Os lideres das Seis Grandes Casas se reuniram, a maioria tinha expressões azedas, enquanto a de Albergue era de pura exaustão.
‘O reino certamente enviou alguns indivíduos intrometidos.’
Após a recente série de incidentes, Alzer agora tinha que pagar reparações e Holfort havia enviado pessoas para negociar o processo. O Festival de Ano Novo estava se aproximando, no entanto, então os líderes queriam colocar o assunto de lado, especialmente porque o festival vindouro carregava um significado muito diferente dos anteriores.
Loic, antigo herdeiro da Casa Barielle, inadvertidamente havia levado os assuntos da república a uma paralisação brusca na esteira de seus negócios escandalosos.
Outras potências estrangeiras provavelmente pensaram que a república estava no meio de uma crise. Para dissipar essas impressões, eles planejaram tornar este Festival de Ano Novo ainda mais extravagante do que nunca.
O trabalho mais importante deles antes do evento era negociar com o Reino de Holfort. Infelizmente, a pessoa que o reino havia enviado era muito desagradável e cansativa, deixando todos parecendo absolutamente exaustos.
Lambert da Casa Feivel foi o primeiro a abrir a boca. Ele era um homem baixo e atarracado, com uma cabeça calva e uma personalidade miserável. Não foi surpresa que ele não fez nenhum esforço para esconder seu ressentimento.
“Isso é totalmente humilhante! A República Alzer nunca perdeu uma guerra, mas um país de terceira categoria como o Reino Holfort nos faz dançar na palma de sua mão. Isso é sem precedentes!”
Todos os outros também estavam fartos. Em circunstâncias normais, eles provavelmente concordariam prontamente com Lambert, mas a realidade não foi tão gentil.
Bellange, o líder da Casa Barielle, zombou de seu colega.
“Você escolheu agora expressar sua insatisfação depois de ter sido tão reservado um momento atrás? Por que não falar o que pensa quando estamos realmente em negociações?” Bellange sorriu ironicamente.
“E de quem você acha que é a culpa de estarmos nesta posição para começar?” Lambert retrucou.
“Ah, já que estamos no assunto, como está seu antigo herdeiro depois que ele foi abandonado pela Sacerdotisa? Ele está com boa saúde, hm?”
“Bastardo!” Bellange rugiu, lançando-se da cadeira.
“Chega vocês dois” a voz baixa de Albergue cortou o ar.
“Vamos encerrar a reunião aqui.”
Albergue tentou sair correndo da sala de reunião, mas parou quando vários de seus subordinados vieram correndo até a porta, implorando para entrar. Assim que Albergue deu sua permissão, seus ajudantes ofegantes conseguiram dizer:
"G-grande problema! A Árvore Sagrada é... É...!"
***
A cidade estava escura como breu, exceto pela iluminação dos postes de luz. Minha respiração saía em sopros brancos visíveis, que serviam como um lembrete de quão frios eram os invernos alzerianos.
“Se nevar, podemos até ter um Natal branco” eu disse.
Angie ergueu as sobrancelhas.
“Um branco… o quê?” Ela e Livia estavam caminhando de cada lado de mim. Ambas usavam casacos, suas bochechas estavam rosadas.
“Sr. Leon, o senhor diz coisas estranhas de vez em quando” disse Lívia.
‘Isso mesmo. Este mundo não tem Natal — embora eles tenham um feriado parecido.’
Livia olhou para o céu.
“A República Alzer é realmente um país misterioso, não é? Quando vi pela primeira vez aquela enorme Árvore Sagrada, pensei que fosse uma montanha.”
“É bem grande, não é?” Eu também olhei, espantado com o tamanho.
Quantas décadas, ou mesmo séculos, tiveram que passar para que ele crescesse até essa altura?
Angie olhou ao redor para os arredores.
“Vejo que eles desenvolveram transporte terrestre em vez de depender de dirigíveis. Suponho que, como eles têm acesso ilimitado à energia, isso é mais conveniente. Dessa forma, eles não precisam se preocupar com seus veículos batendo.”
Os dirigíveis não eram tão ruins assim, mas quando caíam, os danos e as baixas resultantes eram astronômicos.
Os olhos de Angie brilharam quando ela avistou um bonde.
“Eu quero um veículo como esse. Embora eu suponha que tentar suplementar os custos de combustível por meio de pedras mágicas tornaria isso difícil. Pode ser possível se aumentarmos os preços das passagens, mas então quantas pessoas realmente o usariam...?” Ela parou de falar enquanto contemplava.
"Você surgiu com tudo isso de cabeça só de olhar para um bonde? Você é incrível Angie" eu disse, genuinamente impressionado.
“Talvez fosse mais preciso dizer que você é uma anomalia por ter uma cabeça tão vazia” Luxion se intrometeu, sempre gostando de me menosprezar.
“Você vê o quão tecnologicamente avançados esses outros países são e não se sente nem um pouco desconfortável. Isso me entristece.”
Olhei para ele.
“De que adiantaria eu quebrar a cabeça com isso? Vou deixar a preocupação com avanços tecnológicos e outras coisas para os superiores. Embora agora que penso nisso, Roland é bem ruim quando se trata de fazer seu trabalho, então talvez ele também não esteja pensando nisso.”
Não me senti nem um pouco culpado por me dirigir ao rei de Holfort pelo primeiro nome em vez de pelo título, mas Angie olhou para mim e colocou a mão na testa.
“É difícil acreditar que você tem permissão para ter esse tipo de atitude com Sua Majestade. Você tem coragem.”
“O quê? Estamos falando do Roland. Eu poderia até chamá-lo de 'rato bastardo' e ninguém piscaria.”
“Às vezes não consigo decidir se você é extremamente ousado ou simplesmente um idiota. Sei que você sempre aparece em apuros, mas não acha que é um pouco relaxado demais na maior parte do tempo?”
“Eu gosto dele do jeito que ele é” Livia entrou na conversa.
“Ele é meio estranho, mas é gentil. É fofo, você não acha?”
‘F-fofo? Eu?!’
Antes mesmo que eu tivesse a chance de responder, Luxion me adiantou.
“Olivia, devo fazer uma avaliação médica completa para você? Acredito que é altamente provável que você tenha um problema sério com seu cérebro.”
‘Seu pequeno idiota… Você realmente acha tão estranho ela me chamar de fofo?!’
“Uh, hum… N-não há nada de errado comigo” Livia gaguejou.
“Eu acredito que há. Sua habilidade de achar o Mestre ‘fofo’ é prova de uma anormalidade séria. Acredito que Angelica pode sofrer da mesma aflição.”
“Você acha que eu sou anormal?” Angie perguntou.
“Sim. Você chamou o Mestre de 'ousado', mas ele é extremamente indeciso o tempo todo e na verdade tende a vacilar mais quando as apostas são mais altas. Além disso, ele é completamente incompetente.”
‘Acabei de ser completamente despedaçado por uma IA. O que eu fiz para merecer isso?’
“E-ei, seu babaca! Você vai mesmo dizer isso? Você é sempre assim! Eu entendo que você me odeia, mas não use isso como desculpa para espalhar desinformação!”
“Desinformação?” Luxion ecoou.
“Não consigo ver o problema aqui. Estou apenas afirmando fatos. Oh, minhas desculpas. Deve ser isso que te incomoda tanto — que essas coisas sejam fatos.”
“Sabe de uma coisa? Vou me lembrar disso. Sou o tipo de cara que sempre paga duas vezes melhor do que recebe.”
Isso não desencorajou Luxion de zombar de mim ainda mais. Nós dois continuamos discutindo até que Angie e Livia começaram a rir.
“O-o quê?” Eu exigi.
Angie tentou desesperadamente segurar o riso.
“Desculpas. Eu só fiquei tão aliviada em ver vocês dois agindo da mesma forma de sempre. Vocês não mudaram nada desde que deixaram Holfort.”
Livia olhou entre Luxion e eu, com um sorriso no rosto.
“Sim, vocês dois estão tão próximos quanto sempre. Mesmo aqui na república, você ainda é o mesmo Sr. Leon que eu conhecia em casa.”
Estreitei os olhos para elas.
“Sabe, parece muito que vocês estão dizendo que eu não amadureci nem um pouco.”
“É exatamente isso que elas estão dizendo” Luxion disse com naturalidade.
“Ou você de alguma forma entendeu mal a implicação óbvia?”
“Acho que você e eu precisamos ter uma conversa sobre o que é um mestre-servo envolve. Não pense que não faremos isso quando voltarmos para casa” eu disse, apontando um dedo em sua direção.
Francamente, Luxion estava sendo ainda mais atrevido do que o normal. Eu tinha feito algo para ofendê-lo?
Luxion virou seu olhar para o topo da Árvore Sagrada.
“Vai me ignorar?” Eu rebati.
“Chega do seu—”
“Mestre. Se me permite, tenho uma pergunta” disse Luxion.
"O que é?"
“Há uma flor florescendo no topo da Árvore Sagrada. Não ouvi nada sobre tal fenômeno. Você sabe alguma coisa sobre isso?”
Eu segui seu olhar, mas não consegui entender daqui. Luxion finalmente projetou um vídeo que revelou o que ele estava vendo. Angie espiou por cima do meu ombro, encarando a flor branca aparentemente no topo da árvore.
“Tem uma tonelada de pétalas” observei.
“Parece um crisântemo.”
“O formato é parecido, mas o tamanho é completamente diferente” disse Luxion.
Angie olhou para a projeção e pressionou a mão sobre a boca.
“Então a Árvore Sagrada também tem flores? Embora o posicionamento pareça um tanto artificial.”
Livia também estudou a imagem.
“É verdade. Parece quase que alguém colocou ali e algo nela parece artificial. Também é… desagradável. Tenho um mau pressentimento com isso.”
‘O que isso pode significar? O que vai acontecer?’
***
Quando voltamos para a propriedade de Marie, a atmosfera era a mesma de sempre. Mal conseguimos passar pela porta da frente quando Marie colocou a cabeça para fora. Assim que ela percebeu que eu não estava segurando nada nas mãos, seu rosto caiu. Ela devia estar esperando presentes.
Um aroma doce e picante emanava da cozinha, que estava tornando-se bastante comum a essa altura. Quando Julius apareceu no saguão, a expressão de Angie azedou.
“Você já voltou? Você deveria ter dito alguma coisa. Vou deixar alguns espetinhos prontos em um momento, me dê só alguns instantes” ele disse.
Parecia que Julius estava encarregado do jantar esta noite. Desde que ele retornou depois que Marie o expulsou de casa, ele periodicamente assumiu o dever do jantar. Isso era maravilhoso, realmente era... Exceto pelo fato de que a única coisa que ele sabia fazer era espetos.
Julius casualmente caminhou de volta para a cozinha para preparar nossa comida. Em seu rastro, Angie cobriu o rosto com as duas mãos.
“Não deixe que isso a afete, por favor” disse Lívia, tentando consolá-la.
“Lívia, não me arrependo de Sua Alteza ter me abandonado. Quero dizer isso. Mas vê-lo assim me deixa sem palavras.”
Quem imaginaria que o príncipe de seu país seria cativado por espetinhos e dedicaria sua vida a se tornar um cozinheiro? Ninguém, é isso. Nem eu poderia ter previsto isso.
A senhorita Cordelia foi a próxima pessoa a aparecer e ela rapidamente pegou nossos casacos.
“Bem-vindos ao lar. Vocês vão jantar aqui?”
Angie suspirou. Nós tínhamos comido fora para almoçar, mas sentindo problemas iminentes, optamos por não parar em um restaurante para jantar.
“Eu vou” disse Angie.
“Sua Alteza está preparando nossa refeição pessoalmente, correto?”
“Minha senhora, se preferir, posso preparar outra coisa para você” ofereceu a Srta. Cordelia.
“Isso seria indelicado. Mas preciso me trocar, então Livia e eu voltaremos para nossos quartos por um tempo.”
"Muito bem."
Livia deu um pequeno aceno antes de subir as escadas para seu quarto. Na ausência delAs, fui para o refeitório, onde Marie e os outros já estavam festejando.
“Não ter que cozinhar sozinha é o paraíso!”
Marie tinha um espeto em cada mão, suas bochechas inchadas de toda a comida que ela havia embalado dentro da boca dela. Ela também tinha um copo de álcool por perto.
Parecia menos que estavam jantando e mais como se estivessem tendo uma festa com bebidas, com os espetinhos como um aperitivo e não como uma refeição.
Carla, amiga íntima e lacaia de Marie, sorriu alegremente.
“Sem mencionar que o príncipe Julius até cuida da limpeza depois!”
Kyle, o servo meio-elfo de Marie, franziu o nariz.
“É, porque ele fica puto quando qualquer um de nós tenta tocar nos utensílios dele. Não que eu realmente me importe, mas você tem certeza de que é uma boa ideia deixar o príncipe cozinhar assim?”
Marie continuou comendo seus espetinhos enquanto tomava um gole, impressionantemente engolindo todo o conteúdo do copo de uma só vez.
“Pwah! Nada para se preocupar. Está tudo bem! Julius só está fazendo isso porque quer. Além disso, quem sabe o que vai acontecer quando voltarmos para casa?”
Quando as férias de inverno acabassem, estaríamos em nosso terceiro período, e depois disso, teríamos que retornar a Holfort. Julius poderia satisfazer sua paixão por churrasco aqui na república, mas poderia ser uma história diferente quando estivéssemos de volta em casa.
Como tal, Marie queria deixá-lo fazer o que quisesse por enquanto.
Noelle veio até mim quando percebeu que eu estava de volta.
"Leon, você comeu fora hoje?"
“Não. Estou me preparando para comer aqui.”
“Então que tal comermos juntos—oh, desculpe.” Noelle se conteve assim que se lembrou de Livia e Angie.
Ela saiu do meu lado e voltou para seu próprio assento, onde retomou sua refeição. Ela provavelmente estava tentando ser atenciosa.
A atmosfera na sala ficou estranha, mas não durou muito, pois a brigada de idiotas começou a fazer barulho.
“Ei, ouça isso. Percebi que às vezes Julius olha para Rose e Mary de forma estranha. Ele me ajuda a alimentá-las, mas então começa a dizer coisas estranhas como: 'Apresse-se e cresça. Mal posso esperar para você ficar maior.' Isso não lhe parece estranho?” Brad estava se referindo ao seu pombo e coelho, respectivamente.
Fiquei menos surpreso com as interações de Julius com elas do que com os nomes que Brad havia escolhido.
“É assim que você chama seus bichinhos de estimação?” Jilk perguntou com um suspiro exasperado.
Brad sorriu orgulhosamente.
“Adoráveis, não são?”
“Bem, ser amigo de um pombo e de um coelho parece combinar com você.”
“Sim, eu tenho amigos adoráveis!”
O sarcasmo de Jilk passou direto pela cabeça de Brad. Enquanto isso, Greg e Chris estavam discutindo.
“Greg, você está comendo apenas o peito de frango e os filés. Pare com isso e já que estamos no assunto, pare de monopolizar toda a carne salgada. Por que não experimentar algo coberto de molho para variar?”
“Não estou interessado em nada além de peitos e filés. Além disso, se eu vou comer alguma coisa, tem que ter sal. O resto é seu.”
Greg estava comendo como um homem possuído. Embora, neste caso, um homem exigente que se recusava a comer qualquer outra coisa.
Por outro lado, embora Chris parecesse razoável, sua aparência sugeria o contrário; ele estava vestido apenas com uma tanga e um casaco happi. Ultimamente, era tudo o que ele usava.
‘Ele não está com frio?’
Marie olhou para mim e inclinou a cabeça.
“Não vai sentar?”
Esses caras me deram um inferno no ano passado. Por que me vi estudando no exterior com eles? Eu era quem queria levantar a cabeça e exigir respostas.
Um som de estilhaçamento subitamente rompeu o clamor na sala. Corri em direção à fonte, que estava na cozinha, apenas para encontrar Yumeria caída no chão.
“Ei! Você está bem?” perguntei enquanto corria até ela.
Lágrimas brotaram em seus olhos.
“E-eu sinto muito. Eu só estava tentando ajudar.” Pelo visto, a Srta. Yumeria tropeçou e derrubou alguns pratos.
Ela rapidamente tentou alcançar os cacos quebrados, mas Julius a interrompeu.
“Você só vai se machucar. Vou pegar uma vassoura e uma pá de lixo para que possamos limpar direito.”
Como Julius trabalhava meio período em uma barraca de comida há algum tempo, ele estava tão acostumado a esses tipos de acidentes que eles não o perturbavam.
Fiquei impressionado.
“Não acredito que nosso príncipe inútil cresceu tanto.”
Sempre pensei que ele não passava de um pirralho mimado, então fiquei feliz em vê-lo amadurecer.
Depois que o momento passou, examinei a Srta. Yumeria para ter certeza de que ela não estava machucada.
“Parece que você pelo menos não se machucou.”
“Sinto muito” ela disse novamente.
“Tudo o que eu faço é cometer erros.” Ela era ridiculamente fofa até mesmo quando estava deprimida.
“Não, não há nada com que se preocupar” assegurei-lhe.
Kyle entrou na cozinha e se aproximou de nós. Embora Yumeria parecesse jovem demais para ser mãe, era a mãe de kylr, considerando que ele era o mais bem-arrumado entre eles.
“Você quebrou pratos de novo? Quantos são agora?” ele exigiu.
“Kyle, eu-eu sinto muito.”
“Você deveria estar se desculpando com minha patroa, não comigo. Ela parece estar de bom humor agora, então não é grande coisa, mas esses pratos não são baratos.”
Enquanto ele continuava a repreendê-la, eu interrompi:
“Já chega. Kyle, você pode voltar para sua comida.”
“Não, eu ajudo na limpeza. Além disso, servos como eu não deveriam jantar com todo mundo para começar. Só fazíamos isso antes porque não tínhamos outra escolha com o quão apertadas as coisas estavam, mas acho que seria melhor traçar um limite de agora em diante.”
‘Seu pequeno idiota, você é muito sério. Você deveria deixar sua mãe mimá-lo um pouco mais.’
Kyle teve sorte de ter essa chance. Tudo o que eu fiz pela mãe na minha vida anterior foi causar-lhe uma dor sem fim até o fim.
“Kyle, eu realmente sinto muito” disse a Srta. Yumeria novamente.
“Eu já lhe disse para se desculpar com minha senhora, não comigo” ele retrucou.
“Ou pelo menos se desculpar com o conde.”
Perturbada, Yumeria se virou para mim e abaixou a cabeça.
“M-minhas mais humildes desculpas!”
“Não, eu já te disse, está tudo bem.” Eu olhei feio para Kyle.
“Ei, Kyle! Você poderia ser um pouco mais legal—”
"Ela é mais velha que eu. Ela precisa se controlar" Kyle murmurou baixinho enquanto saía da cozinha, parecendo um tanto triste enquanto saía.
***
Por volta dessa época, os outros membros da Casa Rault souberam da anormalidade que estava ocorrendo com a Árvore Sagrada. Albergue consequentemente convocou Louise e Serge para seu escritório. Louise ficou de braços cruzados, recusando-se a sequer olhar na direção de Serge. Enquanto isso, as mãos de Serge estavam enfiadas nos bolsos e ele desviou os olhos de Louise.
Albergue estava diante de seus dois filhos, já exausto por suas atitudes imutáveis. Mas não lhe faria bem repreendê-los agora, dadas as circunstâncias.
“Uma flor floresceu na Árvore Sagrada” ele disse.
“Verifiquei todos os registros até o presente dia, mas nada foi dito sobre tal fenômeno, pelo menos não nos últimos trezentos anos.”
“Isso é ótimo. Significa que temos que ter muita sorte de poder vê-la então.” Serge sorriu.
A resposta irrefletida dele enfureceu Louise.
“Não está usando seu cérebro de jeito nenhum, pelo que vejo” ela zombou.
“Talvez você devesse tirar um tempo para estudar e aprender o que seu status realmente implica, hm?”
“O que isso quer dizer?”
Eles finalmente se viraram um para o outro apenas para olhar feio.
“Chega” Albergue retrucou.
“Vamos ficar de olho na árvore por enquanto e faremos o Festival de Ano Novo conforme planejado. Vocês dois são obrigados a comparecer.”
Serge passou a mão pelo cabelo antes de ir pisando duro em direção à porta.
“Esse festival é só para crianças. Não vejo razão para eu ter que ir.”
“Serge!”
Albergue gritou, mas era tarde demais; Serge tinha ido embora. Louise olhou para o chão, cerrando os dentes.
Albergue voltou sua atenção para ela.
“Por favor, dê a ele alguma margem de manobra, Louise. Serge é—”
“Por que eu tenho que ser tão atenciosa?! Leon queria tanto fazer parte do Festival de Ano Novo, mas ele nunca conseguiu. Ainda assim, Serge tem a audácia de dizer que é 'só para crianças'? Eu não vou dar a ele nem um centímetro de margem de manobra.”
Louise estava se referindo à época em que Leon tinha cinco anos.
Seu corpo estava fraco e o médico informou à família que ele não sobreviveria ao ano novo.
Naquela época, ele disse que queria participar de qualquer maneira, mas esse desejo permaneceu não realizado. Foi por isso que Louise foi até o outro Leon para pedir que ele participasse como substituto de seu irmão. Ela esperava que conceder o desejo de seu irmão fosse uma maneira de compensá-lo.
Albergue entendeu as intenções de Louise e foi por isso que ele permitiu que ela convidasse Leon, apesar dos problemas que isso inevitavelmente causaria. Ele também sabia que se o novo Leon e Serge se encontrassem, este último ficaria extremamente chateado.
“Eu entendo por que você sente tanto desprezo por Serge” disse Albergue.
“Mas, a partir do momento em que o adotamos, ele se tornou parte da nossa família.”
Louise levantou o queixo, os olhos cheios de ódio.
“Eu nunca o reconhecerei como família.”
Enquanto ela se virava e começava a sair da sala, Albergue estendeu a mão atrás dela, mas ele se conteve para não dizer nada.
***
Depois de se retirar para seu quarto, Louise recuperou uma pequena fotografia que havia escondido na gaveta de sua escrivaninha. Era uma foto em preto e branco de seu irmãozinho.
Há muito tempo, arte e fotos dele estavam espalhadas pela propriedade. Agora não havia uma única para ser encontrada. Tudo isso por causa de Serge.
Albergue queria um sucessor, então ele adotou Serge. Depois que Serge entrou para a família, ele jogou fora quase todas as lembranças de Leon. Ele até queimou um item que Louise guardava como uma lembrança muito querida em memória de seu irmão morto.
Essa era a razão pela qual ela odiava tanto Serge.
“Por que ele é 'parte da nossa família'? Ele não é! Você concorda comigo, não é, Leon?” Louise perguntou à foto enquanto se lembrava da chegada de Serge à propriedade Rault.
***
Três anos após o irmãozinho de Louise falecer, a vivacidade que antes alegrava os corredores desapareceu completamente. A ausência barulhenta do irmãozinho deixou o lugar como uma casca vazia do que era antes.
A família extensa e os servos dos Raults estavam fazendo um alvoroço real pela falta de um herdeiro. Eles começaram a discutir a necessidade imediata de um substituto, por isso Serge foi trazido para o castelo deles.
Seus pais biológicos estavam emocionados que ele seria o próximo chefe da grande casa à qual eram parentes, mas ele se escondeu atrás deles o tempo todo, olhando para os próprios pés.
‘Acho que talvez ele não quisesse vir aqui’ pensou Louise.
Não havia nada que pudesse ser feito, mas ela sentia pena dele.
Quando surgiu a oportunidade de falar com ele em particular, ela disse:
"A partir de hoje, serei sua irmã mais velha. Espero que possamos nos dar bem, Serge." Ela estendeu a mão para ele, embora não conseguisse ouvir o que quer que ele estivesse murmurando baixinho.
"O que é?" ela perguntou.
"…acima."
"Huh?"
“Eu disse para calar a boca! Quem iria querer se dar bem com você?!” ele gritou para ela antes de sair correndo da sala.
Leon tinha sido uma criança travessa, mas também era muito direto. Louise esperava um comportamento semelhante de Serge, então isso foi um choque. Ela tinha feito algo para ofendê-lo?
Louise passou os próximos dias preocupada com o confronto. Ela tentou novamente dizer que eles deveriam se dar bem, mas Serge se recusou a encará-la.
Então, alguns meses após sua chegada…
“Não! Nããão! Serge, pare! Eu estou te implorando! Isso foi um presente de Leon!” Louise de repente voltou para casa e encontrou Serge queimando uma coleção de
Fotos e retratos de Leon, assim como outras lembranças. Ela se lançou sobre ele, agarrando-se aos seus braços em uma tentativa de pará-lo, mas Serge conseguiu se livrar dela. Então ele jogou um presente que ela havia recebido de Leon nas chamas também.
Louise tentou pular atrás dele, mas alguns servos correram para a cena e conseguiram pará-la.
“Pare! Por favor, devolva!”
Louise soluçou enquanto esticava as mãos em direção ao fogo, mas infelizmente o presente de Leon para ela tinha sido um anel feito de papel. Era uma coisa feia e desajeitadamente feita.
Era o único pertence que ela ainda possuía que tinha sido dela e de Leon e somente deles. Em segundos, ele desapareceu sem deixar vestígios.
Os criados, que não entendiam nada da situação, ficaram estupefatos.
Louise de fato havia contado a Serge sobre o anel. Ela o havia tirado do quarto e, quando ele demonstrou interesse, ela compartilhou a história de sua criação. Agora ele observava silenciosamente enquanto ele se desintegrava em nada.
Lágrimas escorriam pelo rosto de Louise.
Ela se virou e uivou:
“Eu odeio você! Eu nunca, nunca vou te perdoar por isso!”
Até aquele momento, Serge nunca tinha olhado Louise de frente, mas pela primeira vez ele a olhou nos olhos e a encarou.
***
Em algum momento, Louise adormeceu e no processo recordou memórias desagradáveis de sua juventude. Ela lentamente se apoiou na cama, percebendo que nem se incomodou em se trocar antes de adormecer.
“Que sonho horrível.”
Os pais dela repreenderam Serge por suas ações naquele dia, mas como se estivessem tentando serem atenciosos com seus sentimentos, eles começaram a retirar e confiscar quaisquer fotos ou retratos restantes de Leon. Se não o fizessem, Serge entrava em uma fúria destrutiva e queimava tudo o que via.
Quando tudo começou? Quando Serge começou a odiar seu irmãozinho tão ferozmente?
Normalmente, uma família rescindiria uma adoção por tal comportamento, mas depois de entrar para sua família, Serge recebeu um dos brasões das Seis Grandes Casas. Isso não poderia ser removido facilmente e havia muita coisa envolvida em sua adoção para que eles desistissem.
Eles tiveram que considerar seus próprios retentores, sua família estendida e o atual estado de coisas na república... Uma lista inteira de razões pelas quais Serge permaneceu como o novo herdeiro.
Louise olhou para a foto do irmão. Sua voz estava quente com afeição quando ela disse:
"Leon, o Festival de Ano Novo está quase chegando."
***
“Droga!”
Serge estava lívido quando voltou para seu quarto. Ele bateu o pé na cadeira e a fez cair no chão. Então se jogou na cama, de barriga para cima e olhou para o teto.
“Festival de Ano Novo? Que porcaria. Isso é só uma desculpa para aqueles românticos idiotas oferecerem suas preces ou algo assim.”
Originalmente, era uma cerimônia para a nobreza oferecer sua gratidão e orações à Árvore Sagrada. Embora, chamá-la de cerimônia fosse um pouco exagerado; era um assunto mais simples no começo.
As pessoas se reuniam no Ano Novo para beber álcool juntas e era isso. Mas isso foi há séculos.
Gradualmente se tornou mais e mais formal, transformando-se no assunto desagradável que é hoje. Agora realmente poderia ser considerada uma cerimônia, embora não houvesse muito significado por trás dela.
Sim, as pessoas rezavam e faziam seus juramentos, mas logo depois se transformou em uma festa.
Os jovens entravam na caverna em pares para comprometer suas vidas e lealdades ao monumento dentro. As pessoas só entravam como família ou como casais, o que significava que não havia propósito em Serge participar. No entanto, uma imagem de Lelia entrou em sua mente.
“Não, espera um segundo. Se ela está noiva do Emile, isso significa que ela também virá, certo?” Assim que percebeu isso, ele mudou de ideia.
“Não acredito que eu voltei e ela está noiva. O que ela vê naquele cara?”
Serge sabia que tinha sentimentos por Lelia.
Mais do que tudo, ele a achava profundamente fácil de se estar por perto; ela não era ridiculamente educada como as outras garotas nobres, e ela até tinha uma boca um pouco suja às vezes, o que ele preferia em uma mulher.
Além disso, ela aceitou seu sonho de se tornar um aventureiro.
Como membro de uma das Seis Grandes Casas, era difícil passar algum tempo casualmente com a maioria das garotas. Era por essa mesma razão que, para Serge, Lelia era preciosa. Insubstituível.
É verdade que ele também gostava dela porque ela parecia odiar a irmã mais velha, assim como ele. Lelia nunca diria isso, mas a maneira como ela olhava para Noelle lembrava Serge de si mesmo. Havia uma mistura tão complexa de emoções em seu olhar — tanto amor quanto ódio.
Perceber isso o fez perceber o quão parecidos eles eram. Foi como ele inicialmente desenvolveu um interesse por ela, e num piscar de olhos, isso se transformou em sentimentos românticos.
No entanto, Lelia era completamente diferente da primeira mulher por quem ele se apaixonou, então ele ficou chocado quando percebeu sua afeição por ela.
Enquanto Serge relembrava, sua expressão ficou nublada.
“Meu primeiro amor pode não ter ido bem, mas, desta vez, não tenho planos de me desculpar pelo que vou fazer.”
Embora se sentisse culpado por Emile, Serge não pretendia de forma alguma desistir de Lelia.