"VOCÊ ARMOU ESSA ARMADILHA PARA MIM, Luxion!" A voz de Leon ecoou pela mansão e Luxion assistiu a tudo da segurança de uma tela de monitor.
“Mestre, acredito que você disse antes que é culpa da pessoa se ela cai em uma armadilha. Isso se aplica perfeitamente a essa situação também.”
Luxion estava flutuando no topo do convés do Einhorn, com Cleare flutuando diretamente em frente a ele.
“Você não é menos cruel do que ele” ela disse.
“Você acha?”
Luxion ordenou que ela não compartilhasse nenhum detalhe com as meninas quando ela retornasse. Alguém pode se perguntar: Por que ele faria uma coisa dessas? Bem, isso foi inteiramente culpa de Leon.
“Tudo está bem quando acaba bem, como dizem os humanos. Se eu não tivesse intervindo, o Mestre parecia contente em deixar a Muda da Árvore Sagrada escapar por entre os dedos. Essa é uma amostra muito valiosa.”
Cleare não podia argumentar contra isso.
“Eu concordo” ela disse.
“Mas o fato de você ter arquitetado esse mal-entendido simplesmente para poder arrastá-lo de volta para casa, para o reino, faz de você um demônio.”
“Tanto o Mestre quanto Noelle pretendiam manter seus sentimentos escondidos. Não vejo nada de errado com meus métodos. O Mestre ficará muito mais feliz por isso no final e teremos essa amostra preciosa por perto para que possamos investigá-la adequadamente.”
Luxion mostrou a Cleare os dados que ele já havia discernido — informações que ele havia reunido enquanto estava na república. Ele ainda não havia informado Leon, mas havia identificado algo particularmente suspeito sob a base da Árvore Sagrada.
No entanto, mesmo com toda a sua tecnologia, Luxion não conseguiu conduzir nenhuma pesquisa adicional sobre isso.
“É raro que você não consiga investigar algo” disse Cleare.
“Suspeito que sejam as ruínas de uma base militar criada pelos antigos humanos. É possível que a Árvore Sagrada tenha crescido sobre ela.”
“Ah, sério? Um dos nossos companheiros pode estar trancado lá dentro, então.”
“Sim. Além disso, a Árvore Sagrada parece estar incompleta.”
“Hm, acho que estou começando a ver o panorama geral.”
A discussão deles ainda era pura especulação neste estágio, mas eles suspeitavam que a árvore fosse uma criação artificial.
Cleare achou o tópico muito fascinante.
“É difícil acreditar que podemos ter tido uma antiga base humana espreitando sob nós esse tempo todo. Agora que penso nisso, uma árvore com vontade própria que estende bênçãos aos humanos — isso certamente não parece algo que ocorreria naturalmente.”
Para começar, era muito conveniente.
“Mas o que você quer dizer com isso ser incompleto?” Cleare perguntou.
“A razão pela qual as mudas murcham e morrem é porque a Árvore Sagrada falha em fornecem a energia mágica de que precisam para crescer. Essas mudas brotam com alguma frequência apenas para murchar e desaparecer — porque a Árvore Sagrada as mata.”
“Isso é verdade. Esse é um comportamento não natural para uma planta. Embora, como ela tem uma vida tão longa, talvez ela esteja podando-as, esperando que uma prole forte venha para nutrir?”
“Quando Loic e o Mestre estavam travados em batalha, detectei evidências que sugeriam que a Árvore Sagrada havia se alinhado intencionalmente com Loic. Era quase como se estivesse tentando dar-lhe poder porque queria destruir o protetor de sua muda.”
Cleare analisou os dados que havia coletado durante o incidente e perguntou:
"Você tem certeza de que ele não fez um juramento à árvore que lhe permitiu usar a quantidade observada de poder?"
“Não houve nenhuma reação que indicasse isso.”
A Árvore Sagrada trouxe grandes bênçãos ao seu povo, mas tinha uma falha fundamental que a diferenciava de outros seres vivos: ela não buscava aumentar a população de sua espécie, em vez disso, obstruía ativamente sua própria propagação. Por que ela faria tal coisa? Nem Luxion nem Cleare conseguiram com uma explicação fácil e isso só alimentou o interesse de Cleare.
“Ele absorve energia mágica para alimentar seu crescimento… Do ponto de vista dos humanos antigos, essa seria uma característica conveniente, já que diminuiria a densidade da mana atmosférica. Isso me faz pensar — eles realmente o deixaram para trás?”
“Impossível dizer agora.”
Essa falta de certeza era precisamente o motivo pelo qual Luxion estava tão ansioso para manter a muda por perto. Ele também queria investigar a Sacerdotisa — isto é, Noelle. Para esse fim, ele considerava ideal que ambos permanecessem perto de Leon.
“Você não está usando Mestre, nesse caso?” perguntou Cleare.
“O que te faria pensar isso?”
“Você realmente fez uma bagunça só para poder olhar mais profundamente para a muda.”
“Oh? Eu simplesmente pensei que se Angie soubesse das circunstâncias deles, as chances dela convidar Noelle de volta ao reino aumentariam. Isso reduziria as preocupações do Mestre também, se não me engano.”
“Sim, bem, o dito isso Mestre está em sérios apuros.”
Na tela, Leon ainda estava gritando. Ele estava lutando com as meninas, tendo sido encurralado em um canto sem ter para onde correr.
“Luxion, seu bastardo! Você vai pagar por isso, eu juro! Espere… Não, não estou falando de vocês, garotas! Não, não estou culpando ele por não me ajudar a esconder coisas de vocês. Não é isso. Ele é quem sabia que vocês viriam antes e —o quê? Se eu soubesse antes, você acha que eu teria escondido a evidência? N-não! Alguém me ajude! Eu nem me importo se for Cleare!”
Irritado com essa última condescendência, Cleare não sentiu obrigação de intervir em seu nome.
“Que cruel! Humpf! Espero que eles te deem uma bronca.”
“Devo concordar. Ele precisa dar uma boa olhada em si mesmo.”
Os dois robôs sentiam muito prazer com o sofrimento do seu mestre.
Depois de assistir um pouco da lateral, Cleare finalmente se virou para Luxion.
“Ah, é isso mesmo. Você investigou o que aconteceu com você-sabe-o-quê?”
“Ainda não tenho provas, mas acredito que minhas suspeitas estão corretas.”
Cleare estava se referindo a como a Casa Rault conseguiu derrotar a Casa Lespinasse. Esta última supostamente tinha um brasão mais poderoso, então Luxion se perguntou como eles poderiam ter perdido para seus inferiores. Assim, ele havia escolhido investigar.
“Veja, eu suspeito que tanto a Sacerdotisa quanto o Guardião perderam seus brasões antes do ataque da Casa Rault” disse Luxion.
***
De volta ao Reino de Holfort, no palácio, o Rei Roland estava parado em sua mesa. Círculos escuros e pesados estavam sob seus olhos e ele tinha adormecido em algum momento, deixando um rastro de baba nos documentos abaixo dele.
Quando acordou, ele rapidamente enxugou o queixo antes de xingar baixinho.
“Aquele pirralho maldito. Isso está se tornando sua rotina diária!”
Bem quando ele pensou que finalmente tinham resolvido o último incidente, os oficiais que eles tinham enviado antes do segundo mandato de repente correram de volta para Holfort. O motivo deles?
"O conde Bartfort começou uma briga com a Casa Barielle!"
A Casa Barielle era uma das famílias mais poderosas da República Alzer. De acordo com o relatório, Leon tinha metaforicamente chutado o ninho de vespas, mas assim que receberam a notícia, outro dignitário chegou com um pedido oficial de desculpas da Casa Barielle e da república.
O que diabos estava acontecendo lá? Roland não conseguia nem começar a imaginar. Havia uma coisa, que ele sabia. Ele agarrou a cabeça com as mãos. Ele já conseguia imaginar Leon, sorrindo como um idiota, zombando dele.
Leon — que nos últimos dias tinha dado a Roland uma dor sem fim.
“Droga heeeim! Tudo o que consigo ver é aquele rosto irritante e sorridente — não importa se estou dormindo ou acordado. Por que tenho que me afogar em toda essa ansiedade por causa daquele palhaço?! Ele vai se arrepender disso. Juro que vou fazê-lo pagar.”
Ninguém jamais fez Roland se contorcer como Leon fez. Mesmo quando ele estava longe, em um país estrangeiro, ele continuou sendo um espinho no lado de Roland.
O rei não podia deixar passar tal afronta.
“Quero ver esse sorriso idiota se contorcer em desespero! Como posso fazer isso? O que eu poderia fazer que ele odiaria completamente?”
Promovê-lo novamente não seria o suficiente. Tinha que haver algo mais. Roland vasculhou seu cérebro, esforçando-se para pensar em algo que pudesse fazer para fazer Leon realmente se contorcer em agonia.
"Você vai ter o que merece, seu pirralho! Juro que vou me vingar!"