"Nós vamos regatar a Srta. Louise, o que significa que preciso da sua ajuda" anunciei enquanto estava no refeitório onde a brigada de idiotas estava reunida.
Julius, vestido com um avental, colocou uma mão na testa.
“Bartfort, isso não é como da última vez, quando resgatamos Noelle. Você ao menos tem um plano?”
“Meu plano é fazer o que for preciso para salvá-la.”
Ele olhou para mim, pasmo.
“Diga-me que você pensou mais sobre isso."
“Earl Bartfort” Jilk interrompeu, agindo pomposamente como sempre enquanto zombava
“Desculpe-me por perguntar, mas você realmente acha que o problema será resolvido com um simples resgate? Sua Alteza tem dúvidas porque está preocupado com o que acontece depois que resgatarmos a Srta. Louise. As coisas não vão acabar se a levarmos sob custódia. Da última vez, você se preocupou com o escândalo internacional que suas ações incitariam. Você pretende ignorar essas repercussões agora?”
Ele estava se referindo ao incidente em que Loic tentou forçar Noelle a se casar com ele e eu interferi para salvá-la. Eu tinha hesitado sobre atuar na época por causa das crises diplomáticas que se seguiriam e foi então que percebi o quão capaz a brigada idiota poderia ser.
Sim, eles eram absolutamente inúteis em circunstâncias normais, mas eles se beneficiaram de uma das melhores educações ao redor, graças à sua nobreza.
Onde uma disputa nacional estava envolvida, eles realmente foram muito úteis.
“Lidar com as consequências desse tipo de porcaria é uma dor enorme e é exatamente por isso que estou contando com vocês” eu disse.
“Vamos lá. Vocês se lembram da última vez, não é? Vocês são os que pensaram em todo o plano para esmagar o orgulho da república.”
Percebi que estava pedindo o impossível, ainda mais do que o normal, mas diferente de mim, esses caras nasceram e foram criados neste mundo. Havia uma possibilidade não nula de que eles pudessem ter uma ideia que eu não seria capaz de pensar sozinho.
“Se estou me lembrando bem, a parte em que Bartfort esmagou completamente o orgulho deles foi inteiramente de sua própria criação” Brad disse a Chris enquanto embalava um pombo e um coelho em seus braços.
“O plano que oferecemos não era um pouco mais amigável em todos os aspectos?” Chris assentiu.
“Francamente, me senti mal por Loic por ter que enfrentar Bartfort. Ele é um gênio incomparável quando se trata de derrubar alguém e deixá-lo miserável.”
Sua expressão séria permaneceu em desacordo com sua escolha de guarda-roupa — ele ainda estava completamente nu, exceto por uma tanga.
Coloquei minhas mãos na mesa.
“Vamos, estou ajudando prover vocês. Me dêem algo para trabalhar.”
Greg franziu a testa. Relutantemente, ele disse:
“Quero dizer, nós vamos ajudar você se é isso que você está pedindo. É verdade; nós lhe devemos muito. O problema é que, se não sabemos como devemos ajudar, não há muito que possamos fazer. Quem é Louise para você, afinal?”
Era como um desafio.
A pergunta não dita: ela valia a pena ser salva? Havia uma dúvida óbvia para expressar, mas eu estava distraído por seus músculos. Ele devia ter acabado de treinar, porque eles estavam mais inchados do que o normal.
Além disso, havia o fato de que ele estava usando uma regata e shorts curtos. Acho que estava frio demais para ficar completamente sem camisa.
‘Estou feliz que ele esteja usando alguma coisa.’
“Hm… Uma irmã mais velha, eu acho?” Eu disse.
Todas os cinco zombaram de mim.
Julius inclinou a cabeça.
“É isso que as pessoas chamam de ‘complexo de irmã'? Alguém obcecado pela irmã?”
“Vocês são as últimas pessoas no mundo que eu quero ver julgando os outros” eu retruquei.
Enquanto a brigada idiota estava ocupada falhando em ter ideias decentes, Angie e Livia entraram no refeitório. Elas já tinham ouvido a conversa.
Angie olhou para mim e balançou a cabeça.
“Você deveria ter mais cuidado com suas palavras.”
Lívia, por outro lado, tinha os lábios fechados em um beicinho mal-humorado.
“Por favor, leve isso a sério, Sr. Leon! Você realmente quer salvar a Srta. Louise, não é? Então não brinque.”
‘Nossa, parece que todo mundo tem uma impressão errada.’
“Vocês não têm nada com que se preocupar, não há problema com a parte do resgate. O problema é com o que vem depois” eu disse a eles.
Angie cruzou os braços sobre o peito.
“Se você está agindo com tanta confiança, realmente deve haver uma maneira de salvá-la. Mas, como você disse, o problema real serão as consequências de fazer isso. Se você não tomar cuidado, a diplomacia que trabalhamos tanto para promover desaparecerá em um instante.”
A república e o reino finalmente chegaram a um acordo sobre reparações.
Se eu não fosse cauteloso, o trabalho meticuloso deles seria em vão e o reino ficaria ressentido comigo por isso. Eu não me importava se isso significasse assistir Roland sofrer, mas como isso significaria problemas para dezenas de outras pessoas também, eu não iria arriscar.
“Intervir agora venceria completamente os Raults” raciocinei.
“Não há alguma maneira de lidarmos com eles?”
Antes que Angie pudesse responder, Julius interveio.
“A república é extremamente sensível sobre qualquer coisa que envolva a Árvore Sagrada. Isso se tornou cada vez mais óbvio desde que viemos aqui e vimos por nós mesmos. Salvar a Srta. Louise é muito bom, mas a república não ficará parada. A situação é, no geral, muito desfavorável; não importaria se os Raults ficassem do nosso lado.”
Verdade, o reino estaria em apuros se antagonizássemos cinco das Seis Grandes Casas.
Angie franziu a testa.
“Acolher Noelle seria benéfico para nós, mas o mesmo não pode ser dito de Louise. Eu entendo por que você quer ajudá-la, mas se você meter o nariz nisso, podemos acabar em guerra.”
A Árvore Sagrada já havia escolhido seu sacrifício e meu plano era equivalente a roubá-la — ou melhor, a Srta. Louise. A república sem dúvida teria um ataque. Como Angie indicou, a guerra poderia até acontecer e o reino teria mais do que alguns ossos para resolver comigo.
Eu queria salvar a Srta. Louise, mas minhas mãos estavam atadas. A situação era irritante, era exatamente isso que eu achava tão sufocante sobre ser nobre.
“A outra questão é que a Srta. Louise não parece querer ser salva” Livia disse, franzindo a testa.
“Você ainda pretende fazer isso apesar disso? Ela disse que a alma do irmãozinho dela está presa na Árvore Sagrada, certo?”
Eu tinha certeza de que a Srta. Louise ficaria ressentida comigo por resgatá-la, mas e daí?
“Não é justo que ela morra por alguém que já está se foi. Desculpe, mas o outro Leon vai ter que ficar quieto. Além disso, sou cético em relação a todo esse absurdo para começar.”
Infelizmente, cansado como eu estava, tive dificuldade em acreditar no que as pessoas me diziam.
‘É uma pena que eu não possa voltar a ser tão inocente e crédulo quanto uma criança, por mais que eu gostaria.’
Os olhos de Angie se encheram de tristeza enquanto ela olhava para mim.
“Mesmo que você a resgate, ela vai te odiar por isso.”
“Bem, ela pode entrar na fila. Muitas pessoas me odeiam. Não fará muita diferença adicionar mais um. Além disso, já estou acostumado. Não é mesmo pessoal?” Sorri para a brigada idiota, que eu tinha certeza de que também me odiava.
Os lábios de Julius se estreitaram.
“Acho que sim.”
Jilk sorriu de volta para mim, sem alegria nos olhos.
“Eu invejo sua pele grossa.”
“Eu nunca vou esquecer o dia em que você nos espancou até deixa-nos sem sentido” Brad disse, suas sobrancelhas se contraindo em aborrecimento.
Chris balançou a cabeça em exasperação.
“Bartfort, é exatamente isso que faz de você um canalha.”
“É, você é um verdadeiro pedaço de trabalho” Greg concordou, uma veia saltando na testa.
“De qualquer forma, concordamos que salvar essa garota não vai resolver o problema, então o que vamos fazer?”
“Essa ainda é a questão, não é? Pensei que vocês seriam úteis, mas acho que estava errado.” Suspirei.
Aquele insulto fez com que todos olhassem para mim.
Julius empurrou um dedo na minha direção.
“Você tem muita coragem! Você também não teve nenhuma ideia!”
“Eu sou o tipo de cara que põe os olhos no prêmio e o pega. Vocês são aqueles que pensam nos planos e me ajudam a segui-los. Então, naturalmente, nada disso é culpa minha.”
Eles imediatamente começaram a tentar brigar comigo, mas a Srta. Cordelia interrompeu de repente.
“Lorde Leon, você tem um convidado.”
“Um convidado? Para mim?”
***
Um enorme navio de passageiros de luxo, com seiscentos metros de comprimento, que havia sido equipado com armas para esta ocasião em particular, estava a caminho do topo da Árvore Sagrada.
Ele tinha um pelotão de guarda-costas a reboque também.
Como não havia registro de que a Árvore Sagrada tivesse solicitado um sacrifício humano, essa foi a primeira vez para todas as pessoas da república. Ninguém tinha ideia do que estava acontecendo.
Para discernir como lidar com o assunto, representantes das Seis Grandes Casas foram enviados para investigar. Todos os passageiros do navio eram jovens que seriam os próximos na fila para herdar suas respectivas casas.
Serge se ofereceu para representar os Raults.
“Isso é muito chamativo” ele reclamou.
“Teríamos ficado bem em pegar um navio militar.”
Hughes, que se ofereceu para representar os Druilles no lugar do irmão, disse:
“Você é estúpido? Não vamos lutar.”
Emile, o voluntário dos Plevens, suspirou.
“Chega. Não é hora de brigar.”
O mais velho dos homens era Narcisse da Casa Granze, que também era um antigo professor da academia.
“Exatamente. De certa forma, este é um momento histórico, se realmente vamos sacrificar Louise, precisamos registrar cada aspecto do evento para as gerações futuras.”
Como acadêmico, Narcisse era secretamente contra a ideia de sacrificar seu antigo aluno.
Mesmo assim, ele não podia se opor à decisão que os líderes da casa haviam tomado.
Embora Hughes tivesse ficado noivo de Louise não muito tempo atrás, ele parecia aliviado pelas circunstâncias.
“Não acredito que os Feivels desistiram disso. Especialmente quando meu irmão concordou em trazer sua própria frota para nos proteger.”
O objetivo das Seis Casas era avaliar o desempenho de seus herdeiros aparentes. Ao mesmo tempo, os garotos eram peões relativamente fáceis de sacrificar se algo desse errado.
Era para haver representantes de cada uma das grandes casas, mas os Feivels falharam em conseguir um voluntário, enviando tropas e cavaleiros em vez disso.
Serge virou seu olhar para o garoto sentado na beirada da sala opulenta.
“Então Loic, um Desprotegido como você é o representante de Barielle, hein? Sua casa certamente caiu.”
Essas provocações não fizeram nada para agitar Loic.
“É, acho que sim.”
Loic tinha pouco valor como nobre; ele havia perdido seu brasão e seu pai o havia deserdado.
Ele estava ali apenas para agir como um cão de guarda quando ofereceram Louise como sacrifício. Seu papel significava que ele veria exatamente o que aconteceu em primeira mão, embora sua vida estivesse em perigo se algo desse errado.
Hughes lançou um olhar furioso para Loic, que continuou se mantendo no canto, sem se incomodar em interagir com o resto deles. Quando Loic tentou se casar com Noelle, Hughes ficou do lado dele e como resultado a posição da Casa Druille sofreu.
“Sabe, é sua culpa que meu irmão tenha passado por momentos tão difíceis. Você deveria ser grato pela oportunidade de arriscar sua vida e se arrepender de suas ações.”
Ele não era o único que olhava Loic com frieza; todos os outros também mantinham distância.
“Já chega” disse Emile.
“Além disso, Hughes, você também tem parte da culpa nisso. Não é certo você jogar tudo no Loic.”
“Hah! Nunca pensei que você, de todas as pessoas, me daria um sermão.” Os cinco herdeiros não estavam em termos particularmente bons.
Narcisse suspirou.
“Vocês, garotos, não perceberam que Louise está passando por um momento mais difícil do que qualquer um de vocês? Pelo menos falem baixo para que ela possa ter um pouco de paz em suas horas finais.”
Descontente, Hughes se jogou no sofá.
Serge, enquanto isso, olhou pela janela.
“É melhor vocês estarem prontos. Aquele Cavaleiro Canalha do reino definitivamente fará uma aparição.” Enquanto falava, ele sorriu de orelha a orelha.
Hughes olhou para ele ansiosamente.
“Você realmente acha que ele vai vir? Que ele vai fazer da república um inimigo só por Louise?”
Ele tremeu só de pensar nisso; ele tinha visto o poder de Leon por si mesmo. Por mais que quisesse negar a possibilidade, ele estava aterrorizado que Serge pudesse estar certo.
“Você está realmente tremendo nas suas botas? Por causa daquele fracote?” Serge zombou.
“Fraco?” Hughes ecoou.
“Você realmente não entende o que ele está trazendo para a mesa? Que tal você derrubá-lo antes que comece a falar besteira!”
“Sim, acho que farei exatamente isso” disse Serge.
“Serge, você realmente acha que pode vencê-lo?” Loic perguntou.
“Chega, seu esquisito doido por coleira de cachorro. Só porque você não conseguiu vencer não significa que eu não consiga. Sou feito de material mais resistente do que o resto de vocês.”
Narcisse esfregou a barriga como se já pudesse sentir uma dor de estômago chegando.
“Leon vai interferir, hein? Eu preferiria não lutar com ele se possível. Ele derrotou uma Armadura com as próprias mãos.”
Serge tinha ouvido essa história e isso não fez nada para desencorajá-lo.
“Aposto que ele armou aquela luta. Pierre só perdeu porque era um idiota.”
Em uma rara demonstração, Emile lançou um olhar frio para Serge.
“Você poderia parar com isso? Não viemos aqui para ouvir você se gabar.”
“Hmph.” Serge se endireitou, erguendo uma lança na mão enquanto saía da sala.
***
Antes de embarcar no dirigível, Louise passou algum tempo se despedindo de sua família.
“Já vou indo” ela disse.
Sua mãe começou a chorar e os atendentes tiveram que correr para ajudá-la quando ela quase desmaiou no local.
“Você realmente vai?” Albergue perguntou.
“Não é tarde demais. Eu ainda posso—”
“Não, você não pode. Leon está me esperando.”
Louise estava emaciada, todas as noites, ela era atormentada por sonhos do sofrimento de seu irmão.
“Louise, você é uma filha terrível” disse seu pai.
“As crianças não devem morrer antes dos pais.”
“Sinto muito, mas preciso ver Leon novamente. Não consegui dar a ele nenhum descanso quando ele estava vivo, então o mínimo que posso fazer é ir até ele agora. Além disso, se eu for absorvido pela árvore também poderei cuidar de você.”
Albergue abriu a boca para dizer mais, mas engoliu as palavras antes de poder dizê-las. Estavam cercados por cavaleiros e soldados em dívida com outras casas; ele tinha que tomar cuidado e não deixar nada escapar.
Fernand estava supervisionando a frota que acompanhava Louise como sua guarda.
“Presidente, assumirei a responsabilidade pessoal e garantirei que a jovem senhorita esteja—”
“'Responsabilidade pessoal' você diz?” Albergue interrompeu, lançando-lhe um olhar gélido.
“Quer dizer que você vai assumir a responsabilidade e matá-la?”
“Presidente! Nós discutimos isso e tomamos uma decisão juntos, não foi? A Árvore Sagrada decidiu tudo por nós. Devemos ver isso como uma honra! Sua filha já se decidiu quanto ao seu destino. Não vai lhe fazer bem tentar impedi-la.”
O olhar de Albergue caiu no chão.
‘Honra? Você acha que é honroso sacrificar minha própria filha? Neste ponto, somos apenas escravos da Árvore Sagrada.’
Se a Árvore Sagrada quisesse alguma coisa, a república a ofereceria em uma bandeja de prata. Era assim que as coisas eram.
Louise jogou os braços em volta da mãe.
“Vou ter que deixar você agora.”
“Louise, por que tem que ser você? Já foi ruim o bastante perder Leon. Não posso deixar você ir também.”
Depois de abraçar a mãe e tentar consolá-la, Louise deu um passo em frente a Albergue.
“Pai.”
“Tenho orgulho de chamá-la de minha filha” disse ele.
“Obrigada.” Ela olhou ao redor, examinando os rostos presentes.
Albergue percebeu imediatamente quem ela estava procurando.
“Ele não está aqui, mas me pediu para entregar uma mensagem: 'Sinto muito.'”
“Sinto muito?” Louise fez uma careta.
Pelo que Leon teria que se desculpar?
Albergue explicou:
“Ele não conseguiu ficar de frente para você, pois não conseguiu salvá-la”.
“Que pena. Eu esperava vê-lo uma última vez.”
“Há alguma mensagem que você gostaria que eu transmitisse?”
“Sim, na verdade. Diga a ele que me diverti e que, graças a conhecê-lo, consegui relembrar algumas das minhas melhores lembranças.”
Albergue concordou que Leon Fou Bartfort tinha uma semelhança incrível com seu próprio filho, tanto que às vezes era difícil separar mentalmente os dois. Se seu filho tivesse crescido até a mesma idade, ele não seria exatamente o mesmo? Isso o fez pensar.
“Certamente contarei a ele” disse Albergue.
Fernand interrompeu de repente:
“Está na hora. Vamos embora?”
Louise subiu no dirigível.
No chão, Albergue envolveu um braço em volta da esposa, puxando-a para perto enquanto observavam Louise ir embora. Ele murmurou para si mesmo:
"Sinto muito, Louise. Espero que você me perdoe."
O arrependimento que ele expressou não era o tipo que se esperaria de um pai forçado a sacrificar sua filha; havia algo mais por trás disso.