aqui já foi cumprido e você sabe disso. Só falta a limpeza” Leon insistiu.
“Sim, mas essa limpeza também requer suas ordens…”
“Eu darei ordens quando retornar. Ou se isso não for suficiente, eu as darei enquanto estiver fora.”
As pessoas se aglomeraram ao redor de Leon, todas tentando persuadi-lo a não seguir seu curso determinado.
Angie suspirou gentilmente e deu um passo à frente.
“Deixe-o ir.” Todos, Leon incluído, congelaram ao olhar para ela.
Ela colocou a mão no quadril e disse:
"Se você vai ser egoísta e fazer o que quer, então é melhor assumir a responsabilidade por suas ações."
“Angie…”
Ele olhou para ela, incrédulo, como se esperasse que ela fosse um dos muitos obstáculos em seu caminho.
Angie deu um grande sorriso para ele.
“Apresse-se e vá fazer suas coisas para poder voltar aqui.”
"Estarei de volta antes que você perceba" ele prometeu antes de sair correndo da sala com Luxion a tiracolo.
Assim que ele se foi, Mylene se aproximou de Angie.
“Você parece depositar uma grande quantidade de confiança nele, mas isso... você tomou a decisão errada.”
“Eu concordo com você Majestade, mas Leon tem uma história com essas pessoas. Ele está indo lá para salvar sua família.”
Mylene suspirou de frustração e se virou para olhar para a porta pela qual Leon havia desaparecido.
“Eu tinha tudo errado sobre ele.”
"O que você quer dizer?"
“Eu o achava forte e adaptável em qualquer situação, mas no fundo, ele é meio desajeitado em lidar com as coisas.” Mylene falou com um sorriso triste no rosto.
“Pobre garoto. Angie, você precisa estar lá para ele e apoiá-lo.” Tendo dito sua parte, ela se afastou.
‘Pobre garoto?’ Angie achou esse comentário um pouco estranho, mas ela conseguia entender por que Mylene poderia pensar isso de Leon.
‘Acho que é verdade’
‘Essa não é a situação que Leon desejava de jeito nenhum.’
***
Assim que saí da sala de estratégia, encontrei o príncipe Jake e Oscar perambulando no corredor por razões desconhecidas. O príncipe Jake tinha Eri com ele. Todos pareciam estar esperando por mim.
Oscar se aproximou no momento em que me viu.
“Marquês! Você ainda não localizou a Srta. Finley?!”
“Calma. Estou indo salvá-la agora.”
O jeito que ele se preocupava com ela me fez sentir em conflito. Não era que eu quisesse me intrometer na vida amorosa da minha irmã, mas esse cara deveria ser um dos interesses amorosos do jogo.
Eu sabia que era egoísmo da minha parte, mas se possível, preferiria que ele ficasse com a Mia.
“Leve-me também!” Oscar exigiu.
“Não. Você fica aí.”
“M-mas…”
Vendo o quão ansioso ele estava para correr em seu auxílio, perguntei francamente:
"Diga-me, como você se sente sobre Finley? Quero dizer, se você está tão ansioso para sair do seu caminho para salvá-la, eu já posso imaginar que você gosta dela."
Oscar deu um sorriso forçado.
“Eu mesmo não tenho muita certeza. Sei que a acho agradável, isso é certo. Acho que a vejo como uma irmã mais velha atenciosa.”
“Irmã mais velha?! Finley?!” Eu fiquei boquiaberto.
“Bartfort, eu também vou” interrompeu o Príncipe Jake.
“Hein?”
“Sou mais capaz que meu irmão mais velho. Vou te mostrar o quanto posso ser útil.”
Sua bravata foi minada pela forma como seu olhar vagou para a garota parada atrás dele. Ele estava naquela idade em que os meninos gostavam de se exibir para as garotas de quem gostavam, então não era de se surpreender.
‘Se antes não estava claro que esses dois são irmãos, agora com certeza está.’
‘Os dois dizem coisas que me fazem querer gritar: "Você está louco?!"’
“Por que você acha que eu sairia do meu caminho para trazer um príncipe junto? Deveria ser um dado adquirido que você vai ficar. Vá ajudar Julius.”
Indignado, o Príncipe Jake gaguejou:
“C-como ousa… Você sabe que eu sou—”
"Você está no caminho Alteza" interrompeu Oscar, empurrando-o fisicamente para o lado.
“Oscar?! Eu sou um príncipe! E você deveria ser meu irmão adotivo, lembra?!” Príncipe Jake gritou para ele de onde ele tinha caído no chão.
Oscar o ignorou. Seus olhos estavam fixos nos meus.
“Por favor, eu imploro! Permita-me ir com você. Eu não vou atrasa-lo. Por favor!” Ele abaixou a cabeça.
“Estou desperdiçando um tempo valioso aqui. Tudo bem, venha, mas se você ficar no meu caminho, eu vou te chutar para o meio-fio. Literalmente.”
Seu rosto se iluminou instantaneamente com minha aprovação.
O rosto de Jake caiu.
“Príncipe Jake, devemos manter um perfil discreto aqui no palácio” Eri sugeriu, tentando acalmá-lo.
“Você tem muita coragem, Bartfort…” ele sibilou baixinho.
O príncipe Jake parecia ressentir-se de mim por minha decisão, mas eu seria o único em apuros se concordasse em levá-lo comigo. Tanto ele quanto Julius eram verdadeiros espinhos no meu lado.
‘Acho que é o sangue de Roland correndo nas veias deles, não é?’
***
“Jen, abra os olhos!”
De volta ao esconderijo das Damas da Floresta, Jenna estava coberta de arranhões e hematomas após suportar o abuso de Merce. Ela havia perdido a consciência há muito tempo e sua respiração havia se tornado superficial.
Lágrimas escorriam pelas bochechas de Finley.
Os ferimentos de Jenna vieram de protege-la com seu corpo.
Merce gargalhou, segurando um pedaço de pau quebrado na mão. Ela tinha batido em Jenna até que ele se partiu em dois pedaços.
Ela jogou o galho agora inútil para o lado.
"Qual é o problema? Você precisa gritar por mim um pouco mais, senão não vai ser nada divertido!" ela zombou.
Rutart estava bem ao lado dela, juntando-se a ela e pisoteando Jenna. Eles estavam desabafando sua insatisfação com sua atual sorte na vida usando Jenna como seu saco de pancadas, ou saco de chutes, neste caso.
“Ela vai morrer se continuarmos assim” ele observou,
“mas quem se importa, desde que uma delas sobreviva, certo?”
Os dois irmãos pareciam emocionalmente entorpecidos, como se nem eles percebessem completamente o que estavam fazendo.
Talvez não se importassem.
A mãe deles, Zola, observava distraidamente de uma cadeira próxima. Seus pensamentos estavam preocupados com fantasias de vingança.
“Isso parece agradável para mim. Mostrar a Balcus o corpo de sua filha morta deve servir como um chamado para ele acordar. Ele aprenderá da maneira mais difícil que nunca deveria ter me desafiado.”
Exausto de distribuir abusos, Merce se jogou fisicamente em uma caixa de madeira.
“Se nosso plano der certo, seremos aristocratas de verdade mais uma vez. Desta vez, faremos vocês, Bartforts, labutarem como escravos para nós. Vocês viverão uma existência miserável sob nosso polegar.”
Os rostos de Zola e sua ninhada brilharam com sorrisos triunfantes.
‘Eles são monstros.’
A mente de Finley vagou de volta à sua infância.
Pensando bem, eles sempre foram pessoas terríveis.
***
Zola e seus filhos raramente apareciam na propriedade da família Bartfort, mas naquele dia em particular ela havia retornado para agredir Balcus com reclamações. A porta da sala de estar havia sido deixada entreaberta para que Finley pudesse ver seus pais através dela; Balcus e Luce ficaram parados enquanto Zola lançava insultos verbais contra os dois.
“Qual é o significado disto? Por que minha mesada foi reduzida?! Isso é uma violação do nosso contrato. Completamente inaceitável. Um barão atrasado como você não pode nem mesmo cumprir a menor das suas promessas?”
Ela veio até aqui para protestar contra a redução de seus fundos, mas havia um bom motivo para isso.
Envergonhado, Balcus disse:
“M-minhas desculpas, Zola. Estamos tentando o nosso melhor, juramos, mas depois do desastre deste ano, simplesmente não temos dinheiro.”
Um desastre natural que ocorreu no início do ano exigiu fundos para que eles reconstruíssem as áreas afetadas.
Como se as coisas não pudessem ser piores, a colheita deles estava faltando. Não foi uma colheita terrível, mas produziu muito menos lucro do que o normal.
Com poucas outras opções, eles venderam alguns de seus pertences na propriedade para preparar fundos suficientes para enviar Zola.
Finley sabia que sua mãe havia aberto mão das poucas roupas e acessórios que tinha no processo. A casa parecia muito mais vazia do que antes e havia menos comida na mesa também.
Nada disso importava para Zola.
“E daí? O que seu sofrimento tem a ver comigo? Se você não cumprir sua parte do acordo, então tenho a intenção de tomar as coisas em minhas próprias mãos. Devo denunciá-lo ao palácio?”
Balcus abaixou a cabeça. Ele sentiu, talvez, que nada de bom viria de ela reclamar com seus superiores.
“P-por favor, qualquer coisa, menos isso!”
O palácio dava a mulheres como Zola um tratamento mais favorável do que seus próprios senhores regionais. Se eles ouvissem sobre esse assunto, concordariam que Balcus estava errado e ainda cobrariam uma multa por sua má conduta. Dependendo da gravidade, eles poderiam até confiscar as terras de um nobre. Balcus não tinha escolha a não ser rastejar.
“Então faça o que for preciso para preparar os fundos corretos. Honestamente, você é um idiota inútil! Me forçando a vir até aqui para lhe dar um sermão.”
Zola estava de mau humor perpétuo e dessa vez ela desabafou todas as suas frustrações na família Bartfort.
Incapaz de assistir seus pais sofrerem mais abusos, Finley se afastou. Enquanto ela fugia pelo corredor, ela se deparou com Rutart e Merce, ambos vestidos com roupas muito mais luxuosas do que Finley e seus irmãos de sangue puro.
“Que feio. Eu detesto esses caipiras do interior” Merce ridicularizou a jovem Finley quando a viu.
Rutart olhou para Finley e deu de ombros.
“Devo concordar. É um milagre que eles consigam sobreviver aqui no meio do nada.”
Supervisionando suas necessidades estava o servo pessoal de Zola, um homem élfico que disse,
"Jovem Senhora, Jovem Mestre? Se for do seu agrado, trouxe alguns lanches para vocês aproveitarem naquela sala ali."
A palavra lanches fez o estômago de Finley roncar em resposta.
O homem élfico pressionou uma mão sobre a boca para cobrir seu sorriso zombeteiro enquanto a encarava de cima a baixo.
“Infelizmente, não há nenhuma para você.” Ele girou nos calcanhares e levou os outros dois embora.
Finley agarrou seu estômago, envergonhada.
“Que pena para você.” Merce riu.
Rutart não parecia muito animado com a perspectiva de lanches.
“Aposto que é o os mesmos de sempre que comemos, certo? Estou farto deles.”
Isso irritou Finley.
Ela e sua família mal conseguiam comer qualquer coisa, então por que Zola e seus filhos estavam comendo lanches além das refeições regulares? A raiva cresceu dentro dela enquanto ela tentava ignorar os protestos desesperados de seu estômago vazio.
***
‘Isso mesmo. Isso sempre me incomodou desde muito tempo atrás. Eles só viviam uma vida tão luxuosa sugando todo o dinheiro que tínhamos.’
Os Bartforts trabalharam e passaram necessidade para fornecer a Zola e seus filhos o estilo de vida extravagante que eles desfrutavam.
Finley há muito tempo achava isso irritante.
As coisas melhoraram um pouco depois que Leon subiu na hierarquia, mas os Bartforts foram forçados a suportar uma vida dura até então. Tudo para que pudessem sustentar Zola e sua prole.
‘Por que eles nos culpam por tudo quando eles são os culpados? Nós somos os que temos um osso para escolher, nós somos os que merecemos guardar rancor.’
Seu ódio por eles cresceu mais e mais forte.
De repente, a porta do esconderijo se abriu com um estrondo barulhento. A voz estrondosa de um garoto ecoou.
“Senhorita Finleeeeey!”
Era Oscar e ele não estava sozinho.
A voz mais familiar do irmão dela logo se juntou à dele.
"Você não deveria gritar assim durante um ataque furtivo!" Leon estalou enquanto avançava.
Quando avistou a arma de Rutart, ele virou o cano do rifle para ele. Em pânico, Rutart tentou mirar sua arma em Leon, mas Leon o ultrapassou.
Uma bala atravessou o braço direito de Rutart.
Ele deixou a arma cair reflexivamente enquanto o sangue jorrava do ferimento. Ele olhou para ela por um momento, atordoado, antes de começar a chorar a plenos pulmões.
"Gaaaah! M-meu braçoooooooo! E-tem sangue!"
Zola e Merce ficaram congeladas no lugar, incapazes de fazer qualquer coisa além de assistir.
Nenhum deles havia processado o que estava acontecendo ainda.
Leon claramente não os considerava uma grande ameaça. Ele correu até Rutart e o atingiu com a coronha de sua arma, derrubando-o no chão.
Leon lançou um olhar furtivo para Jenna e Finley, franziu a testa e bateu o pé no estômago de Rutart com toda a força.
Como se não estivesse satisfeito com isso, ele montou no homem caído e começou a golpeá-lo implacavelmente com a coronha de sua arma.
Não havia nenhuma gota de misericórdia nos golpes de Leon; esta era uma onda de loucura pura e não adulterada.
Jenna não o reconheceu.
“A-alguém…salve…”
“Pare de choramingar idiotamente! Você cavou um buraco fundo para si mesmo e eu vou garantir que você sufoque nele. Você vai sofrer dez vezes mais do que fez com elas.”
Finley observou enquanto Leon continuava a atacar Rutart, mas foi interrompida quando Oscar correu para o seu lado.
"Senhorita Finley, você está bem?!"
“Sr. Oscar…”
Foi uma surpresa bem-vinda que ele tivesse vindo aqui para ajudar a resgatá-la.
Luxion logo pareceu emitir um laser de sua lente que queimou direto através das algemas que prendiam Finley.
“Parece que esse assunto está finalmente concluido” disse ele.
Finley virou seu olhar para Jenna.
“Ei, coisa redonda, por favor… ajude minha irmã!”
“Eu já estava planejando isso, eu lhe asseguro. O Mestre nunca me deixaria ouvir o fim disso de outra forma.” Luxion virou seu olhar para Leon, que se levantou finalmente.
Ele estava ofegante.
O rosto de Rutart estava tão machucado e ensanguentado que era quase irreconhecível. Ele estava vivo, mas havia perdido a consciência.
Leon virou seu rifle em seguida para Zola e Merce.
“Acabou. Desista e venha de boa vontade para que as autoridades possam prendê-los.”
Merce tremeu enquanto brincava:
"V-você deve ser um verdadeiro imbecil. Você chegou muito tarde. Nossa revolução já deveria ter tido sucesso agora. Não somos nós que seremos presos; vocês é que serão!” Não havia dúvidas em sua mente de que o plano de Gabino daria frutos.
Zola apressou-se a concordar.
“Ela está certa! Você não achou que conseguiria escapar dessa viagem de ego para sempre, não é, seu pirralho melequento?! Um homem como você só serve para uma coisa: obedecer e trabalhar a serviço de seus superiores!"
Leon bufou.
A atitude dele fez algo em Zola estalar. Ela começou a gritar com ele.
“Você é um pobre sem qualidades redentoras! Você deveria ter sido nosso escravo, mas você colocou na sua cabeça que merecia algo melhor. Graças a você, o reino inteiro virou de cabeça para baixo! Tudo que deu errado é culpa sua! Você honestamente acreditou que sairia impune depois de levar esta nação para a lama?!”
Ela divagou sem parar até que Leon mudou sua mira para uma caixa de madeira na sala e atirou.
Zola ficou em silêncio.
Leon riu dela.
“Eu estava ficando cansado de todo esse lamento. Deixe-me ver se entendi a essência disso... Você acha que você e os seus são totalmente inocentes, hein? Você acha que o que você fez foi justo. Tratar nossa família como lixo e menosprezar os homens — tudo isso. Cara... Vocês são tão estúpidos.”
Zola cerrou os punhos.
O tecido de suas luvas pretas se esticou audivelmente sob a pressão.
“Como um homem ousa ter tal atitude comigo!”
“Um homem, hein? É, acho que agora, os homens têm a melhor sorte na sociedade. Pode ser uma droga para vocês, mas para mim? Tenho que dizer, é bem fofo!”
“S-seu teimoso canalha!”
Leon estava agindo de forma arrogante de propósito para irritá-la. Quando ele fez isso, o sorriso desapareceu de seu rosto, substituído por uma determinação sombria.
“Estou falando sério. Você é muito estúpida para palavras. Você só chegou onde está por causa de suas ações — qualquer um pode ver isso. Você acha que é a vítima aqui? Não me faça rir.”
Sua voz mudou para enfatizar cada palavra do que ele disse em seguida.
“Veja, ser um babaca não tem nada a ver com gênero. Qualquer um pode ser.”
Carrancas profundas se formaram nas sobrancelhas de Zola e Merce. Elas olharam furiosos para Leon, mas seu ódio venenoso passou por ele sem impacto.
“Quem você está chamando de babaca?! Você é, tipo, o rei dos babacas!” Merce gritou.
“A diferença é que eu sei que sou um babaca. Vocês parecem não ter o mesmo nível de autoconsciência, o que as torna muito piores do que eu.” Leon zombou deles.
“Holfort já foi um reino justo que respeitava as mulheres!” Zola disse.
“Se ao menos você não tivesse—”
“Não presuma que você terá respeito se não oferecer isso a outras pessoas. E, de qualquer forma, acorde e sinta o cheiro dos papéis de gênero. Nós odiamos vocês. Você tem ideia do quão mal você nos tratou ao longo dos anos? Você realmente quer ficar aqui e agir como se não tivesse culpa?”
As bochechas de Zola ficaram vermelhas de raiva.
“O que você está insinuando?”
“Você não dá a mínima se o que você fez é visto como lícito? Pare um minuto e reflita sobre o que você fez. Suas ações são cruéis e maliciosos para os padrões de qualquer um, homem ou mulher. Enquanto estamos nisso, por que não te dou uma dica... Sabe aquela pequena "revolução" que você mencionou? Bem, nós já suprimimos essa triste desculpa para uma revolta.”
As duas mulheres se recusaram a ouvir uma palavra que Leon tinha a dizer até aquele momento.
No entanto, no momento em que ouviram que a revolução havia fracassado, seu fervor se esvaiu.
Zola apontou um dedo trêmulo para Leon.
“V-você está mentindo.”
“O fato de eu estar aqui agora deveria ser prova mais que suficiente de que não estou. Nós já prendemos seus superiores. Além disso, se vocês fossem habilidosos o suficiente para fazer uma revolução, vocês nunca estariam nessa situação para começar. Aqueles instigadores do Reino Sagrado tocaram uma música para vocês e estavam ansiosos demais para dançar junto com ela.”
Merce caiu de joelhos.
“Então, o que foi todo esse trabalho duro?"
Todo o seu esforço e sofrimento não deram em nada.
Zola e Merce estava consumida pelo desespero. Leon as observava friamente; depois do tormento que ambas as mulheres lhe causaram, ele tinha um osso a escolher com elas.
“Você deveria ter se esforçado mais antes. De qualquer forma, você fez minha família sofrer, então agora você tem que pagar” Leon disse em voz baixa.
Tom ameaçador à parte, parecia que ele pretendia prender os dois, sem planos de espancá-los até virarem polpa como fez com Rutart.
“O quê?” Finley deixou escapar “Você não vai fazer nada com elas?”
Sua sede de vingança não seria saciada apenas por isso.
Leon olhou de volta para Finley.
“Uh, bem, eu não posso exatamente colocar minhas mãos em uma mulher assim.”
“Não podemos deixá-las ir embora algemados assim, não depois do que fizeram com Jen! De jeito nenhum! Olho por olho, sangue por sangue derramado! Gênero não tem nada a ver com isso!”
“F-Finley…? Calma, ok?”
Ela estava aquecida.
Sua respiração vinha em rajadas duras e agressivas.
“Senhorita Finley, você não deve mais se esforçar” disse Oscar.
Quando Finley virou o rosto para ele, ela parecia o diabo encarnado.
“Não consigo ficar sentada quieta depois do que aconteceu com Jen! Você se considera um homem?!”
“E-eu sinto muito.”
Finley desviou o olhar e pisou forte em direção a Merce, que ainda estava caída no chão. Ela agarrou um punhado do cabelo da garota e bateu seu rosto contra o chão.
"Eu farei isso, então! Eu vingarei Jen!"
“P-pare…! Não meu rosto!” Merce gritou, desesperadamente se debatendo para se defender.
Finley bateu o rosto dela no chão várias vezes. Sangue jorrou do nariz de Merce, mas Finley continuou sem dizer uma única palavra. Ela não demonstrou nenhum sinal de misericórdia enquanto se vingava de sua irmã.
“Vou acabar com esse seu rostinho lindo para sempre!”
Nem Leon conseguiu ficar parado enquanto isso acontecia.
“Finley, acalme-se! Por favor, eu imploro!”
Finley soltou Merce quando ela parou de se mover completamente. Ignorando as tentativas do irmão de acalmá-la, seus olhos se voltaram para Zola. As roupas e o rosto de Finley estavam cobertos com o sangue de Merce.
Aterrorizada, Zola se afastou dela.
“Eh!”
“Seu rosto vai parecer uma batata espancada quando eu terminar!”
***
Finley atacou Zola com paixão demoníaca. Um chute voador fingiu uma técnica de travamento de articulações com a intenção de atormentar a mulher mais velha. Assim que Finley viu espuma saindo da boca de Zola, ela começou a gargalhar.
Luxion secretamente pensava que ela era exatamente como ele mesmo.
De sua parte, Leon tentou convencer sua irmã a parar, mas ele não levantou um dedo para fazê-la parar.
“Finley, chega!”
“Dane-se! Você só vai pegar leve com elas porque são mulheres!” ela gritou de volta para ele.
“As inimigas de uma mulher são outras mulheres! E essas mulheres são minhas inimigas!”
Finley estava tão agitada que não se preocupou em ser educada com seu irmão mais velho. Ela estava ocupada demais batendo implacavelmente no rosto de Zola. Assim como Leon tinha feito com Rutart, ela montou em Zola e a esmurrou, seu rosto assustadoramente inexpressivo o tempo todo.
Leon e Oscar ficaram perturbados com o comportamento dela.
“Vocês realmente são parentes de sangue. Eu não deveria estar surpreso” disse Luxion.
Ele voltou seu foco para outro lugar.
Oscar embalou Jenna em seus braços. Quando ela finalmente voltou a si e o viu, ela não tinha ideia de quem ele era. Eles nunca tinham se conhecido antes.
De qualquer forma, ela se encheu de alegria por estar nos braços de um homem lindo.
"Uau, que pedaço. Tipo, estou sonhando ou o quê?" Com seus ferimentos, era incrível que ela tivesse força para dizer essas coisas.
Oscar ficou surpreso.
“Hum, na verdade, meu nome é Oscar Fia Hogan.”
Sua resposta sincera deixou Jenna encantada. Infelizmente, o efeito foi um pouco abafado quando ela se lembrou de quão gravemente ferida estava.
“Oh, como é embaraçoso que você me veja em tal estado, Lorde Oscar!”
Luxion ficou impressionado com o quão forte ela era, lamentando seus ferimentos pela aparência que tinham, não pelo quão dolorosos eram.
“Ouvi dizer que você sofreu esses ferimentos protegendo a Srta. Finley” disse Oscar.
“Não há necessidade de ficar envergonhada. O que você fez foi louvável.”
“Oh, Lorde Oscar! Hum, eu sei que pode ser falta de consideração da minha parte perguntar… mas você está namorando alguém? Ou você está noivo?”
“Huh? Hum, bem, eu…”
Ele parou para olhar para Finley, que ainda estava batendo em Zola sem sentido.
“Não, não estou.”
“Alguma garota chamou sua atenção?!”
“N-não, não especialmente.”
Qualquer interesse que ele tivesse por Finley aparentemente desapareceu depois de a observar enlouquecer.
Um brilho surgiu nos olhos de Jenna. Ela parecia um predador faminto que havia se fixado em sua presa após uma longa fome. O brilho em seus olhos desapareceu quase imediatamente enquanto ela preparava sua persona.
"Oh, Lorde Oscar, eu... eu tenho medo de me sentir muito tonta de repente." Ela jogou os braços ao redor dele.
Um Oscar perturbado gentilmente a segurou em seus braços.
“Você está bem?!”
Luxion observou os dois. Ele refletiu que o que Finley havia dito antes parecia ser bastante preciso.
“Ah. Uma mulher realmente não tem inimigo maior do que outras mulheres.”