Capítulo 11

Publicado em 02/12/2024

Noelle olhou para seu reflexo no espelho. Seu vestido de noiva era lindo, mas a gola em volta do pescoço tirava seu esplendor.

Enquanto os criados terminavam de cobri-lo com acessórios, Lelia apareceu de repente.

“Ei, irmã…” O rosto de Lelia estava marcado pela preocupação. Noelle sorriu para ela.

“Qual é o problema?”

“V-você está bem?”

‘Que parte disso parece boa para você?’ Noelle pensou, mas nesse assunto ela segurou a língua.

“Oh, estou um pouco nervosa, mas é só isso. Você deveria agir um pouco mais animada. Com isso, nós duas seremos parte da nobreza novamente.”

Lelia abaixou o olhar.

Os servos da Casa Barielle estavam todos ao redor delas. Nenhuma das irmãs conseguia dizer o que realmente estava em sua mente. Mas Noelle sentia que devia um pedido de desculpas à irmã.

“Sinto muito” ela disse.

“Se eu não tivesse sido descoberta, você não teria se envolvido em tudo isso.”

“E-eu estou bem. Você é quem eu estou—” Lelia balançou a cabeça.

“Lady Noelle, está na hora” um servo interrompeu.

“Por favor, desculpe-se, Lady Lelia.”

Assim que sua irmã gêmea mais nova se foi, o último traço de emoção desapareceu do rosto de Noelle. Ela era como qualquer outra garota — ela havia fantasiado por muito tempo sobre como ela ficaria em um vestido de noiva.

Mas agora que estava usando um, tudo o que ela sentia era imensa tristeza.

Seus olhos ficaram marejados.

‘Por que as coisas tiveram que chegar a esse ponto?’

Um brasão era tudo o que era preciso para mudar completamente a vida de uma pessoa. Ela odiava isso.

***

O salão de assembleia era enorme. Fileiras de pilares que lembravam árvores enormes sustentavam um teto alto.

A luz entrava pelos vitrais pintados com imagens da Árvore Sagrada.

Noelle andava lentamente por uma passarela iluminada, cercada por procissão por todos os lados. Cada membro da plateia carregava um brasão — todos eram os "escolhidos" da Árvore Sagrada, ali para celebrar o renascimento de sua nova Sacerdotisa e futura Guardiã.

Nenhum deles olhou para Noelle, o ser humano.

‘Nenhum deles tem o menor interesse em mim como pessoa.’

Tudo o que importava era o brasão dela e o título que ele lhe dava. Eles só queriam recuperar o que tinham perdido — uma ponte entre eles e a Árvore Sagrada. Nenhum deles tinha qualquer consideração pela felicidade dela. A maioria presumiu que ela ficaria feliz em se casar com Loic.

‘Não era isso que eu queria. O que eu realmente queria era…’

Mesmo que Noelle entretivesse outros futuros, ninguém mais poderia tomar seu lugar. Ela já havia perdido seu direito à liberdade.

‘Eu fui uma idiota por agir toda animada quando o brasão apareceu pela primeira vez. Eu deveria saber que esse era o verdadeiro destino que me esperava como Sacerdotisa. Eu vou ficar amarrada àquela árvore pelo resto da minha vida.’

O futuro que ela esperava nunca se concretizaria.

‘O que era aquela lenda boba sobre a Sacerdotisa ser capaz de viver com a pessoa que ama? Nada além de mentiras.’

As únicas razões pelas quais ela não tentou correr foram a coleira em volta do pescoço e seu medo do que aconteceria ao país em sua ausência.

Noelle não tinha amor pela nobreza.

Mesmo que poucos fossem tão extremos em suas ações quanto Pierre, todos eles ainda eram presunçosos.

Sem exceção, em uma crise, o povo era quem sofria. Aristocratas lutavam e lutavam suas batalhas defensivas com outras nações, nunca se importando que as pessoas comuns pagassem o preço.

As pessoas que morriam no campo não tinham brasões. Nobres raramente eram mortos em batalha, mesmo que apenas por causa da proteção que a Árvore Sagrada lhes havia concedido.

Noelle amava a república, mas odiava os nobres que detinham seu poder.

Mas ela sabia que se tornar sacerdotisa era pelo bem do povo também.

‘Eu queria poder ter escolhido meu Guardião pelo menos. Por que tem que ser Loic?’

Quando ela finalmente chegou ao altar, ela se viu diante de uma estátua da Árvore Sagrada.

Bellange estava ao lado dela.

Como a Árvore Sagrada era considerada santa e divina, os mais próximos dela — aqueles das Seis Grandes Casas — agiam como sacerdotes, ou representantes da vontade da árvore.

O brasão de Bellange se manifestou atrás dele como uma luz pairando no ar.

Em cerimônias como essa, o padre sempre deixava seu brasão visível para que os presentes soubessem que eles agiam como testemunhas da Árvore Sagrada. Em dias como hoje, líderes de casas como Bellange eram sempre aqueles que detinham esse poder.

“Vocês parecem perfeitos juntos” Bellange sussurrou.

“Agora, Sacerdotisa, devo pedir que você dê a Loic o Brasão do Guardião. Você entende como fazer isso, não entende?”

Eles a informaram do processo de antemão. Ela só precisava chamar silenciosamente a Árvore Sagrada e dizer:

“Este homem é o mais adequado para ser seu Guardião.”

Noelle virou seu olhar para Loic.

Ela juntou as mãos e fechou os olhos. Interiormente, ela hesitou.

Era realmente certo dar a ele o Brasão de Guardião? Mas ela não tinha outra escolha.

‘Árvore Sagrada, este homem será seu Guardião. Por favor, eu imploro, conceda o brasão a ele.’

Enquanto ela orava, a crista nas costas de sua mão se iluminou e atrás dela apareceu a imagem da muda — com apenas três metros de altura. Os presentes ficaram boquiabertos, impressionados com o espetáculo.

“Finalmente está acontecendo!”

“O futuro da república parece promissor!”

“E o brasão do Guardião? É…?”

Entretanto, enquanto o brasão de Noelle se iluminou, nada mais aconteceu.

Normalmente, o Brasão do Guardião deveria aparecer na mão de Loic, mas não apareceu. Com ele, o noivado deles seria oficialmente selado e o casamento poderia começar, mas mesmo depois de esperar vários minutos, nada aconteceu.

Loic cerrou os dentes.

“Noelle, você realmente pretende me trair aqui?”

E-eu estou fazendo o que você pediu! Eu juro!” Noelle tentou novamente, desejando ainda mais dessa vez.

‘Árvore Sagrada, por favor, ouça minha voz. O homem na minha frente é seu Guardião. Ele é quem vai te proteger.’

Noelle implorou desesperadamente à Árvore Sagrada, mas ela se recusou a dar a crista a Loic.

Em vez disso, o que soou como a voz de uma jovem garota — uma que somente Noelle conseguia ouvir — respondeu a ela.

Era a muda.

Embora suas palavras fossem desajeitadamente remendadas e difíceis de decifrar, Noelle teve a impressão de que ela estava rejeitando suas exigências em termos inequívocos.

Os olhos dela se abriram.

“O quê…?” Em sua surpresa, ela abaixou as mãos.

“Sacerdotisa, você poderia se apressar?” Bellange disse em pânico.

“Você está com vergonha de fazer isso na frente de tal público?”

Noelle balançou a cabeça. Ela não estava tentando ser obstinada, mas a Árvore Sagrada não atenderia seu pedido.

"N-não. Eu rezei como você me pediu, m-mas ela me recusou."

A sala, que estava completamente silenciosa, irrompeu em sussurros.

Loic franziu as sobrancelhas e agarrou Noelle pelo pescoço.

“Então, mais uma vez, você escolheu me desafiar!”

Ela agarrou uma das mãos dele com as duas dela, mas não conseguiu tirá-lo. Logo, ele estava a sufocando.

Quando um tumulto começou, Bellange avançou para tentar parar seu filho, mas o brasão de Loic apareceu, circulando-os em chamas para que ninguém pudesse se aproximar — nem mesmo Bellange.

“Loic, pare! Não ouse matá-la!” Os dedos de Loic cravaram-se na pele de Noelle.

“Ungh…”

Noelle não tinha ar suficiente para falar, então tudo o que ela conseguiu fazer foi grunhir.

Ele sorriu maniacamente para ela.

“Se você nunca fosse ser minha, eu deveria ter feito isso antes.”

Noelle se preparou interiormente, sabendo que poderia morrer, mas então aquela voz de antes a chamou novamente, sua pronúncia tão infantil quanto a de uma criança ainda aprendendo a falar.

‘O Guardião virá’ ela disse.

Ele virá para proteger você!’

‘O Guardião?’ Noelle pensou, cética.

Mas eu não escolhi nenhum Guardião. Como alguém chegaria a—'

Era difícil pensar na dor do aperto esmagador de Loic e as chamas que ele produziu queimaram a cauda do vestido dela.

De repente, o teto de vidro se estilhaçou e uma armadura preta passou por ele.

Arroganz!’

A voz de Leon ecoou pelo salão de assembleia.

“Eu vim para pegar minha noiva de volta!”

Ele certamente parecia alegre.

Com a entrada de Arroganz, o vento chicoteou a sala, apagando as chamas.

A rajada foi forte o suficiente para derrubar Loic e fazer Noelle cair. Ela esticou o pescoço para ver Leon sair de sua armadura, vestido com um smoking branco.

‘Na verdade, ficou muito bom nele.’

Noelle percebeu o quão confuso era pensar uma coisa dessas naquele momento e ela estava mortificada por estar tão feliz em vê-lo.

Loic olhou feio para Leon.

“O que você está fazendo aqui?!” ele cuspiu.

“Não me diga que você está aqui para sequestrar minha noiva? Como você ousa aparecer de smoking branco! Devo fazer seu país lhe dar um sermão sobre etiqueta adequada?!”

A plateia vaiou Leon, mas ele não pareceu se importar. Ele simplesmente sacou uma arma, mirou e começou a atirar balas de borracha na multidão.

Eles gritaram de terror.

Para o choque de todos, ele então disse:

“É sempre assim — sempre o pecador que age como se fosse o injustiçado. Essa etiqueta da qual você fala, inclui roubar a noiva de outra pessoa e forçá-la a um casamento que ela não quer? Essa é a definição alzeriana? Engraçado, você chama o resto de nós de selvagens, mas eu diria que vocês são os verdadeiros homens das cavernas aqui. Talvez você queira dar uma boa olhada no espelho para variar.”

Ninguém tinha ideia do que ele estava falando.

“Que bobagem você está falando—e ousa invadir uma cerimônia importante com sua armadura?! Como você conseguiu entrar aqui? Isso o templo deveria ser cercado por uma armada de—”

“Ah, eles? Eles eram um verdadeiro pé no saco, na verdade. Tivemos que entrar aqui ontem porque alguém — não vou citar nomes — estava vigiando nossa mansão. Armar esse pequeno truque foi um verdadeiro matador de tempo.” Leon sorriu.

Loic estalou a língua e virou-se para os soldados que entraram em disparada.

“Matem-no!”

Leon cometeu um erro terrível ao sair de sua armadura, ele ficou completamente vulnerável.

Noelle gritou:

“Leon, corra!”

Isso só deixou Loic irritado. Ele levou a mão esquerda para perto do peito, fazendo com que a corrente conectada à coleira de Noelle reaparecesse. Com ela, ele a puxou para si e envolveu um braço em volta da garganta dela para silenciá-la.

“Chega!” Loic rosnou.

Leon jogou sua arma na cabine de Arroganz.

Os soldados atiraram nele, mas uma parede invisível bloqueou todas as balas. Leon tirou uma de suas luvas brancas e estendeu sua mão direita em direção a Loic.

“Pare de agir tão cheio de si” disse Leon.

“É hora de você se curvar.”

Enquanto ele falava, um enorme círculo mágico apareceu atrás de Leon — ou melhor, atrás de Arroganz.

Era o brasão do guardião e tinha quase seis metros de altura. Enquanto brilhava com luz verde, o público ficou sem palavras.

Noelle ficou tão chocada quanto todos os outros.

Por que ele tem o Brasão do Guardião? Eu nem escolhi ninguém ainda.’

Naquele momento, ela finalmente percebeu o que a muda tinha feito.

***

Louise observou silenciosamente enquanto a luz do brasão do guardião de Leon se derramava sobre ela. Hugues entrou em pânico ao lado dela, mas ela o ignorou.

“Por que ele tem o brasão do guardião?! Louise, você sabia sobre isso?!"

Na noite em que sua casa negociou uma aliança com Leon, Louise retornou ao seu lugar na propriedade Druille em vez de ir para casa como seu pai queria. Tudo tinha sido para ajudar a estabelecer as bases para o esquema de Leon.

Mais importante do que o que a trouxe até aquele ponto, no entanto, era a aparência de Leon naquele momento.

‘Leon…’

Ele a lembrava muito de seu irmão — Leon Sara Rault.

Pouco antes de sua morte, quando seu noivado com Noelle foi finalizado, ele se emocionou sobre se tornar o próximo Guardião. O pai deles o ouviu com um olhar preocupado no rosto, Louise se lembrou, mas ele certamente ficou feliz que seu filho seria capaz de garantir a posição que ele perdeu.

Ela até se lembrou de uma conversa que teve com seu irmãozinho.

‘Sim, tenho quase certeza… Leon me disse…’

O jovem garoto disse:

“Irmã mais velha, eu serei o próximo Guardião! Muito incrível, hein?!”

“Incrível, claro, mas eu me pergunto se você realmente conseguirá receber o título ou não. O Guardião supostamente é uma pessoa extraordinária, sabia?”

“Eu definitivamente posso! E então, eu serei capaz de proteger a todos!”

“Todos?”

“Sim! A Árvore Sagrada, a Sacerdotisa, os nobres e o povo comum—todas as pessoas de Alzer!”

"Você realmente acha que é capaz disso? Você não consegue nem me vencer agora" ela provocou.

“B-bem, eu vou ficar bom o suficiente para te derrotar em breve! E então eu vou poder te salvar também, irmã!”

“Se você diz. Não espero muito, mas teremos que esperar e ver."

“Eu vou fazer você engolir essas palavras! Eu juro que serei aquele que virá salvar você algum dia!”

Louise prontamente o abraçou, encantada com sua declaração.

Poucos meses depois, Leon morreu. Ele foi enterrado sob uma lápide fria e choveu no dia do funeral.

Naquele dia, enquanto usava seu vestido preto de luto, Louise ficou em frente ao túmulo dele e sussurrou:

“Seu grande mentiroso. Você prometeu que me salvaria um dia. Como você vai fazer isso se você se foi?”

O irmão dela não tinha vivido o suficiente para se tornar o Guardião, muito menos para salvar centenas de pessoas. Ele nem mesmo tinha conseguido se salvar. Mas diante dela agora estava Leon, carregando o Brasão do Guardião.

‘Leon…’

Apesar de ser um estrangeiro que tinha vindo ao país apenas para estudar no exterior, Leon transmitia ordens aos soldados da república como se estivessem sob seu comando.

“Vocês não me ouviram da primeira vez? Bando de vermes desrespeitosos. Você está diante do Brasão do Guardião! Curve-se!”

Ele certamente estava longe da imagem de um Guardião que viera para libertá-los da salvação.

***

Os alzerianos diante de mim ficaram estupefatos. Eu tinha aparecido diante deles tão de repente — portando o brasão do Guardião — que nenhum deles sabia o que fazer com ele.

Bellange ficou boquiaberto.

Ele tentou piscar, como se achasse que estava imaginando o brasão atrás de mim, mas não importava quantas vezes ele fizesse isso, a imagem permanecia.

“Agora, acho que é hora de vocês, ladrões, me devolverem minha noiva. Vocês sabem que o Guardião e a Sacerdotisa são um par, certo? O que significa que vocês tentaram roubar Noelle. Esse é um comportamento bem bárbaro, não importa como você o veja.”

Pela ideologia da república, Loic era o ladrão de noivas aqui, não eu.

‘Embora a verdade seja que sou eu quem está roubando.’

“Vocês são muito arrogantes, planejando um casamento tão extravagante” continuei.

“Vocês honestamente acharam que Loic seria escolhido como seu Guardião? Não seja bobo. Nunca houve chance disso.”

Eu estava tendo um dia de campo, dando uma surra neles. Eles me irritaram tantas vezes que eu estava descontando toda a minha raiva neles. Eu até vi Lambert na multidão, rangendo os dentes de frustração.

“Simplificando, o Guardião tem que ser alguém forte o suficiente para proteger a Árvore Sagrada, certo?” Eu perguntei.

“Normalmente, isso significa que alguém das Seis Grandes Casas tem a maior probabilidade de ser escolhido — ainda assim, apesar de tanto bufê para escolher, ele me escolheu. Isso não significa basicamente que vocês eram tão pouco confiáveis que ela não tinha outras opções? Ei, você sabe, isso também significa que a Árvore Sagrada reconheceu que eu sou mais forte do que qualquer uma de suas grandes casas nobres.”

“Pare com essa merda!”

“Que insolência!”

“Porco arrogante!”

Xingamentos irromperam da multidão, mas para mim, soaram pouco mais que o lamento de um bando de perdedores.

Afinal, era isso que eles eram.

“Esses são os fatos, certo? Quero dizer, pensem nisso… Por que a Árvore Sagrada não escolheu nenhum de vocês como Sacerdotisa ou Guardião?”

Eu estava tocando em um assunto que a maioria das pessoas ignorava completamente e foi por isso que todos ficaram em silêncio e ouviram.

‘Ah, isso é incrível — uma oportunidade perfeita para me soltar e irritar todos eles no processo. Sim, é realmente incrível antagonizar e dar sermões às pessoas como se eu fosse superior a elas! Eu odeio ser o único a receber essa porcaria, mas caramba é incrível ser o único a fazer isso!’

“A Árvore Sagrada deve escolher alguém que possa protegê-la, certo? Isso significa que nenhum de vocês estava à altura. Esqueça a muda, a própria Árvore Sagrada basicamente abandonou vocês, idiotas, não foi?” Eu gargalhei, provocando ainda mais a raiva deles.

“Mas acho que vocês não podem ser realmente culpados, podem? Afinal, vocês eram tão fracos que perderam para um estranho como eu. Não é de se admirar que a Árvore Sagrada tenha cortado vocês, uma vez que percebeu que vocês são basicamente completamente não confiáveis.”

‘Uh-oh, eu toquei em algum nervo? Vocês todos parecem tão vermelhos! Nesse caso, vou enfiar o prego mais fundo!’

“Não chorem comigo por estar certo. Eu só vim aqui para resgatar Noelle. Estou tentando fazer isso pacificamente, ver todos vocês dando um chilique foi um choque de verdade.”

O traidor, Fernand, franziu o cenho enquanto me encarava.

“Nossas desculpas pela recepção morna. Não prevíamos exatamente essa reviravolta. Se possível, gostaríamos que você viesse falar conosco.”

‘É, tudo bem, não tenho o hábito de confiar em traidores.’

“Não há nada para falar. Entregue a Sacerdotisa, pura e simplesmente. É meu dever protegê-la e à muda. E se vocês, bandidos, não obedecerem Sappie vai ficar toda irritada com isso.”

Fernand abriu a boca, sem dúvida para discutir comigo, mas Loic perdeu a paciência e interrompeu antes que pudesse fazê-lo.

“Você só falou bobagens esse tempo todo! Eu fui o primeiro a me apaixonar por Noelle! Ela é minha! Você realmente acha que eu a entregaria a alguém? Se isso significa perdê-la para outra pessoa, eu prefiro—” Ele pegou a espada pendurada em seu lado—uma que deveria ser meramente decorativa.

Gritos ecoaram pela multidão.

“Luxion!” eu berrei.

“Sem problemas aqui. Quando estiver pronto, Mestre.”

Minha katana disparou para fora do cockpit e eu a agarrei, arrancando-a da bainha antes de pular para baixo. Havia cinco ou seis metros entre mim e o chão — o que era honestamente bem assustador — mas engoli meu medo.

Cavaleiros e soldados se adiantaram para me impedir, mas eu girei minha espada, golpeando-os com o fio cego. Muitos deles eram muito dependentes de suas cristas e não tinham as habilidades de luta para se opor a mim de qualquer maneira.

“Esses caras são uns idiotas. Nesse nível, eles são todos fracassados pelos padrões do reino.”

“Os homens no reino são forçados a se aprimorar para sustentar suas mulheres” disse Luxion.

“Isso significa entrar em masmorras e arriscar suas vidas lutando contra monstros para ganhar dinheiro. A força deles é resultado de um esforço meticuloso para atrair suas colegas mulheres.”

‘Pare! Você vai me fazer chorar.’

Mas ele estava certo; os meninos em casa não tinham escolha a não ser se tornarem fortes.

Forte o suficiente para sair de uma masmorra infestada de monstros com saques que eles poderiam vender por moedas. A força que esse treinamento me deu estava se mostrando de grande benefício.

Eu derrotei facilmente aqueles que estavam no meu caminho — até que apenas Loic restou.

Ele estendeu a mão direita em minha direção. A crista flutuando no ar atrás dele brilhou e chamas se juntaram, formando uma bola de fogo.

"Você realmente acha que pode me derrotar sem sua armadura?!" Loic estalou.

“Não se esqueça, eu também tenho um brasão! Mas serei legal e não o usarei contra você dessa vez.”

Enquanto sua bola de fogo vinha em minha direção, levantei minha espada e cortei direto através dela. As chamas explodiram com o impacto, mas fiquei ileso. Loic ficou boquiaberto.

Virei minha lâmina e me agachei antes de atacar — cortando seu braço direito.

Para Loic, deve ter parecido que eu tinha atacado num piscar de olhos.

Com seu braço direito desaparecido, a crista atrás dele desapareceu de repente, pois ele não conseguia mais usar o poder da Árvore Sagrada. Dei um chute rápido em seu estômago e o joguei no chão. Então pisei em seu braço esquerdo e o apunhalei com minha espada.

Loic gritou.

“Meu braço! Meu braaaaaaço!”

“Pare de choramingar. É sua culpa que eu tive que fazer isso” eu disse, arrancando a pulseira do seu pulso machucado.

Todos os outros assistiram em silêncio horrorizado, incapazes de se mover. Loic tentou matar a Sacerdotisa e agora eu — um estrangeiro — portava o Brasão do Guardião. Eles provavelmente não tinham ideia de como processar ou lidar com a situação.

‘Ah, alguém vai agir em breve.’

Eu prendi a pulseira ensanguentada no meu pulso esquerdo e estendi minha mão para Noelle, que tinha se levantado e se sentado no chão ali perto.

"Venha" eu disse.

Lágrimas escorriam pelas bochechas de Noelle.

Ela balançou a cabeça.

"Pare. Por que você está fazendo isso?! Eu tentei te esquecer e então você faz isso? Você é um completo babaca! Você tem alguma ideia do quanto eu… O quanto…”

Eu entendia como ela se sentia, mas não tínhamos tempo. Eu a levantei, mesmo enquanto ela lutava, mas quando me virei para sair, me vi cercado. Várias pessoas correram para Loic para fazer magia de cura e já estavam reconectando o membro que eu tinha conseguido cortar.

“Oh? Você planeja enfrentar o homem que carrega o brasão do Guardião?” perguntei a Fernand, que bloqueou meu caminho.

Ele tinha uma arma na mão e seu brasão estava brilhando, sinalizando que ele estava prestes a usar seus poderes contra mim.

“Você pode ser o Guardião” ele admitiu, “mas não podemos permitir que você leve a Sacerdotisa!”

Parecia que os outros cavaleiros e soldados concordavam, enquanto me cercavam com suas armas e brasões em punho.

“Sua ânsia pela batalha é louvável, mas você parece estar esquecendo de algo.” Olhei para Arroganz.

Fernand gritou:

“Você não é o único com uma armadura!”

Como se fosse uma deixa, vários Armors atacaram o prédio, indo direto para o Arroganz não tripulado. Aqueles no chão mantiveram os olhos fixos em mim, aparentemente pensando que não tinham necessidade de temer meu traje sem mim nele.

Eles estavam redondamente enganados.

“Você realmente acha que isso será o suficiente para parar Arroganz?”

Enquanto os outras Armaduras tentavam conter os braços de Arroganz, ele agarrou suas cabeças com as mãos e as esmagou.

O queixo de Fernand caiu.

“Ele pode se mover sem um piloto? Não — outra pessoa deve ter estado nele desde o começo!”

Na verdade, ele acertou na primeira vez, mas eu não tinha obrigação de informá-lo disso, então guardei a verdade para mim.

“Tudo bem, saiam da frente” eu disse.

“Abram caminho para o Guardião! E Noelle, pare de se contorcer, por favor? Por favor.”

“Me ponha no chão! Me ponha no chão, eu disse!” Ela estava soluçando e se debatendo, o que tornava um pesadelo tentar carregá-la.

“Proteja a Sacerdotisa!” Fernand berrou.

“Lorde Leon, ela claramente não tem desejo de ir com você. Não podemos permitir que você vá embora!”

O Sr. Albergue deu um passo à frente, com a Srta. Louise parada ao lado dele.

“Abaixem suas armas!” ele berrou.

Então ele se virou e olhou feio para seu rival, que em algum momento caiu no chão.

“Bellange, espero que você se explique mais tarde. E que fique claro que não tolerarei nenhuma descortesia para com o Guardião!”

Como Albergue era o presidente da assembleia, os soldados e cavaleiros obedeciam.

Fernand virou-se para encarar Albergue.

“Presidente, você realmente quer deixá-lo ir?!”

“Calma. Que homem em sã consciência empunha uma arma em uma negociação pacífica? Você deveria saber, Fernand, eu já estou ciente do seu envolvimento nessa confusão.”

Fernand baixou o olhar e largou a lâmina.

Bellange, ainda sentado no chão, agarrou a cabeça.

“Aquele filho idiota!"

Falando em filhos tolos, onde estava Loic?

Todos lançaram seus olhares para onde ele estava sangrando antes e os médicos ali parados desajeitadamente desviaram os olhos.

“O que aconteceu com Loic?” o Sr. Albergue exigiu.

“Bem, hum… Assim que recolocamos seu braço, ele nos sacudiu e foi pra fora-"

Uma explosão de repente abalou o templo, fazendo todo o prédio tremer. A senhorita Louise me lançou um olhar.

“Não há necessidade de fazer isso. Já acabou” ela disse.

‘Certo, espere aí. Por que todo mundo sempre me culpa por cada coisinha? Claro, eu plantei alguns explosivos, mas nem toquei no interruptor.’

“Não fui eu. Não apertei aquele grande botão vermelho hoje.”

Os reunidos me encararam, horrorizados que eu fizesse tal coisa. Mas então eles rapidamente trocaram olhares entre si, confusos sobre o que poderia estaria causando as explosões se não fosse o intruso descarado.

Bellange se levantou do chão, em pânico.

“Meu filho idiota! Ele realmente pretende nos trazer mais vergonha do que já trouxe?!”

***

Uma armadura havia atravessado as paredes do Templo, escapando para fora. Era um modelo feito especialmente, de propriedade da Casa Barielle. Todos esses armamentos na república eram movidos por energia retirada da Árvore Sagrada.

Isso exigia que o piloto tivesse uma crista e isso aumentava as capacidades do traje, tornando-o muito mais poderoso do que qualquer armadura comum. Essa era a razão pela qual a república tinha permanecido invicta em batalhas defensivas até então.

De todas as Armaduras que a Casa Barielle possuía, esta em particular só podia ser operada por alguém de uma das Seis Grandes Casas.

Normalmente, essa máquina era usada por um oficial comandante ou algum outro oficial de alta patente, pois havia sido feita especificamente para acomodar um piloto com uma das cristas mais poderosas e fazia uso da energia massiva que tal pessoa poderia extrair da Árvore Sagrada.

Era grande para uma armadura, com um design elegante e blindagem carmesim. Como foi feito para se destacar no campo, apêndices que lembravam asas se espalhavam de suas costas. Embora muita ênfase tenha sido colocada em sua aparência, suas capacidades de desempenho não eram menos impressionantes.

Loic sentou-se na cabine, bandagens ensanguentadas enroladas em ambos os braços e agarrou os manípulos de controle. Seus olhos brilhavam vermelhos.

“Árvore Sagrada! Dê-me seu poder, para que eu possa cobrir a terra em chamas! Eu lhe darei tudo. Você pode ter tudo de mim!”

A raiva o consumiu, abafando qualquer senso que ele poderia ter.

Tudo o que ele queria fazer agora era destruir tudo.

Sua crista se manifestou atrás dele enquanto ele avançava pelo ar. Ele acelerou com tanta força que a armadura rangeu ao seu redor.

Finalmente, ele sacou sua espada. Ela estava coberta de chamas e enquanto ele cortava o ar, o fogo formou um feixe crescente que disparou em direção ao templo, cortando suas paredes com força explosiva.

“Queime — eu vou queimar tudo! Incluindo Noelle e aquele homem com quem ela está! Todos que não me reconhecerem virarão cinzas!”

Mais poder da Árvore Sagrada fluiu através dele do que nunca.

Seu braço — que Leon tinha acabado de cortar — ainda ardia de dor. A cada pulsação, seu ódio ardia.

“Saia daqui, Leon. Eu vou te matar na frente dela e fazer ela se arrepender de não ter me escolhido!”

Pessoas saíram do templo, tentando escapar. As aeronaves e armaduras ao redor notaram a confusão e estavam se aproximando.

Um deles hasteava a bandeira da Casa Druille e desceu para resgatar Hugues antes de seguir em direção a Loic.

“Loic, pare com isso!” Hugues gritou.

“Não destrua o Templo. Meu irmão disse que estamos abandonando o plano!”

Os lábios de Loic se curvaram em um sorriso perturbado.

“Um bajulador como ele não tem o direito de me dar ordens!”

Ele estendeu a mão esquerda, disparando chamas que consumiram a aeronave em que Hugues estava. Enquanto ela caía, Armaduras vinheram voando em direção a Loic.

“Não, Lorde Hughes!”

“Lorde Loic, o que você está pensando?!”

“Pare com isso imediatamente, por favor!”

Loic apenas sacudiu o pulso, cortando-os. Eles explodiu logo depois.

“Abandonar o plano? O plano não importa mais! Tudo o que eu sempre quis foi Noelle!” Loic gritou enquanto lágrimas escorriam por seu rosto, seus olhos injetados e brilhando em vermelho.

Então o homem que ele tanto odiava surgiu voando do Templo em ruínas.

“Tsk, tsk. Você realmente está fazendo uma bagunça. Eu esperava resolver isso mais pacificamente” disse Leon.

A crista atrás de Loic brilhou ainda mais quando ele gritou:

"Então você finalmente chegou, Cavaleiro Desprezível!"

Loic atacou Arroganz com sua espada erguida, mas Arroganz facilmente desviou dele. Ao mesmo tempo, ele pegou um machado de batalha em suas costas e balançou, cortando a ombreira da armadura de Loic.

“Isso é brincadeira de criança” disse Leon ironicamente.

Enquanto a mente de Loic fervia de raiva, ele tentou estudar os movimentos de Leon.

‘Maldito selvagem holfortiano! Parece que você tem uma mão firme quando se trata de pilotar, mas sua escolha de desviar revela que você está evitando um verdadeiro teste de poder entre nós. Minha armadura supera a sua. Posso vencer esta batalha pela pura superioridade de suas capacidades!’

Ele estava certo; a armadura vermelha se elevava sobre Arroganz. Este último parecia construído para a força, mas não tinha nada em comparação com o traje de Loic.

“Você parece confiante no desempenho da sua Armadura, mas este traje foi feito especialmente pela Casa Barielle! Ele se alimenta da energia da Árvore Sagrada, o que significa que não preciso me preocupar em ficar sem mana. Mas esse não é o caso da sua, é? Mesmo assumindo que você poderia tirar poder da muda, ele não chega nem perto da árvore!”

O vencedor nesse confronto era certo. Entre a bênção da Árvore Sagrada e sua Armadura mais capaz, Loic tinha certeza disso.

Ele estava confiante de que uma lacuna tão enorme não poderia ser superada apenas pela habilidade.

Ele brandiu sua arma no ar e pressionou o ataque.

Os soldados e cavaleiros no chão — assim como as aeronaves e armaduras próximas — não puderam fazer nada além de assistir enquanto a batalha se desenrolava. Eles sem dúvida esperavam pela derrota de Leon.

Quando Loic abaixou sua espada, Arroganz levantou o machado de batalha para enfrentá-lo.

As chamas desapareceram da lâmina de Loic, que em vez disso começou a brilhar em vermelho.

À medida que Loic aumentava a pressão do seu ataque, o calor da sua arma começou a derreter o machado de Leon.

“Vou te rasgar em dois!” Loic rosnou.

Uma voz — uma que não pertencia a Leon — interrompeu de repente.

“Mestre, por quanto tempo você pretende continuar jogando este jogo?”

“Ah, vamos lá. Meu oponente parece realmente investido nisso, então estou fazendo um pouco de, uh… como você chamaria isso? Atuando?”

A voz de Leon não carregava nenhum sinal de pânico, mas Loic tinha certeza de que ele estava blefando.

“Pare com essa bravata!”

A voz de Leon de repente caiu várias oitavas.

“Okay, garoto. É hora de eu te mostrar como realmente se faz. É assim que você coloca seu oponente no lugar dele.”

***

Loic pretendia derrotar Arroganz confiando nas capacidades (supostamente superiores) de sua armadura.

Isso enfureceu Luxion.

“Não aguento mais seus joguinhos Mestre.”

“Ah, não diga isso. A galeria está toda animada nos observando.”

Luxion interceptou as vozes do público lá embaixo e as tocou para mim.

“É, é isso! Levem esse monte de lixo do reino para baixo!”

“Tem certeza de que não devemos intervir? O presidente disse para parar Lorde Loic—”

“Vamos apenas dizer a ele que não conseguimos chegar perto o suficiente para fazer nada e que tivemos que nos adaptar à situação.”

‘Uau, vocês não têm mais salvação.’

Então, novamente, eles eram todos milícias da Casa Barielle e da Casa Druille. Teria sido tolo da minha parte esperar que qualquer um deles quisesse me salvar.

A espada de Loic brilhava em vermelho, quente o suficiente para cortar metal como se fosse manteiga.

“Mestre” Luxion disse novamente, enojado por eu ainda estar fingindo estar em desvantagem.

Sem dúvida o irritou ver Arroganz perdendo.

“Você não sabe o significado de paciência, sabe? A parte divertida ainda nem começou.”

A armadura descomunal conseguiu empurrar Arroganz para trás, mas como nossas armas permaneceram travadas, comecei a aumentar a potência do meu motor.

Lentamente, era Loic quem estava sendo forçado para trás.

“O poder dessa armadura estúpida está diminuindo?!” ele arfou.

“Droga, seu monte de lixo!”

“Não culpe a máquina, esse é um terno fino. O problema é você."

Chamas azuis saíram do bico do motor de Arroganz enquanto ele pressionava o botão vermelho

Armadura de volta.

Uma espada saltou do recipiente nas costas de Arroganz, que eu agarrei com minha mão esquerda antes de balançá-la na lâmina de Loic.

“O quê?!” ele arfou quando sua espada estalou.

A lâmina quebrada caiu no ar antes de cravar no chão abaixo, fumaça branca subindo dela.

“Sua velocidade de reação é lenta” eu disse.

“Como eu disse: não é a máquina, é o piloto.”

Eu acertei um chute, fazendo seu traje girar para trás. Ele não tinha habilidade para manobrá-lo corretamente, então sua postura estava toda errada.

Eu arremessei meu machado de batalha nele, cronometrando para que, assim que ele tentasse se orientar, ele cortasse seu braço esquerdo.

Aqueles que assistiam abaixo engasgaram de horror, mas poderia muito bem ter sido uma alegria para meus ouvidos.

“Que desperdício. Um equipamento tão capaz, mas isso é tudo o que ele significa nas mãos erradas. Aquele velhote do Cavaleiro Negro era muito mais intimidador do que você. Se ele estivesse pilotando aquela coisa, eu estaria em apuros.”

A mera lembrança dele me deu um arrepio na espinha. Eu tinha me ferrado e levado uma surra por isso. Eu nunca mais queria passar por isso, mas por necessidade, eu estava me segurando nessa luta.

“Cara, ainda bem que você é meu oponente. Você pode ter a bênção da Árvore Sagrada, mas é basicamente um peixe pequeno. E, caramba, se você for alguma coisa para se guiar, essa coisa toda de bênção não vale muita coisa, hein?!”

Eu ri, irritando ainda mais a multidão — o que eu só percebi por causa do feed de áudio do Luxion.

“Alguém, por favor, deixe-me atirar nele!”

“Aquele bastardo, como ele ousa provocar o nosso melhor!”

“Solicitando permissão para atacar aquele canalha!”

‘Hum, então dizer que alguém é um desperdício inútil de espaço fora de seu brasão realmente mexe com o nervo das pessoas aqui.’

Eu certamente me lembraria disso.

A armadura vermelha se levantou novamente.

“Vamos, me mostre o que você tem” eu disse, incitando Loic.

“Ou é isso? Onde está aquele poder da Árvore Sagrada do qual você tem tanto orgulho? Pode vir. Ficarei feliz em lutar com você. Use todos os recursos e venha até mim! Então eu vou te esmagar!”

Essa era a maneira correta de colocar alguém em seu devido lugar: usar apenas o desempenho superior da sua própria máquina para esmagá-lo completamente, mesmo quando ele tentava atacar você com tudo o que tinha.

A crista flutuando atrás da armadura vermelha inchou ainda mais e chamas saíram dela.

Ela reuniu as chamas em uma enorme bola de fogo que atirou em minha direção, mas eu facilmente desviei. Apesar de ser enorme e receber uma quantidade imensa de energia de Loic, a bola de fogo não tinha velocidade e não havia poder por trás dela também.

Tamanho era tudo o que tinha a seu favor, especialmente porque Loic não tinha o controle necessário para fazê-la valer a pena. Francamente, a coisa me atingiu com a mesma força de um bico de chuveiro. As chamas em si podem ter sido devastadoras, mas dado o bloqueio no bico, elas simplesmente não conseguiam sair direito.

‘Sério, que patético.’

“Sério, isso é tudo que você tem? Chamar você de decepção seria pouco. Você não tem nenhum tipo de arma escondida ou algo assim? Acho que as aparências enganam. Espera aí — não me diga que você está sem energia!” Eu ri.

Loic atacou-me, mas guardei minha arma e o parei com uma mão. Embora ele tenha colidido contra mim com força, ele não me empurrou para trás nem um fio de cabelo. Na verdade, interromper seu impulso colocou tanta tensão em seu traje que partes dele se quebraram, sua forma se deformando, sem dúvida sacudindo Loic na cabine.

Eu o chutei para longe e puxei um rifle.

"Vou atrás da sua perna direita" eu disse a ele enquanto mirava. "Ou bloqueie meu tiro ou saia do caminho, mas faça alguma coisa."

“Khh!” ele sibilou, acelerando enquanto manifestava seu brasão na frente dele, com a intenção de usá-lo como um escudo.

“Já terminei de analisar esse padrão de escudo” disse Luxion.

Eu puxei o gatilho e a bala perseguiu Loic mesmo quando ele tentou evitá-la, perfurando e destruindo sua perna direita.

Naturalmente, isso significava que ela tinha atravessado seu escudo também.

“I-isso não é possível! Passou pela benção da Árvore Sagrada?!”

“Não se iluda. Você realmente acha que outros países têm sido complacente? Claro que temos pensado em maneiras de contornar seus pequenos truques. Um exemplo é que eu acabei de passar por aquela magia de bênção da qual você tem tanto orgulho.”

Certo, então tudo isso era mentira, mas serviu para colocar a república em alerta.

“Tudo bem. O próximo é seu braço direito.”

Loic não pareceu acreditar em mim.

Ele usou o poder de sua crista para erguer outro escudo, dessa vez com três camadas.

“Você está perdendo seu tempo” disse Luxion.

Ele estava absolutamente certo. Puxei o gatilho novamente, explodindo o braço direito de Loic.

“Vamos manter o ritmo! A próxima será sua perna esquerda!”

Lá embaixo, todos que assistiam estavam chocados. Eu estava provando que a arma definitiva deles era frágil como papel de seda — e que eu poderia facilmente explodi-la em pedaços.

“Sério? Você é pouco mais que um alvo de prática neste momento. Eu ouvi que as Armaduras da República eram superpoderosas, mas acho que vocês não correspondem ao que prometem. Se isso é tudo o que vocês têm, poderíamos invadir amanhã. Talvez eu devesse recomendar isso a Sua Majestade. Se não nos apressarmos, vocês podem ser varridos por algum outro país primeiro. Afinal, Alzer está pronto para ser colhido!”

Continuei atirando na Armadura de Loic enquanto falava, fazendo a milícia lá embaixo tremer de medo. Depois de arrancar as pernas e os braços de Loic, finalmente me aproximei dele, agarrando sua Armadura pela cabeça. Pressionei o cano do meu rifle contra sua cabine.

"Você realmente é um peixe pequeno. Não consigo nem começar a expressar a decepção que é que isso seja toda a bênção da Árvore Sagrada."

“D-droga!” Loic gritou frustrado.

‘Eu sou o único que está realmente frustrado aqui. Se você estivesse em seu juízo perfeito e tivesse abordado Noelle como um ser humano são, eu não teria tido que passar por todo esse problema. Ela nunca teria se apaixonado por mim em primeiro lugar.’

‘Ter um pouco de ciúmes é uma coisa, mas você exagerou.’

“Talvez seja por isso que Noelle te odeia — porque você é tão fraco” eu disse.

“E apesar da sua fraqueza, você tentou agir grande e envolveu todo mundo na sua confusão. Você é o verdadeiro canalha. Eu entendo completamente por que Noelle te detesta.”

"O que você sabe sobre mim?! O que você—Eu adoro Noelle! A amo!”

“Bem, que pena. Ela definitivamente não te adora, muito menos te ama. Na verdade, ela está visceralmente enojada de você!”

Dado o estado em que Loic parecia estar, duvidei que minhas palavras sequer fossem registradas. Só de imaginar a garota que eu amava me dizendo que estava enojada comigo de qualquer forma me fez querer chorar.

Se Angie ou Livia alguma vez me dissessem uma coisa dessas, eu não tinha certeza se algum dia me recuperaria. Loic parecia estar na mesma situação.

“Nunca teria sido assim… se você não tivesse aparecido!” ele uivou.

“Sim, teria sido. Noelle também não teria escolhido você."

“Eu vou te matar!”

Mesmo que minha arma estivesse pressionada contra o cockpit de Loic, ele ainda lutava, nem mesmo pensando em implorar por sua vida.

Ele realmente era um pé no saco.

Seu espírito não parecia prestes a quebrar. Na verdade, era nosso público que parecia prestes a perder o espírito ao perceber que nem mesmo sua tecnologia mais forte conseguiria derrotar Arroganz.

Na verdade, ver o quão facilmente eu o havia derrotado sem nem tentar os fez perceber sua vulnerabilidade.

“Mestre, a armadura de Loic está começando a se deteriorar. Ela absorveu muita energia e está prestes a explodir. Por favor, coloque distância entre você e ele.”

“O quê? Ei, espera, não podemos tirar o Loic daí primeiro?!”

“Ele pode já ter percebido o que está acontecendo, mas não parece ter intenção de fugir.”

"Merda!"

Guardei meu rifle antes de abrir a escotilha do cockpit do traje de Loic. Eu o vi me encarando de dentro, seu controle sobre a sanidade completamente perdido.

“Saia daí, seu grande idiota!” Eu gritei.

Ele gargalhou.

“Oh, não, você vem comigo. Nós dois vamos pegar fogo. Não vai sobrar nenhum pedaço seu para encontrar!” Raízes começaram a crescer de sua crista, enredando Arroganz.

"O que?!"

"É isso que você ganha por brincar" Luxion se agitou enquanto assumia o controle, me trancando do lado de fora.

Arroganz se desvencilhou das raízes que o enredavam. Então enfiou uma mão dentro do traje vermelho, agarrando Loic e puxando-o para fora da cabine.

Fumaça saiu da outra armadura.

Logo depois que Arroganz o chutou para longe, ele explodiu. Arroganz protegeu Loic da explosão com suas mãos, ficando o mais longe que pôde.

Luxion fez uma pausa.

“Aquela explosão teve mais poder do que eu esperava.”

“Essa foi por pouco.”

“Sua crista produz mais energia do que eu pensava ser possível. Isso me preocupa."

“Bem, tanto faz. Acabou agora.”

Quando voltamos lentamente para o chão, Loic já havia perdido a consciência.

***

Quando Loic acordou, ele se viu cercado por soldados.

“Onde estou…?”

Ele estava recebendo tratamento para seus ferimentos, mas os médicos balançaram a cabeça depois de examinar sua mão direita.

“Lorde Bellange, temo que o jovem mestre tenha perdido seu brasão.”

Bellange olhou friamente para seu filho, mas depois de um momento, ele desviou o olhar.

“Então ele está Desprotegido agora? Bem, ele não seria mais útil para mim de qualquer maneira. Vou fazer preparativos para que ele seja oficialmente deserdado. Embora, o maior problema agora seja limpar essa bagunça.” Ele olhou para Arroganz, cerrando os dentes.

Já era ruim o suficiente que a tecnologia de dirigíveis da república tivesse perdido para a do reino, mas agora suas Armaduras tinham se mostrado inferiores também. Não, talvez o que realmente o frustrasse era que as Seis Grandes Casas tivessem perdido.

Loic levantou a parte superior do corpo enquanto os médicos continuavam tratando-o. Leon se aproximou com Noelle a tiracolo.

Os outros jovens lordes do reino os escoltavam, como se estivessem agindo como guarda-costas. Quando Noelle parou ao lado de Loic, ela se ajoelhou e olhou diretamente em seus olhos.

Loic olhou para ela, sorrindo auto depreciativamente.

“Veio para dar uma boa risada? Há muito entretenimento para se ter, tenho certeza, vendo o quão miseravelmente perdi. Eu nem tenho mais a bênção da Árvore Sagrada. Mas marque minhas palavras, eu não vou desistir. Noelle, você ainda pertence a—”

Ela deu um tapa no rosto dele.

Loic virou a cabeça para encará-la, mas quase tão rápido, ele ficou boquiaberto.

“P-por que você está chorando?”

Lágrimas escorriam por suas bochechas. Noelle virou o rosto, mas sua voz soou alta o suficiente para todos ouvirem.

"Só para você saber! Eu não te odeio porque você é fraco! Em algum momento, Loic, você começou a me tratar como um objeto. Não importa o que eu fizesse, você me dizia que 'não combinava comigo' e que você iria 'me comprar algo mais caro'!”

Isso aconteceu antes mesmo que ela começasse a odiá-lo abertamente. Era uma vez, os dois realmente se davam bem e eles se encontraram na cidade e foram a um tipo de encontro.

Loic queria que ela se tornasse uma mulher digna de alguém na posição dele, então ele a provocava sobre cada pequena coisa que ela fazia.

Da perspectiva dele, tinha sido apenas um conselho.

“Eu só fiz isso por sua causa!”

“Não era isso que eu queria! Eu queria algo mais normal. Eu queria aproveitar nosso tempo juntos, comer fora, fazer compras. Eu queria me divertir. E apesar disso, você rejeitou tudo sobre mim.”

Loic fez uma pausa, tentando se lembrar de suas conversas anteriores. Uma vez, Noelle disse que queria andar de barco e ele descartou a ideia, dizendo que prepararia um dirigível para ela.

Quando eles saíram para jantar juntos, Noelle quis escolher um restaurante mais barato, mas Loic recusou, escolhendo levá-los a um restaurante de alta classe.

Um incidente semelhante ocorreu enquanto eles estavam fazendo compras.

Noelle escolheu um acessório que queria, mas Loic disse que era muito barato e pessoalmente selecionou algo que era mais seu estilo para dar a ela.

“Nós não somos um bom par” disse Noelle.

“Eu entendi isso desde o começo e não tinha intenção de namorar você seriamente. Mas você continuou tentando me guiar pelo nariz. Você até colocou uma coleira em mim — uma que eu não vou conseguir tirar pelo resto da minha vida!”

O objeto amaldiçoado ainda estava em seu pescoço, embora Leon agora segurasse a pulseira presa a ele.

Os olhos de Noelle se encheram de tristeza.

“Loic, você realmente olhou para mim? Você nunca esteve bem comigo como eu estava. Eu odiava isso... e é por isso que comecei a odiar você.”

Loic não conseguiu protestar contra nada do que ela disse.

Albergue e Louise se aproximaram, acompanhados por Emile e Lelia.

“Loic, você ao menos sabe de que tipo de coisas eu gosto?” Noelle perguntou.

Ele abaixou o olhar.

Até ele ficou chocado ao perceber a verdade: Não. Ele não sabia nada sobre o que Noelle realmente queria.