Capítulo 1

Publicado em 01/12/2024

O problema começõu antes das férias de verão. Algum tipo de confusão começou na distante República Alzer, mas em casa, no Reino Holfort, as informações eram escassas.

As duas noivas de Leon estavam preocupadas com ele e seus outros companheiros.

Uma dessas noivas era a teimosa Angelica Rapha Redgrave, cujo cabelo dourado e brilhante estava preso em um coque trançado.

A outra era Olivia.

Ao contrário de Angelica — ou Angie, como seus íntimos a chamavam — Olivia era uma plebéia que recebera permissão especial para frequentar a academia do reino. Ela também foi a protagonista original na primeira parte da série de jogos otome.

Uma garota bonita com um corte curto e louro, ela normalmente exalava um ar gentil.

Agora, no entanto, sua aura era sombria e seu rosto estava em branco. Ela e Angie estavam em sua cabine, esperando seu navio — o Licorne, que era quase idêntico ao Einhorn — atracar na República Alzer.

Como estavam noivas de Leon e ele estava estudando no exterior lá, elas aproveitaram as férias de verão para fazer a viagem.

Os braços de Angie se cruzaram sob seus enormes seios e ela bateu irritada com o dedo indicador.

“Eu me pergunto quando a república começará sua infame 'inspeção'. Estamos sentados aqui há mais de uma hora. Você não acha frustrante ter que esperar quando nosso destino está bem diante dos nossos olhos?”

Olivia — ou Livia, como ela preferia — assentiu, olhando pela janela.

“Eu posso ver que eles se aproximaram, mas não parecem estar se movendo. O que estão fazendo?”

Assim como seu antecessor, o Einhorn, o Licorne era único por ter um chifre saindo de sua popa. A maior diferença entre os dois era a cor; o Licorne era pintado de branco, como a luz ofuscante do sol.

Luxion tinha feito a maior parte do design básico, mas Cleare tinha visto a nave até a conclusão. Ela, como o terminal remoto de Luxion, tinha um corpo pequeno e redondo — exceto que o dela era branco em vez de metálico e seu olho era azul em vez de vermelho. As diferenças não terminavam aí; suas personalidades eram diametralmente opostas e Cleare possuía uma voz feminina.

“Talvez eles estejam admirando a beleza do Licorne?” Cleare sugeriu.

Angie deixou seu assento, olhando friamente através da vidraça.

“Eles com certeza estão demorando. Cleare, entre em contato com a nave de segurança deles. Diga a eles que se nos fizerem esperar mais, forçaremos a entrada.”

“Oh, meu Deus, isso é bem extremo. Eu sei que você quer ver o mestre o mais rápido possível, mas você não está sendo um pouco precipitada?”

Não havia calor no sorriso de Angie.

“Eu simplesmente não consigo deixar de me preocupar com ele. Ele está na república há tanto tempo afinal. Especialmente depois que você descobriu aquela coisa — um 'log', acho que você chamou? Nem eu consigo manter a calma depois de ouvir a frase 'two-time' em referência a Leon.”

Angie e Livia vieram até Alzer com medo de que Leon estivesse as traindo.

No entanto, as duas tinham atitudes muito diferentes em relação a essa infidelidade.

Angie ficou brava com a situação, mas perdoou Leon pela indiscrição.

“Sinceramente, que cara de pau ele tem. Se ele vai fazer bagunça, há uma ordem adequada para essas coisas. O que ele está pensando, nos deixando em casa de braços cruzados enquanto ele sai para brincar?”

Como filha de um duque — logo, parte da nobreza — Angie sabia que a infidelidade era muito comum.

Ficar chateada com isso só seria doentio.

Livia, no entanto, viu de forma diferente.

“Não acredito que ele trairia! Ele nem ficou íntimo da gente ainda, mas já saiu com outra garota em um país estrangeiro? Em tão pouco tempo?”

Angie lhe deu um sorriso preocupado.

“Bem, ele é um homem. Se você se preocupar muito com isso, vai se arruinar a longo prazo.”

“M-mas ainda assim!”

As meninas cresceram em mundos completamente diferentes e seus processos de pensamento eram compreensivelmente diferentes.

“Oh?” Cleare falou.

“Parece que a força de segurança da república saiu correndo.”

Angie inclinou a cabeça para o lado.

“Mas e a inspeção deles?”

“Parece que estamos livres para passar. Que estranho.”

Lívia caiu em pensamentos por um momento, mas rapidamente balançou a cabeça, tentando se livrar de seu humor sombrio.

“Pelo menos isso significa que podemos entrar no país, o que também significa que agora podemos confirmar por nós mesmos se O Sr. Leon realmente nos traiu.”

A determinação nos olhos de Livia fez Cleare gaguejar.

“Uh, v-vocês têm certeza de que não querem contar a ele que estão vindo? Eu realmente acho que deveríamos dizer alguma coisa .”

Angie balançou a cabeça.

“Agora que estamos tão perto da república, tenho certeza de que Luxion deve ter nos notado. Além disso, se dermos a Leon algum aviso prévio, ele pode se livrar das evidências de seus delitos. De qualquer forma, se ele tivesse nos contatado para começar, não teríamos feito a jornada até aqui.”

Um possível caso não era a única preocupação de Angie.

É verdade que ela estava preocupada que Leon pudesse ter desenvolvido sentimentos genuínos por outra pessoa, mas mais do que isso, ela queria saber que tipo de pessoa essa garota era.

Se ela fosse uma verdadeira peça de trabalho, isso só significaria problemas para todos eles — e se ela fosse uma tentadora perversa levando Leon pelo nariz, Angie não ficaria sentada assistindo.

Gostasse ele ou não, ela colocaria um fim nisso.

O pior cenário possível seria se a mulher tivesse poder político. Nada poderia ser mais problemático do que se ele tivesse se envolvido com uma nobre alzeriana. Seria uma coisa se eles fossem de baixa patente, mas se fossem uma pessoa de alguma consequência real, Angie e Livia realmente teriam problemas.

“Leon, seu idiota… Você está realmente bem?”

Casos eram moralmente duvidosos, não havia dúvidas sobre isso. Além disso, Leon era o Herói de Holfort, o que significava que, mesmo que quisesse se meter com outras pessoas, precisava ter cuidado.

Angie tinha outra grande preocupação.

Eu só espero que a outra pessoa não seja Marie.’

Marie conseguiu enredar o antigo príncipe herdeiro, Julius, assim como outros quatro antigos herdeiros nobres. Pior, ela estava rondando Leon.

Angie não conseguia deixar de se preocupar com o que poderia acontecer entre eles.

‘Não ouse me trair Leon.’

***

Chegamos ao porto da república.

Os navios programados para atracar naquela manhã estavam atrasados e os alzerianos estavam agitados.

Em particular, a milícia estava nervosa.

Três navios tinham vindo do reino, mas apenas um havia capturado a atenção de curiosos.

Parecia uma réplica exata do Einhorn, exceto pela pintura branca. Se fossem do mesmo tom, até eu teria dificuldade para diferenciá-los.

“Imagino que os pequenos detalhes também podem ser um pouco diferentes. O que você acha, Luxion?” Quando ele não me respondeu imediatamente, olhei para ele.

“Uh, Luxion?”

Nós paramos ao lado do Licorne e Luxion estava vibrando no lugar enquanto ele olhava para ele.

Ele estava, uh, bravo? Ele realmente era exigente quando se tratava de artesanato.

“Agora você conseguiu Cleare” Luxion murmurou.

“Huh? O que você quer dizer? Você não construiu essa coisa?”

“Não!” ele retrucou.

“Ela usou as peças de reposição do Einhorn sem minha permissão para construir uma segunda nave!”

Pessoalmente, dado o quão bonito ele ficou, não vi razão para não deixar passar.

“Qual é o problema? Se ele tem as mesmas capacidades do Einhorn, isso me dá paz de espírito. Podemos fazer com que Angie e Livia o usem.”

“Não — ela alterou meu design. Não sei como suas capacidades se comparam, mas não posso permitir isso. Por favor, me desculpe. Vou interrogá-la.” Luxion voou para longe, me deixando para trás.

Uma rampa se estendia lentamente do navio. Acenei meus braços para as silhuetas que vinham descendo.

“Ei, vocês duas!” eu chamei.

Faz tanto tempo desde a última vez que nos vimos. Se eu correr até elas, tenho certeza de que vão sorrir e me receber de braços abertos.

—hm? Isso é estranho.

Minhas noivas estavam sorrindo, mas havia algo estranho em suas expressões...

‘Droga, o que eu fiz de errado?!’ Um arrepio percorreu minha espinha e eu me encolhi.

"O-o que há com vocês hoje?" perguntei.

"Seus sorrisos estão parecendo terrivelmente assustadores."

Livia se aproximou, pressionando seu rosto perto do meu — perto demais. Nossos narizes quase se tocaram.

“Já faz um tempo, Sr. Leon.” Seus lábios se abriram em um sorriso que rapidamente desapareceu.

“A propósito, você não está escondendo nada de nós, está?”

Meus olhos se arregalaram.

Escondendo alguma coisa? Sim, de fato — tantas coisas que eu não conseguia acompanhar.

Sobre qual delas ela estava perguntando?

"Uh, o que você quer dizer?"

Falar sobre tudo isso aqui só poderia significar problemas.

Virei meu olhar para Angie.

Ela também estava sorrindo.

“Estou aliviada em ver que você está indo tão bem. Bem demais, na verdade. Agora Leon, acho que é hora de você nos contar tudo.”

Luxion deveria ser meu salvador em momentos como esses, infelizmente ele desapareceu dentro da nave e ainda não retornou.

‘Tire sua bunda dai Luxion! Se alguma vez houve um momento em que eu precisei que alguém aparecesse, esse momento seria agora. Por favor! Apresse-se!’

Apesar de todos os meus pedidos, meu desejo não era cumprindo. Nossos pensamentos nem estavam na mesma sintonia, para meu desgosto. Não foi surpresa que minhas preces não o alcançaram.

Livia agarrou-se ao meu braço.

Fisicamente, eu poderia tê-la afastado, mas seu domínio emocional sobre mim era inabalável.

“Sr. Leon, primeiro, eu gostaria de ver sua residência aqui.”

Angie enfiou o braço no meu braço desocupado, pressionando os lábios perto do meu ouvido enquanto sussurrava:

"Já terminamos todos os outros assuntos que tínhamos planejado para as férias de verão, então viemos visitar. Não ouse pensar que pode escapar de nós."

‘O que diabos eu fiz?!’

Muita coisa aconteceu desde a última vez que as vi. Eu não conseguia nem começar a entender o que exatamente havia despertado a raiva delas.

‘Poderia ser porque eu fiz uma bagunça política aqui? Ou porque eu trabalhei com Julius e os meninos como cães? Não, não pode ser o último. Eles não ficariam chateados com isso. Talvez tenha sido a carta vergonhosa que escrevi para a Srta. Mylene? Ah, sim, eu também enviei um presente para a Srta. Clarice. Talvez tenha sido uma má ideia? Pensando bem, eu também fui às compras com a Srta. Deirdre enquanto ela estava visitando a negócios diplomáticos. Eu até fiz um chá para ela e nós fomos a um restaurante bem caro uma noite para jantar.’

‘Vamos ver, o que mais... Ah, sim! Talvez seja porque estou pagando as despesas diárias de Marie? Isso provavelmente resolveria. Ou não? Se soubessem das circunstâncias, tenho certeza de que simpatizariam — não, ok. Não simpatizariam.’

Marie havia roubado o antigo noivo de Angie. Era um exagero pensar que Angie ou Livia sentiriam alguma compaixão por ela depois disso.

‘Droga! Elas podem ficar chateadas com qualquer uma dessas coisas. Eu estou totalmente perdido!’

“Sr. Leon, por favor seja completamente honesto conosco.”

“E é melhor você se preparar. Dependendo de como você responder, eu posso ter que arregaçar as mangas.”

Elas começaram a me arrastar para longe do porto.

‘O que foi que eu fiz para chatear vocês, meninas?!’

***

As coisas não estavam menos agitadas na casa de Marie.

Finalmente eram férias de verão, o que significava que Marie tinha que cuidar dos cinco filhos da manhã até a noite.

“Ei! Eu tinha um pouco de sopa reservada para o almoço. Quem comeu tudo?!”

Como ela tinha que preparar as três refeições para todos agora, ela acordou cedo para fazer uma enorme panela de sopa.

Ela esperava que durasse até o jantar — ok, pelo menos o almoço.

Leon tinha ido embora pela manhã, mas ela ainda tinha cinco meninos em crescimento para alimentar. Além da sopa, o pão e o presunto também estavam visivelmente faltando. Quem quer que tivesse comido, tinha ido embora e deixado seus talheres e pratos expostos.

‘Não posso... não posso acreditar neles! Certamente eles sabem como eu tenho quebrado as costas esta manhã limpando a casa toda!’

Leon a informou que Angie e Livia viriam, então ela rapidamente começou a arrumar o lugar.

Kyle — um garoto meio-elfo que agia como servo de Marie — e Carla se juntaram a suas tentativas desesperadas de deixar a mansão apresentável. Quando o meio-dia finalmente chegou, ela decidiu verificar as coisas na cozinha, o que a levou à sopa que magicamente desapareceu.

Jilk — que aparentemente estava preparando chá, se o bule em sua mão fosse alguma indicação — correu para ver o que era toda aquela confusão.

"O que foi, Srta. Marie?"

Ela se virou para ele e apontou um dedo trêmulo em direção à cozinha.

“Aquela sopa era para ser nosso almoço. Quem comeu?”

Faltava menos de uma hora para o almoço.

Seria quase impossível preparar uma refeição a tempo agora, especialmente considerando quantas bocas ela tinha para alimentar.

Eles nem tinham ingredientes suficientes em casa no momento.

Ela precisaria ir ao mercado primeiro.

Na pior das hipóteses, tinha planejado alimentar os meninos e levar Kyle e Carla para comer com ela. Mas ela não iria deixá-los escapar por terem se esgueirado em uma refeição não planejada.

“Ah, isso?” Jilk perguntou timidamente.

“Bem, veja bem, Greg mencionou que estava com um pouco de fome…”

“Entendo. Então Greg é o culpado.”

“Não. Também estávamos com fome, então nós cinco tentamos olhar ao redor para ver o que poderíamos arranjar” Jilk respondeu completamente pragmática, completamente alheio à sua ira.

“Descobrimos um pouco de sopa em uma panela, mas parecia um pouco sem graça, então pegamos um pouco de pão e presunto e fizemos uma refeição. É divertido fazer algo por conta própria de vez em quando.”

Os olhos de Marie se arregalaram.

Seu corpo minúsculo inchou com raiva reprimida enquanto ela debatia a melhor forma de descontar neles.

Vocês não fizeram nada! Vocês só pegaram o que já estava lá! E agora, idiotas, o que vocês vão fazer no almoço?!’

Marie reprimiu a vontade de gritar, optando em vez disso por reunir os meninos para que ela pudesse dar-lhes um sermão.

“Jilk, chame todo mundo aqui. Eu cometi um erro. Já que estamos todos vivendo aqui juntos, eu deveria ter lhe ensinado o básico da vida comunitária antes.”

Marie ficou envergonhada de admitir, mas ela pensou que essas coisas eram senso comum que todos os outros simplesmente intuiriam.

Em retrospecto, ela deveria ter explicado para eles.

Seus dias no exterior tinham sido tão ocupados que ela tinha deixado essas questões passarem sem confrontá-las adequadamente.

Infelizmente, seus planos não eram para se realizar.

“Perdão? Todos eles saíram.”

Aparentemente Jilk era a única que ainda estava em casa.

“O que você quer dizer com 'todos eles saíram'?!” Marie estava perdendo a cabeça.

Ela, Kyle e Carla trabalharam a manhã toda para arrumar o lugar e os meninos saíram para se divertir na cidade?

“Senhorita Marie, por favor acalme-se” Jilk arrulhou gentilmente.

“É quase hora do almoço. Você não está começando a sentir um pouco de fome? Tenho os lanches perfeitos para a ocasião e eu estava prestes a servir um pouco de chá também. Por que você não relaxa comigo antes do almoço?”

Ela ainda estava furiosa, mas também não conseguia esconder o ronco do seu estômago.

Por enquanto, Marie decidiu se acalmar e aceitar a oferta.

“Tudo bem. Embora, a pergunta maior que eu tenho é onde você conseguiu esses lanches. Nós terminamos tudo que meu irm— quer dizer, Leon — nos deu ontem.”

O hobby de Leon era chá — chás, folhas de chá, bules e xícaras de chá — tudo isso. Ele frequentemente comprava salgadinhos para acompanhar.

Como Marie dividia os despojos, ela dificilmente podia reclamar, mas a irritava vê-lo desperdiçar seu dinheiro em doces caros.

No entanto, Leon era quem os sustentava financeiramente, então não era da conta dela julgar seus hábitos de consumo.

Os dois saíram da cozinha e entraram no refeitório, onde Jilk já tinha o chá preparado. O queixo de Marie caiu quando ela olhou para a mesa.

“O que é tudo isso?!”

Um conjunto de chá e lanches não eram nada estranhos, mas havia muito do último. Alguns estavam em caixas de metal chiques empilhadas como torres e todos pareciam caros.

“Na verdade, voltei para casa com eles há poucos momentos” gabou-se Jilk, cego ao horror de Marie.

“O lugar que fui visitar tinha o conjunto de chá perfeito, então o peguei e decidi comprar algumas folhas e salgadinhos para acompanhar.”

Ele não só gastou dinheiro em doces, mas também comprou um jogo de chá e folhas de chá? O corpo inteiro de Marie tremeu.

“Você comprou isso?! Onde você conseguiu o dinheiro?”

Embora ela tenha dado uma pequena mesada aos meninos, isso não teria sido suficiente para cobrir esse tipo de despesa.

Jilk franziu as sobrancelhas.

“Hm? Ah. Enquanto procurávamos algo para comer, por acaso encontramos algum dinheiro. Dividimos entre nós antes de sair. Afinal, é padrão para um grupo dividir o tesouro.”

Se Marie estivesse mais distante da situação, ela poderia ter notado como o comportamento dos meninos se assemelhava ao de seus antepassados aventureiros. Uma coisa era tratar a busca por comida como uma caça ao tesouro, mas não era nada divertido para ele comparar o dinheiro que eles encontraram a um tesouro de uma masmorra.

O único dinheiro substancial que alguém poderia ter encontrado espalhado pela mansão eram as economias de Marie — em outras palavras, o dinheiro que Leon havia alocado para suas despesas diárias.

Marie saiu voando do refeitório, correndo loucamente para o cômodo onde guardava seu dinheiro.

Ela havia baixado a guarda, pois conhecia todos na casa e em vez de colocar seu dinheiro em um cofre, ela simplesmente o guardou em uma gaveta de fundo falso.

Ela a abriu agora e a encontrou vazia.

Em cima da mesa estava seu livro de contabilidade, que ela havia examinado atentamente enquanto debatia a melhor forma de orçar suas despesas.

Tudo tinha sido em vão.

"Nãooooooooo!"

Não sobrou nem uma única moeda.

Marie caiu no chão, seus joelhos batendo contra o chão. O barulho chamou a atenção de Noelle enquanto ela passava pela sala, embalando a Muda da Árvore Sagrada em sua caixa transparente em seus braços.

"Rie? O que foi?" ela perguntou, correndo.

Marie começou a entrar em pânico por um motivo bem diferente.

Caramba! Por que Noelle está aqui? Ouvi dizer que ela voltaria para casa hoje!’

Angie e Livia viriam mais tarde e era por isso que Marie não queria Noelle por perto. Leon ainda não tinha percebido que Noelle tinha sentimentos por ele.

Noelle colocou o estojo com a muda debaixo do braço e ajudou a tirar Marie do chão.

“O que aconteceu? Você estava gritando como se fosse o fim do mundo.”

“O-oh, isso. Não é nada. Só que, você sabe... um problema bem grande surgiu.”

“Isso não parece nada!”

“N-não se preocupe. Eu cuido disso! De qualquer forma, esqueça isso. Por que você ainda está aqui? Você não ia voltar para casa hoje?”

Leon voltaria a qualquer momento.

Ela precisava tirar Noelle de casa — e rápido. Se as coisas tivessem sido diferentes, Marie teria sido direta com Noelle e a convencido a desistir de Leon… Mas Noelle era uma pessoa tão boa, e toda vez que Marie via o jeito que ela olhava para Leon, ela não conseguia encontrar as palavras.

Ela não queria partir o coração da garota.

É verdade que essa não foi a única razão para Marie ficar calada.

O outro motivo foi que, como protagonista do segundo jogo, Noelle tinha o hábito de atrair os homens errados.

‘Infelizmente, esse foi um péssimo momento.’

‘Por que eu tenho que passar por tantos obstáculos pelo meu irmão cabeça dura?!’

‘Aquele idiota. Ele vai reclamar sobre o quanto odeia protagonistas idiotas, mas ele não é mais intuitivo do que elas!’

Leon estava completamente alheio aos sentimentos de Noelle. Como sua irmã — ou tecnicamente, irmã em seu mundo anterior — Marie estava envergonhada.

Noelle corou.

“Ah, hum, esqueci de deixar esta pequena onde pudesse pegar um pouco de sol.” Ela levantou a muda.

Seu rosto se suavizou, seus olhos calorosos enquanto ela olhava para ela. Para Marie, quase parecia que o protagonista tinha se apaixonado pelo item-chave do jogo.

“Uh, ok. Bem, é melhor você se apressar—ack?!”

Bem quando Marie estava prestes a encontrar uma desculpa para espantar Noelle para fora da porta, a muda começou a brilhar fracamente. As costas da mão direita de Noelle brilharam intensamente, um selo apareceu em sua pele.

As lembranças de Marie do segundo jogo já estavam quase apagadas, mas ela reconheceu o Brasão da Sacerdotisa.

Noelle ficou boquiaberta por um momento, mas seu rosto logo relaxou e suas bochechas coraram.

Marie havia transcendido o pânico e agora estava perdida em confusão.

Espere.’

‘Espere um minuto! Por que isso aconteceria agora? O que significa para ela receber de repente o Emblema da sacerdotisa do nada? E não me diga... isso significa que o parceiro dela deve ser...’

Noelle olhou para as costas da mão e murmurou.

“Agora, se um brasão aparecer em Leon também, isso significará que nossos sentimentos são mútuos, não é?”

‘Ah, não. Ah, droga! Ninguém contou a ela que Leon já tem o Brasão do Guardião!’

Todos os problemas que Marie tinha deixado de lado estavam começando a se mover por conta própria e na pior direção imaginável.

Ela queria desmoronar e chorar.

Como se as coisas não estivessem ruins o suficiente—

“Estamos em casa! Hein? Onde estão todos?”

Uma voz despreocupada chamou da entrada da frente. A voz de Leon, para ser mais preciso.

As sobrancelhas de Noelle se ergueram. Ela estendeu a mão para Marie e a arrastou para fora do quarto.

“Rie” ela disse, “por enquanto, acho que é melhor você descansar.”

“Sim. Sim… Estou meio que no meu limite.”

Leon voltou na pior hora possível. Marie não aguentava mais.

Como isso vai acabar? Eu quero mesmo saber?’

***

Depois de escoltar Marie até seu quarto, Noelle se virou para encontrar Leon, a muda ainda na mão. Se o mesmo brasão aparecesse nele, ela sabia que isso significaria que seus sentimentos eram quase correspondidos.

A família Lespinasse, outrora parte das Sete Grandes Casas, havia produzido muitas Sacerdotisas e eles passaram uma certa lenda de uma geração para a outra. De acordo com esse conto, a Sacerdotisa se apaixonaria por um jovem que possuía o poder condizente com um Guardião.

Quando criança, Noelle não dava muito crédito a isso.

Casamentos políticos eram a norma em seu mundo. Ela não achava que uma história romântica pudesse ser verdade. Ao mesmo tempo, ela se viu torcendo para que fosse.

Agora, ela estava prestes a ver esse desejo se tornar realidade.

Noelle começou a descer as escadas, apertando a caixa transparente contra o peito.

“Por favor, pequena muda, faça meu desejo se tornar realidade.”

Quando chegou, Leon era apenas um misterioso estudante de intercâmbio do Reino de Holfort, mas rapidamente se tornou um aliado confiável. Sua coragem em começar uma briga com as Seis Grandes Casas foi impressionante o suficiente, mas não foi só bravata; Leon tinha o poder de realmente enfrentá-los.

Verdade, Leon tinha seus problemas, mas Noelle não gostava menos dele por isso.

Quando ela precisava de ajuda, ele estava lá.

Ele tinha uma língua um pouco grosseira, mas era tão mente aberta.

Apesar de ter nascido na aristocracia, Noelle foi criada como uma plebéia. Seus valores tendiam a pender mais para a última classe como resultado, mas Leon não tinha problemas em se dar bem com ela por causa disso.

Na verdade, ela se sentia mais à vontade quando estava com ele e, se pudesse, queria ficar ao seu lado para sempre.

Noelle amava Leon.

Infelizmente, enquanto descia as escadas, ela ouviu uma voz na porta da frente — uma voz de mulher.

“Sério? Fiquei chocada quando soube que você estava morando com Marie, mas nunca imaginei que algo assim tivesse acontecido. Você deveria ter nos contado o que estava acontecendo antes.”

A mulher em questão usava um vestido vermelho e estava extremamente próxima de Leon. A maneira como ela olhou para Leon atingiu Noelle com uma percepção.

‘Não pode ser…’

Apesar do ar obstinado da mulher, seus olhos estavam completamente ternos enquanto ela o fitava.

E do outro lado de Leon estava outra garota, uma que dava a impressão completamente oposta de seu parceiro. Embora parecesse inocente e inofensiva na superfície, seus olhos ardiam de ciúmes.

Ela também estava agarrada firmemente ao braço de Leon.

“Angie está certa. Honestamente, você tem ideia do quanto nos preocupou?” Por mais brava que estivesse, a garota ainda cutucava Leon por atenção — e ele não teve problema em atendê-la.

“Minha culpa. As coisas estavam realmente agitadas aqui e só começaram a esfriar recentemente. Mas sim, eu deveria ter avisado vocês antes.”

Havia uma gentileza nos olhos de Leon enquanto ele olhava entre as duas garotas — uma gentileza que Noelle nunca havia recebido.

Quando Leon a notou parada ali, ele falou com ela do mesmo jeito que sempre fazia.

"Ah? Pensei que você fosse voltar para casa hoje, Noelle. Opa, esqueci de apresentar vocês. Essas são minhas noivas, Angie e Livia.”

O peito de Noelle doía.

Ela agora sabia que Leon nunca a havia tratado como uma mulher — apenas como uma amiga.

Ela nunca tinha ouvido falar que ele já estava noivo.

‘O quê? Então eu era o único sentindo borboletas?’

Noelle colocou um sorriso ensaiado no rosto.

“Prazer em conhecê-las!” ela disse alegremente.

“Meu nome é Noelle e vou ficar aqui por enquanto. Embora o mais importante, Leon, se você tem noivas tão adoráveis, você não deveria andar perto de alguém como eu. Isso vai dar às pessoas a ideia errada.”

Noelle fez o possível para deixar claro seu relacionamento com Leon, para que as outras garotas não a interpretassem mal.

Angie sorriu.

“Eu ouvi. Você passou por muita coisa.” Sua simpatia significava que ela devia ter ouvido falar de Loic.

Livia, por outro lado, pareceu notar algo errado, embora não tenha deixado escapar.

“Hum, eu sou Olivia. Obrigada por cuidar dele para nós.”

“Ah, não, você não precisa me agradecer. Era ele quem estava cuidando de mim.”

Noelle continuou sorrindo o tempo todo, mas ela realmente só queria desaparecer. Ela se arrastou até Leon e entregou a maleta para ele.

“O que há de errado?” Leon franziu as sobrancelhas.

Por mais que a falta de noção dele irritasse Noelle, ela estava ainda mais brava consigo mesma.

"D-desculpe, mas eu tenho que ir para casa agora."

Noelle segurou as lágrimas até escapar pela porta. Ela correu o resto do caminho para casa, soluçando.

Já fazia muito tempo que ela não voltava. Surpreendentemente, Lelia estava lá e ela até tentou puxar assunto. Mas Noelle a ignorou, recuando para seu quarto, onde enterrou o rosto em um travesseiro.