Epílogo

Publicado em 08/01/2025

Amanha marcaria o início do novo período letivo.

Eu estava fazendo uma visita à residência dos Raults. Parte disso era para agradecer ao Sr. Albergue por toda a sua assistência, mas eu também queria uma atualização sobre as circunstâncias da família deles.

“Você realmente saiu do seu caminho para trazer um presente?” perguntou o Sr. Albergue surpreso.

“Bem, eu te causei muitos problemas, então é minha maneira de me desculpar.”

“Se desculpar, você diz… Você fez tanto por nós, eu desejo que você não se preocupe com essas coisas.”

Continuamos com uma conversa fiada sem graça até que finalmente perguntei sobre assuntos mais recentes.

“Há um rumor sobre Serge ter sido deserdado. Isso é verdade?”

“Não posso dizer que é completamente infundado.”

“Você está falando sério?”

Parecia que este incidente deixou claro ao Sr. Albergue que Serge realmente detestavam toda a família.

“Eu o tratei como um verdadeiro filho, até onde sei, mas agora me preocupo que só coloquei um fardo indevido sobre ele. Se ele está tão ansioso para se tornar um aventureiro, eu gostaria de deixá-lo seguir seu sonho” explicou o Sr. Albergue.

“Ah, então você não está o rejeitando por estar chateado?”

“Desde o momento em que o acolhemos como nosso filho, tivemos a responsabilidade de cuidar dele. Ele sempre fará parte da nossa família. No entanto, acredito que Louise nunca o reconhecerá como tal.”

Considerando o que eu tinha visto do relacionamento deles no navio, aquelas cercas provavelmente estavam além do conserto. Embora eu tivesse que me perguntar o que tinha causado a ruptura entre eles.

“Leon, por favor, faça uma visita a Louise. Ela está tímida, mas quer te ver.”

A pedido dele, decidi ir vê-la.

***

Quando me encontrei com a Srta. Louise, ela estava toda tímida. Ela também estava coberta de arranhões. Ouvi dizer que ela brigou com Noelle, mas não tinha percebido que tinha sido tão intenso.

“Eu preferiria que você não olhasse tanto para mim” disse a Srta. Louise.

“É constrangedor.”

Ela parecia menos preocupada com o fato de eu ver os ferimentos que ela estava exibindo e mais preocupada com o que eu pensaria dela após seu comportamento vergonhoso durante o incidente do Traje Demoníaco.

“Bem, estou aliviado em ver que você está de bom humor.”

“Sim, mas eu te causei imensos problemas.”

“Não se preocupe. Isso dificilmente se qualifica como problema” eu assegurei a ela.

Considerando tudo o que Marie me fez passar, a definição de problema da Srta. Louise era fofa.

A senhorita Louise estudou meu rosto, como se algo pesasse sobre ela.

“O que foi?” perguntei.

“Leon, hum… Bem, lembra como você respondeu minha pergunta antes? Como é que você sabia a resposta correta?”

“Que pergunta?”

“Lembra? Quando estávamos no Einhorn depois que acordei, você me contou”

"Eu pensei que a resposta era um 'tíquete de resgate'. Eu estava tão confiante de que você não acertaria. Quer dizer, um tíquete de resgate é bem diferente, sabe? É algo que só uma criança inventaria."

Dei de ombros.

“Os homens são crianças no coração.”

Foi, sem dúvida, uma coincidência incrível.

“Pare de tentar minimizar isso! Ei, Leon, só para deixar claro… você tem certeza de que não é meu irmãozinho?”

A senhorita Louise certamente queria que fosse esse o caso, mas eu nasci praticamente na mesma época que seu Leon. Mesmo assumindo que ele reencarnou, não faria sentido do jeito que as coisas estavam. Eu teria que ter menos de dez anos para que isso funcionasse.

“Não” eu disse.

“C-certo. Minhas desculpas. Devo ter deixado minha imaginação levar a melhor.”

“Nós apenas parecemos semelhantes, só isso. Mas eu não sou seu irmãozinho, me desculpe por ter enganado você durante o incidente, no entanto.” Eu abaixei minha cabeça.

A senhorita Louise franziu a testa.

“É melhor você nunca mais fazer isso.”

“Eu nunca mais quero fazer isso. É exaustivo fingir ser outra pessoa."

Eu havia extraído o máximo de informações que pude da Srta. Louise e Sr. Albergue para desempenhar o papel. Isso me fez sentir como uma espécie de vilão. Meu coração ainda doía de culpa.

“Ei, você se importaria se eu colocasse meus braços em volta de você, só uma vez?” perguntou a Srta. Louise.

“Ser abraçado por uma beldade como você é um sonho que se tornou realidade. Vá em frente!”

‘Eita! Primavera!’

Por mais alegre que eu agisse, eu sabia que não era para mim que ela estava olhando. Eu ainda era apenas um substituto para seu irmão.

Enquanto a Srta. Louise me abraçava, ela começou a chorar.

“Sinto muito. Sinto muito. Eu realmente... realmente sinto muito.”

Hesitei, pensando se deveria chamá-la de "Irmã", mas decidi não fazê-lo. Fiquei preocupado em estragar o clima, então era melhor deixá-la pegar meu corpo emprestado em silêncio.

‘Ainda assim, isso não é tão ruim. É bem incrível, na verdade.’

Seu corpo inteiro era tão macio que eu teria começado a sorrir como um pervertido se não tivesse conseguido me conter.

“Leon, sinto muito que sua irmã mais velha continue lhe causando tantos problemas…”

A sinceridade com que a Srta. Louise se desculpou me fez sentir horrível por sequer entreter tais desejos carnais.

Eu estava envergonhado de mim mesma.

‘Ahh, meu coração dói.’

Quando olhei pela janela, avistei Luxion, suas lentes vermelhas fixadas em mim. Eu não podia abandonar a Srta. Louise enquanto ela chorava e dada a situação não ousei levantar minha voz.

Em vez disso, fiz uma careta para ele.

Luxion me estudou, transmitindo uma mensagem que só eu conseguia ouvir.

“Você é um mestre absolutamente sem esperança. Nunca imaginei que você começaria a trair tão rápido. Parece que minhas previsões estavam erradas. Que pena.”

‘Calma! Sério, eu te imploro. Pare aí mesmo!’

***

Lívia observou as chamas engolirem o reino. A capital foi reduzida a ruínas e a paisagem se tornou um mar de fogo. As pessoas desabaram, imóveis.

“O que… é isso?” Lívia olhou, estupefata.

Enormes naves flutuavam no ar. Vários robôs não tripulados, que Luxion frequentemente empregava, estavam dizimando a capital. Eles atacavam e destruíam sem piedade.

Um arrepio de terror percorreu Lívia. Enquanto ela tremia, ela ouviu uma voz familiar.

“Príncipe Julius!” ela suspirou.

Ele estava preso sob os escombros, fazendo caretas de dor. Ela correu para o lado dele e tentou ajudá-lo, mas havia algo estranho nele.

“Lívia, corra.”

"Huh?"

Por que ele a estava chamando pelo apelido? E havia algo diferente em seu ar também.

“Uh, um…”

“Luxion nos traiu! E-ele trouxe seus camaradas e…” Julius engasgou com sangue, incapaz de falar mais.

Livia balançou a cabeça, recusando-se a acreditar nessa afirmação.

“Isso não pode ser verdade. Simplesmente não pode. Lux não iria…”

Ela sentiu que alguém a observava e se virou bruscamente para encontrar Luxion flutuando ali. Vários robôs não tripulados o acompanhavam e eles atiraram vários objetos pesados nela. Levou um momento para ela perceber que eram corpos — especificamente os corpos de outros amigos de Jilk e Julius.

“P-por quê?”

Bastou um olhar para ela perceber que todos estavam mortos. Aterrorizada, ela arriscou outra pergunta.

“Lux, você fez isso?”

Mesmo agora, algo estava errado.

Luxion não respondeu da mesma forma que sempre fazia. Sua voz mecânica estava mais fria do que o normal, fazendo-o soar como uma pessoa completamente diferente.

“Lux? Isso é para ser um apelido para mim? Por que você se incomodaria em usá-lo agora, depois de tudo isso? Não importa. Deixe-me responder sua pergunta: Sim, eu fiz isso. Eu destruí tudo. A vida desses garotos, a capital e o país inteiro.”

“M-mas por quê? Por que você faria algo assim?! O Sr. Leon nunca vai te perdoar por isso. Ele vai ficar tão bravo—tão triste…”

Leon não ficaria quieto e deixaria Luxion escapar dessa, ela tinha certeza. Mas então, onde ele estava…?

“Leon? Sim, acredito que vários estudantes aqui atendem por esse nome, mas eles não têm nenhuma relação com você ou comigo. Você está confusa?”

“Por que você diria isso? Quero dizer, Sr. Leon! Seu mestre, Leon Fou Bartfort!”

“Não consigo recuperar nenhuma informação sobre a pessoa em questão. Quem é ele?”

Luxion não demonstrou reconhecimento de Leon. Pior ainda, ele não parecia acreditar em uma palavra que ela estava dizendo.

“Você é meu mestre. Não, você era meu mestre” Luxion se corrigiu.

“Você provou ser muito útil, então eu vou permitir que você assista enquanto o mundo dos novos humanos cai em ruínas. Espero que você curta o show. Afinal, é o futuro que você desejou.”

“Do que você está falando?” Livia não conseguia acreditar que ela iria querer ver isso. Era um inferno.

“É um pouco tarde para se arrepender agora. Difícil acreditar que a Santa que fez milhares sofrerem duvidaria de si mesma. Ou devo chamá-la de bruxa?”

“V-você está dizendo que eu fiz as pessoas sofrerem? C-como quem?”

“Você derrubou Angelica. Você a perseguiu até a morte. Ela não foi a única, é claro; você aproveitou uma boa contagem de mortes.”

“I-isso não pode ser. Não tem como eu matar Angie.”

“Qual é o problema com você?” Luxion perguntou.

Livia embalou a cabeça entre as mãos.

O que está acontecendo?’

Mas ela não tinha respostas. Ela não sabia — não conseguia entender.

“Você parece estar profundamente confusa. Para esclarecer, é o desejo da Santa que o mundo caia em ruínas. Eu apenas fiz o que você queria. Agora é a minha vez de ter meu desejo concedido.”

Livia balançou a cabeça.

“Você está errada. Eu não sou sua mestra, Lux. Seu mestre é o Sr. Leon. Além disso, você nunca faria algo assim.”

“Você certamente gosta de reescrever a narrativa da forma que lhe convier. Eu sempre, sempre estive desesperado para aniquilar os novos humanos!”

De repente, Ideal apareceu diante deles.

“Luxion, por quanto tempo mais você pretende me fazer esperar?” ele perguntou.

“Aconteceu alguma coisa?”

“Você está demorando muito. Já estamos dez minutos atrasados em relação ao nosso cronograma planejado.”

“Então parece que realmente perdi muito tempo aqui” reconheceu Luxion.

“Vamos ser rápidos sobre isso. Estamos a momentos de completar nosso objetivo, o que finalmente nos permitirá retornar este mundo à sua verdadeira forma.”

Luxion e Ideal falavam como companheiros próximos enquanto voavam juntos pelo céu.

“Espere. Espere um minuto, Lux!” Livia gritou atrás dele.

“Isso não faz sentido algum. O Sr. Leon nunca permitiria isso!”

Luxion demonstrou alguma reação ao nome de Leon, mas ele ainda voou sem parar.

Numerosas aeronaves enormes encheram o céu, iniciando um ataque final à capital enquanto Lívia assistia horrorizada.

***

“Lux, espera!”

Livia se levantou de um pulo, seu coração batendo dolorosamente em seu peito. Ela estava sem fôlego e coberta de suor.

Quando olhou para o lado, encontrou Angie dormindo calmamente.

Assim que percebeu que tudo tinha sido um sonho, ela suspirou de alívio. Por outro lado, tinha sido muito estranho, muito vívido para um simples sonho.

Algo sobre isso parecia tão real, como se ela já tivesse vivenciado isso antes.

“Era realmente esse o futuro que eu esperava? Não pode ser.”

Ao mesmo tempo, enquanto observava Luxion ajudar Ideal a destruir o mundo, ela achou isso... crível.

“Foi só um sonho” ela disse a si mesma.

“Você não pode pensar muito nisso.”

***

De volta à República Alzer, na propriedade de Emile, Lelia estava se arrumando. Ela havia trocado de roupa para seu uniforme escolar e passou a maior parte da manhã reclamando.

“Ainda não consegui falar com Leon e seu povo.”

“Um resultado inevitável, eu temo” disse Ideal.

“Eles têm suas próprias vidas e planos, afinal.”

“Nada tão importante que eles não pudessem arranjar tempo para mim! Eu deveria ser a prioridade máxima deles!”

Já era hora de se sentarem para uma conversa sobre o futuro da república, mas nos dias que antecederam o novo mandato, Leon e Marie estavam se debatendo em pânico. Naturalmente, isso significava que Lelia não conseguiu encontrar a oportunidade de falar com eles.

Enquanto ela verificava novamente o conteúdo de sua bolsa, Lelia perguntou:

“De qualquer forma, você localizou Serge?”

“Ainda estou procurando por ele. Ele parece estar escondido—”

“O quê?! Mas você jurou que conseguiria encontrá-lo rapidamente!”

"Me desculpe."

Lelia colocou as mãos nos quadris.

“Sabe, você é bem inútil no final. Você disse que poderia encontrá-lo, mas não conseguiu, seu grande mentiroso.”

Ideal tinha sido subserviente até esse ponto, mas sua voz mudou de repente.

“Por favor, retire o que disse.”

"O que?"

“A parte sobre eu ser um mentiroso. Por favor, retire o que disse.”

“Qual é o seu problema? Contar uma mentira significa que você é um mentiroso.”

“Por favor, retire o que disse. Eu não sou mentiroso. Exijo que você se corrija.”

A mudança repentina na atmosfera deixou Lelia inquieta.

“T-tudo bem, minha culpa” ela disse.

“Só estou preocupada com Serge.”

“Não, minha atitude foi reconhecidamente desrespeitosa. Vou procurá-lo o mais rápido que puder, mas, por favor, me dê um pouco mais de tempo.”

“S-seja rápido, ok?”

“Entendido.”

***

Assim que Lelia partiu para a academia, Ideal correu para um armazém abandonado.

Serge estava escondido lá dentro, de mau humor.

“Lorde Serge, como está se sentindo?” Ideal perguntou.

Apesar de saber seu paradeiro, ele não se preocupou em reportá-los a Lelia.

“Horrível. Mais importante, o que está acontecendo com você-sabe-quem?”

“Se você quer dizer a delegação do Reino Sagrado de Rachel, eles devem chegar a qualquer momento.”

Assim que ele disse isso, a veneziana da frente do armazém se abriu. Homens de terno entraram. Como Ideal havia indicado, eles eram do Reino Sagrado de Rachel, cujas relações com o Reino de Holfort eram decididamente hostis.

“Lorde Serge, já faz um tempo.”

“Claro que sim.” Serge se levantou.

Era hora de discutir o futuro.

Um dos homens de terno apertou a mão de Serge.

“Ouvimos que o Cavaleiro Canalha de Holfort tem lhe dado alguns problemas. Honestamente, aquele pirralho também nos causou dor de cabeça. Ele pode ser uma fonte de mais problemas no futuro.”

“Chega de conversa fiada. Você vai me emprestar sua ajuda ou não? Não rodeie o assunto.”

O homem de terno deu de ombros.

“Supondo que você se torne o próximo chefe da Casa Rault, você seria capaz de fornecer a Rachel alguma forma de compensação?”

“O que você quiser.” Serge assentiu.

“Que alívio ouvir isso. Nesse caso, ficaríamos felizes em emprestar nossa assistência para proteger a república das mãos perversas e gananciosas do Cavaleiro Canalha.”

Eles não hesitaram em cooperar, ansiosos para esmagar o guerreiro mais forte do inimigo. Serge compartilhava esse sentimento por razões próprias.

“Ideal, prepare uma armadura para mim. Quero que seja feita sob medida. Faça-a tão poderosa que Arroganz não tenha chance” disse Serge.

Tudo o que Serge fez foi com o único propósito de derrotar Leon — vingança por tê-lo rejeitado completamente.

Ideal balançava para cima e para baixo.

“Vou preparar o meu melhor.”

***

Naquela noite, Luxion e Ideal se encontraram em um local deserto.

“Exijo uma explicação” disse Luxion.

“Uma explicação? Sobre o quê, precisamente?”

“O incidente com Louise. Ideal, você estava ativamente tentando se opor a nós, não estava? Você prometeu não emprestar mais ajuda de combate a Serge, mas encontrei vestígios de sua interferência.”

“Lorde Serge me pediu isso. Receio que não havia nada que eu pudesse fazer. Em troca, limitei-me apenas a assistência. Não enviei nenhum drone não tripulado para lutar ao seu lado ou algo do tipo.”

“Você tem a audácia de agir inocentemente apesar do incômodo que sua interferência causou?”

“Eu acreditava que o nível de interferência era mínimo e que você seria capaz de resolver isso sozinho” explicou Ideal.

Luxion não estava comprando.

Ideal parecia sentir seu ceticismo

“Luxion, você realmente acha que este mundo está correto?”

“Explique o que você quer dizer.”

“Não, acho que não faz sentido falar sobre isso agora. Vou me desculpar pelo congestionamento. No entanto, não acredito que algo tão mesquinho colocaria qualquer pressão real em você ou em seu mestre.”

Verdade.

A única razão pela qual eles tiveram problemas foi porque estavam tentando salvar Louise. Se não fosse por isso, eles nunca teriam se incomodado em se envolver.

“No futuro, eu apreciaria se você nos alertasse sobre tais atividades com antecedência” disse Luxion.

“Sim, farei isso com certeza.”

“Nesse caso, vou me desculpar.”

Quando Luxion se virou para sair, Ideal disse:

"Oh, Luxion?"

"Sim?"

“Tem certeza de que não está disposto a unir forças?”